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quarta-feira, 11 de abril de 2018

Relação transfronteriço cara - cú


Bem poderia se chamar: cara cú. Convivendo nessa ponte há pelo menos 7 anos, vejo que os do lado de lá da ponte tem mais privilégios ao Brasil do que nós brasileiros a Guiana. São incontáveis relatos e, de coisas que já vi do lado de lá “quando passamos pela entrada que vai pra Cayenne, vemos algumas cruzes nas margem, são pessoas que morrem sem uma identidade e são enterrados como indigente”, esse foi o relato de Jane da DPAC FRONTEIRA,  “Não vamos para o garimpo porque queremos, vamos para o garimpo porque o nosso país não nos oferece condição de trabalho, eles nos humilham, nos batem, não existe respeito para com a gente, mesmo documentado– eu grito não só por mim, grito por aqueles que estão lá dentro do garimpo que morrem e ninguém sabe”, foi o que falou a presidente da associação de mulheres de Vila Brasil - Claudimar Morais.
 
foto pessoal
Segundo parte de relatório de DEPAC (Desenvolvimento, Prevenção, Acompanhamento e Cooperação de Fronteira) -  Mulheres da cidade de Oiapoque são convidadas a trabalhar como cozinheiras em garimpo clandestinos na Guiana Francesa, com promessas de boa renumeração e depois obrigadas a trabalhar em vários outros tipos de trabalho (exploração sexual). Existe um fluxo migratório indocumentado de mulheres adultas em Caienna   e Suriname, para trabalhar no mercado da prostituição local.


Elas atravessam o rio Oiapoque, utilizando as catraias e se deslocam pelas trilhas, igarapés e ramais existentes na floresta com guias; Mulheres adquirem dividas com os donos dos hotéis e bordeis onde trabalham, sendo necessário negociar os dividendos para retornarem ao seu local de origem. Ameaças de entrega-las as autoridades locais por estarem ilegal no pais dificulta ainda mais seus sonho de ganhar dinheiro. Além das brasileiras, encontram-se as de países como Colômbia, Haiti, Republica Dominicana e da própria Guiana Francesa. Muitos vão em busca de melhoria de vida, o Barão do Rio Branco, ministro das Relações Exteriores, conseguiu que fossem estabelecidos limites territoriais entre Oiapoque e Guiana francesa, contudo, os dois lados sempre estabeleceram contatos, muitos de forma parental.

Ao longo dessa relação, o que é vexatório são os tratamentos por parte das autoridades francesas, como, as autoridades brasileiras não acompanham essa problemática dos brasileiros, mesmo os de forma legal vivendo na Guiana, as coisas deploráveis permanecem: Os bairros de brasileiros constantemente vigiados mesmo os que contribuem com impostos, espancamentos na hora da deportação, os mandando cada vez mais longe de seus domicílios no Brasil. Enquanto do lado brasileiro, parece que o Oiapoque é guianense, pois muitos atravessam na hora que bem entende, se hospedam nos hotéis sem nenhum controle ou carimbo de passaporte, não pagam seguro para trafegar com seus carrões em Oiapoque, que reciprocidade é essa? Em solo francês, o principal trabalho é braçal, esses quando são apanhados, mesmo estando com documentação são expulsos sem nenhum direito a nada, quando morre algum brasileiro do lado de lá os outros fazem vaquinha para enviar o corpo aos seus familiares no "Brezil".


 Essa é a verdadeira relação cara cú, onde a França entra com a cara e o Brasil com …falta as nossas nobres lideranças políticas, habilidade como teve o Barão do Rio Branco em 1900 do presidente da suíça (Confederação Helvética) Walter Hauser, que expediu o Laudo suíço dando ganho de causa ao Brasil da questão do contestado, esse pobre homem deve estar se revirando no sepulcro, pois as nobres mentes entregaram de mão beijada esse rincão aos nobres amigos franceses.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

1º Encontro Transfronteriço de Mulheres



Mulheres da Fronteira debatem soluções para enfrentar problemas sociais, econômicos e ambientais
foto pessoal

Entre diálogos e denúncias, mulheres notáveis e de todas as etnias apontaram caminhos para enfrentarem os crescentes problemas sociais nas áreas de fronteira entre Oiapoque (Amapá) e Saint-George e Camopi (Guiana Francesa) no 1º Encontro Transfronteriço de Mulheres com o tema “Políticas Públicas para Mulheres na Área de Fronteira”, realizado na última sexta-feira (6), no auditório do Fórum da Comarca de Oiapoque, pela Comissão de Relações Exteriores da Assembleia Legislativa do Amapá (CRE)

O evento contou com a presença de autoridades das esferas estaduais, municipais, legislativas e jurídicas, cem como de conselhos, associações e da sociedade civil dos dois lados da fronteira.  

Autora do requerimento que solicitou o encontro, a deputada Cristina disse que o evento veio no intuito de abordar temas reflexivos para compreender as interações presentes e futuras nos referidos territórios, porém com enormes problemas sociais, econômicos e ambientais para se resolver. “Temos que buscar mecanismos para garantir direitos, respeito, liberdade e cidadania a essas mulheres expostas a todos os tipos de violência e desprovidas de políticas públicas com recorte de gênero, entre duas cidades gêmeas dividas apenas pelo Rio Oiapoque, ambas com legislações diferentes, este é nosso grande desafio", ressaltou a parlamentar.



Já a presidente da CRE, deputada Raimunda Beirão, reiterou o compromisso de dar viabilidade na discussão enquanto comissão e fazer com que o poder executivo assuma suas responsabilidades.

Representando o presidente da Alap Kaká Barbosa, a vice-presidente da Alap, Roseli Matos, parabenizou o encontro e disse que enquanto Escola do Legislativo vai contribuir no que for solicitada, por acreditar que a educação é o caminho da transformação.

Os painéis de debates tiveram temas como ”Violência Doméstica e Segurança na Área da Fronteira”, “Tráfico de Mulheres e Prostituição na Área de Fronteira” e “Saúde da Mulher na Fronteira”.
foto oficial

Houve questionamentos sobre o funcionamento do Cram-Oiapoque, entre eles, o da Enfermeira Nádia Silva Souto, do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa (Cedpi/AP). “Nenhuma parte voltada à assistência à mulher idosa funciona. No conselho, costumo falar que fazemos o nosso trabalho por amor, porque não temos nem água como contrapartida do nosso trabalho”, denuncia.

A prefeita de Oiapoque, Maria Orlanda, exaltou o encontro e disse que o município está de parabéns por receber o evento. “Não medirei esforços para fazer valer nossa vontade enquanto mulher, e anunciou que está criando o CRAM municipal. “Mediarei pessoalmente o espaço junto ao Ciosp Oiapoque para implantação desse projeto”, anunciou a prefeita.

O encontro encerou com a leitura da Carta Aberta do 1º Encontro Transfroteriço de Mulheres, lida pelo deputado Paulo Lemos, na qual evidencia as problemáticas nas áreas, que vão desde violência doméstica, segurança na área de fronteira, tráfico de mulheres, trabalho, saúde até os elevados índices de suicídios de mulheres em Camopi, tendo em vista que as mulheres que moram na zona de fronteira sofrem discriminação, quando são privadas dos direitos constitucionais.

A carta exige o todo o empenho das autoridades na implantação dessas políticas públicas na zona de fronteira, e com isso reparar a ausência de dignidade que permeiam nessas áreas, assim como propõe a criação de um Comitê Transfronteiriço de Mulheres Brasil/França. Nela, enfatizam: “Não desistiremos, não recuaremos. Lutaremos sim. Lutaremos até que todas sejamos respeitadas”.

A deputada Cristina agradeceu a todos que fizeram parte do momento histórico e disse que o encontro não ficará só no papel. “Nós queremos que o comitê possa debater e encaminhar as propostas e ser um órgão fiscalizador”, enfatizou Cristina.

A CRE encerrou o evento com o sentimento de missão cumprida e com muitos caminhos a percorrer em prol dos direitos das mulheres.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

De carona em carona na BR 156


Tenho viajado por esse meu Amapá e, conhecido cada figura, umas histórias dignas de series. Umas tristes, outras nem tão tristes, mas sempre uma história que vale apena tirar do anonimato, isso é o que move, fazendo o meu mundo girar.

Sabe daqueles que nasce com aquilo pra lua? Pois e, isso mesmo, sujeito de bom convívio, de fácil amizade, aonde chega vai logo marcando espaço no coração dos outros, sabedoria do bom viver,  O nome dele é Valdeci Reis, 37 anos, pai de quatro filhos e um já encaminhado na barriga, natural de Itaituba, de onde se afastou desde os anos 90, saiu do seio familiar e ganhou o mundo, isso não o impediu de vencer, de viver. Nessa quarta-feira (4), ele estava pedindo carona numa comunidade chamada Tartarugalzinho – AP, chegou de jeito verdadeiro e ganhou, para mim foi um aprendizado.

Passamos a conversar e estava indo para o Lourenço trabalhar como “peconheiro”, fazer um rancho para mandar a seus filhos, pois havia saído e já tinha feito um e tinha de conseguir outro antes de acabar. Mas a história que mais me chamou atenção, foi quando falou que ele foi o único sobrevivente do desabamento da mina no garimpo de Lourenço.

 “Naquela manhã de 2005, acordei as 5hs, como é de costume, quando entramos para dentro da mina, passei a mão nas paredes, por acaso, veio nas minhas mãos “curimã” (terra solta), ainda falei, vamos sai daqui que isso vai desabar. - Mas garimpeiro quando ver faísca ele quer mais e mais, como não me ouviram, eu sai só. Quando foi noutro dia, só tinha o burburinho – ficaram dentro da mina e foram soterrados” aos todos foram 4 que estão lá ate hoje. Esse foi um breve relato, ele mostrou o seu corpo todo marcado, numa mina subterrânea, tem pedra que só de encostar corta, e se você não tiver em quem confiar, lá você morre e ninguém sabe, ainda te levam o seu ouro, foi o que falou Valdeci.


Valdeci, ainda não ficou rico, já achou muito ouro, tem um certo patrimônio como terrenos, já teve muito mais: "o ouro sega, o ouro só deixa rico quem não entra na mina"; assim ele segue na busca da grande pedra preciosa, enquanto isso, ensinando a arte do bom viver de carona em carona na BR 156.

domingo, 1 de abril de 2018

Início do ciclo do Marabaixo na Favela


As caixas rufaram nas bandas da favela (Santa Rita) nesse sábado 31, foi o início do ciclo do marabaixo 2018, no barracão da Dica Congó, onde contou com a participação do marabaixo da comunidade do Coração, na tia Gertrudes Mãe e filha ditaram os cantos dos imortais; com uma responsabilidade de perpetuar essa manifestação que passa de geração a geração, salve a Santíssima Trindade; o ciclo é a comunicação constante da ancestralidade com os marabaixeiros, num misto de fé e devoção.

 viva o divino Espirito Santo pelas bandas do laguinho nos barracões de mestre Pavão e Tia Biló .

Uma manifestação ancestral que se reinventa, onde não é só o canto pelo canto, nem o dançar só por dançar; as famílias interagem pela fé. O ciclo sobretudo, estabelece uma meta de dar significado da existência dessa manifestação, antes restrita a famílias.

Serão intensos três (3) meses de ladainhas, festas profanas e muitas rodas de marabaixo, para no dia 16 de junho, dia do marabaixo, encerar com um diálogo que falará da importância do engajamento da manifestação com as políticas afirmativas – gira roda, roda gira.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Audiência pública no criaú/curiau cobrou direitos territoriais


Na manhã dessa sexta feira (16), a comunidade quilombola de Criaú/curiau realizou uma audiência pública para debater os problemas que a comunidade vem passando: território, segurança, foram as principais reivindicações. Estiveram presentes os representantes dos ministérios públicos estadual e federal, SEMA, IMAP, PM (Batalhão Ambiental), que acompanharam e propuseram algumas medidas a serem tomadas.

  
A comunidade do Criau/Curiau, já luta por seus direitos territoriais a pelo menos 30 anos; mesmo com todos os seus direitos constitucionais não conseguem ter autonomia no seu território, a presidente da associação quilombola, Rosa Ramos, relatou aos promotores que a comunidade é invadida do dia para noite e, quando procuram os órgão competentes, para tomarem providencias, recebem a morosidade, “andamos na comunidade e não sabemos quem são os nossos parentes; antes tínhamos a melhor farinha hoje temos de comprar, porque o de dentro da comunidade não pode plantar então, para que tudo isso de terra se não podemos usar”?.
A comunidade é titulada como quilombola e divide a mesma área com uma APA (Área de proteção Ambiental), onde o que prevalece a política de proteção ambiental; o morador não planta, não pesca, diferente da política quilombola que garante a subsistência.
Negra Guerreira Geovana

Outro ponto relatado foi a falta de segurança, roubos e até assaltos estão acontecendo na vila, o deck, bastante procurado por veraneio, hoje está servindo de “fumodromo”, pois gente que não são da vila, estão todas as noites fumando droga foi o  relato da liderança Geovana Ramos, pediu a representante da Policia Militar mais rondas na comunidade, pois quando a comunidade procura só encontra o museu fechado, (museu é aonde a companhia se encontra), a responsável pela guarnição disse que o tem um efetivo de 10 policiais para cobri a toda a região.
Rosa Ramos

A Rosa Ramos, como representante legal, pediu ao promotor Alexandre que ajude na elaboração de um “protocolo quilombola da comunidade”; para que sejam respeitado a vontade coletiva. Como final o ex presidente Coruja fez um chamamento a todos para se fazer a auto demarcação da comunidade, se os órgãos competentes não fazem vamos fazer.


“Tomara que não seja mais uma audiência pública sem resposta”, fica aqui o meu registro. João Ataíde.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Quatro tiros e a dor da indignação


“Quantos ainda precisarão morrer”, infelizmente a dona dessa indignação, sucumbiu, entrou para a estatística cruel que se abate sobre população negra. A indignação é mundial e faço parte dos que se senti assim, quem foram os culpados, serão punidos, serão descobertos?
São muitas perguntas sem respostas. Cada negro de luta que cai é um pouco de cada um de nós, que fique o símbolo, que fique os seus ideais, sua voz hoje ecoa e fica mais forte
Segundo o relatório de 2016, 31 mil jovens de 15 a 28 anos são assassinados, desses, 23 mil são negros moradores da periferia. São 63 por dia, um a cada 23 minutos.  Marielle Franco, mulher que representou as minorias, levantou a bandeira do genocídio; como transformar o luto em luta?
 “Quantos jovens precisarão morrer para que essa guerra aos pobres acabe?
Quatro tiros e a dor da indignação.


Marielle presente!

Quilombolas realizam Audiência Pública na comunidade do Criaú/Curiau



A Associação de Moradores do Quilombo do Curiaú, está fazendo chamamento a sociedade civil organizada e movimento quilombola para participar de uma Audiência Pública a se realizar no dia 16 de março (sexta), onde serão debatidos os seguintes problemas:- Crimes Ambientais, Segurança pública, Questões territoriais O objetivo é regulamentar uma portaria que normatize o uso ambiental na APA do Curiaú; garantir segurança para a comunidade que encontra-se desamparada pelos órgãos públicos de segurança; e proteger o território quilombola assegurando os direitos adquiridos.

Órgãos convidados: Batalhão Ambiental, SEMA, IMAP, Polícia Militar, Ministério Público do Amapá – Prodemac, Ministério Público Federal
Local: Escola José Bonifácio- Quilombo do Curiaú

Hora: 9h