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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Reunião da Associação das Escolas Famílias do Amapá - RAEFAP



Na manhã dessa quarta feira (18), os representantes das escolas famílias do Amapá se reuniram no Centro Diocesano de Macapá, onde foram debatidos os seguintes assuntos: pagamentos dos salários dos funcionários; pagamentos das parcelas do termo de fomento 2017; GE/SEED/RAEFAP; termino do ano letivo de 2017; Futuro das escolas Famílias do Amapá; termo do fomento de 2016. Estiveram presentes; EFAS de Pacuí, Perimetral Norte, Carvão, Maracá, Cedro, Macacoari.

As escolas Surgidas em meados da década de 1930 na França, as Casas Familiares Rurais são a base e o marco da metodologia de ensino e aprendizagem hoje adotado por inúmeros modelos de ensino espalhados pelo mundo, em especial em países da Europa, África e América do Sul cujo número de propriedades agrícolas familiares e/ou de subsistência sejam relevantes.

O Estado do Amapá possui, atualmente, cinco escolas famílias agrícolas/agroextrativistas. No município de Macapá encontra-se a Escola Família Agrícola do Pacuí, no município de Pedra Branca do Amaparí a Escola Família Agrícola da Perimetral Norte, no município de Mazagão a Escola Família Agroextrativista do Carvão e a Escola Agroextrativista do Maracá e no município de Tartarugalzinho a Escola Família Agroextrativista do Cedro. As escolas atendem a um total de oitocentos e dezenove alunos de mais de quinhentas famílias espalhadas por mais de cento e quarenta comunidades nos dezesseis municípios do Amapá e incluindo algumas regiões do Pará.
fonte http://gvpesquisa.fgv.br


A reunião que foi considerada pelos participantes como uma assembleia geral, teve o seu inicio com os relatos dos respectivos representantes, que com exceção das escolas de Macacori; que tem como parceiro uma empresa americana de nome não revelado pelo presidente Ademílson e a escola de Pacui as outras, estão a um ponto de fecharem as portas, como é o caso da escola do Cedro que está com suas atividades paradas.

Após os relatos, os participantes resumiram que “hoje” o projeto das escolas famílias, estão desamparadas e precisam de apoio para que essas questões, cheguem ao conhecimento público. ficou acordado que os representantes vão em busca de apoio para que esse projeto do estado não acabe.

PALAVRAS CHAVES: Interação Família-Escola; Família; Ensino-aprendizagem.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Todos e todas agora viram “todxs” ou “tod@s”


De repente, você deve esta se perguntando, x e s no lugar dos o s? Saiba porque, o xs vem tomando conta de parte da comunicação usual de todxs. E dessa forma, me utilizo de um texto já batido, mas vale apena requentar a informação.
O uso destes códigos é um recurso utilizado principalmente em redes sociais para que haja neutralidade de gênero – em vez do emprego do masculino. Adeptos de movimentos feministas e LGBTs, por exemplo, defendem a escrita de frases como “Todxs xs alunxs foram à aula”, em vez de “Todos os alunos foram à aula”.

Todos e todas agora viram “todxs” ou “tod@s”
Uma nova grafia do prenome “todos” começa a ser utilizada por aqueles que defendem igualdade de gêneros.


Ou que acham que a linguagem semeia o preconceito.
A grafia se espalha por movimentos sociais e na rede.
Em outras palavras: suprir o gênero na linguagem seria uma forma de inclusão ao reduzir a opressão.
No Brasil, é longa a discussão entre o uso de presidente ou presidenta.
Corremos o risco agora da polêmica se transferir para ex-presidente ou ex-presidenta.
Eu gostava do todos(as).
Exemplo: todos(as) os(as) interessados(as)
Virou “todxs xs interessadxs”.
Sarney sempre começava os discursos com “brasileiros e brasileiras”. Lula com “companheiros e companheiras”.
Pela nova grafia defendida por ativistas, seria então “brasileixs”, “companheirxs”.
Tem alguns que preferem “tod@s”, o que é simpático, já que o arroba parece uma junção do artigo masculino em volta do feminino.
Tem uns que defendem “todes”.
Tem o estilo Mussum: “todis”.
Se bem que “todxs xs interessadxs” já parece o começo de um discurso do personagem mítico dos Trapalhões.
Mas se a interferência na grafia satisfaz grupos defensores da igualdade de gêneros, ela atrapalha outro grupo numeroso, que reclama: os deficientes visuais.
Eles alertam que a mudança na grafia dá pau em seus leitores digitais de audiodescrição.
E agora?
Gosto do que escreveu Oscar Abreu da Silva no Coletivo Metranca:
Sinceramente, não acho que a língua oprime. A linguagem é ferramenta, neutra, que pode ser usada com intuito de oprimir, repetindo: pode. Não discordo do fato que a linguagem é muito utilizada para a opressão, e talvez seja até a ferramenta mais utilizada. Mas a ideia de que a linguagem em si oprime me parece um tanto quanto exagerada. O discurso é sempre ambivalente, como disse no início do texto, aberto a interpretações, por isso convido aos companheiros dos movimentos sociais que ampliem sua gama de interpretações. Seria prudente ou sensato, entender que uma mudança do paradigma machista, por exemplo, passa por essa mudança na linguagem? Eu me preocuparia mais com as associações de significantes, essas sim são perigosas.
http://coletivometranca.com.br/questoes-de-genero-na-linguagem-todos-todas-todxs/


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

VAMOS SER SOLIDÁRIOS COM O HISTORIADOR E JORNALISTA EDGAR RODRIGUES


VAMOS SER SOLIDÁRIOS COM O HISTORIADOR E JORNALISTA EDGAR RODRIGUES?

foto do aquivo pessoal de Edgar Rodrigues

Estou nessa campanha, sobre tudo por ter aprendido muito com esse cidadão, alias, quem nunca no Amapá e em qualquer parte do mundo não leu o seu blog? ou quem não tenha se inspirado nesse genial pesquisador? Eu tive o privilegio de por duas vezes está na companhia de Edgar Rodrigues e aprendi muito. Então gente, vamos contribuir, para que a sua sabedoria seja compartilhada para o bem do aprendizado coletivo. Por Edgar Rodrigues “Estou com apenas 50 por cento da visão e preciso me submeter a uma cirurgia de catarata. Não tenho condições atualmente para pagar a cirurgia. Estou vendendo aos amigos algumas apostilas produzidas artesanalmente para custear a cirurgia que custa R$ 4.500,00. Já perdi uma visão e não gostaria de perder a outra.

NÃO estou pedindo dinheiro, estou vendendo informações apostiladas sobre História e Cultura do Amapá como forma de financiar a intervenção. Tenho disponível os dois primeiros volumes da coleção Estudos Amapaenses para quem quiser me ajudar. Preciso recuperar minha visão para voltar a pesquisar.
Pedidos pelo celular ou whattsapp: (96) 984028693.

Meu endereço em Macapá: Rua Odilardo Silva 1399 apartamento F, Centro. Entre as Av. Iracema Carvão Nunes e Duque de Caxias. Ao lado da Secretaria de Estado da Saúde.

O preço de cada apostila é R$ 30,00. Se quiser as duas, paga só R$ 50,00.”
(Edgar Rodrigues)


palavras chaves: Campanha Edgar Rodrigues. 

domingo, 1 de outubro de 2017

A República de Counani : O homem que queria ser rei



Por Denis Lamaison
"texto traduzido nem todas as palavras estão corretamente escritas em português".
 
Em 1887, o caso rendeu algumas boas páginas dos jornais parisienses… Jules Gros, morador de Vanves na periferia de Paris, romancista popular e membro de diversas empresas de geografia, se tornou o presidente vitalício de Counani. Se alguns o levavam a maioria viam nele o Vaudeville do ano. O território de Counani existe realmente, entre o Brasil e a Guiana Francesa, e não pertence à nenhum Estado nesse fim de século XIX.
Jules Verne não poderia ter encontrado melhor assunto de Romance. Corrida para o ouro, evasão, traição, espionagem, essa é a história da República de Counani…
O TERRITÓRIO CONTESTADO FRANCO-BRASILEIRO
Quais são as fronteiras da Guiana Francesa? No final do século XIX, era muito difícil encontrar a resposta para essa pergunte. Bacia vertente do Brasil, uma região contestada existe desde o final do século XVII e isso apesar de dezenas de tratados e convenções. Aragouari, Cachipour, Caraparori, Ouassa, Tarturagal, os rios fronteiras mudam de acordo com as interpretações dos textos antigos ou com o geógrafos.

Em 1862, é o statu quo. As duas partes tendo fracassado mais uma vez na tentativa de entrar num acordo decidem que o imenso território que se estende entre o Amazonas e o Oiapoque permanecerá uma zona neutra, onde os governos francês e brasileiro, só poderiam intervir para tratar de questões de justiça referentes aos seus respectivos  cidadãos. Nem estado, nem policia, essa terra de ninguém era uma dádiva para os presos em fuga, escravos fugitivos (o Brasil declara o fim da escravidão em 1888) e todos os tipos de aventureiros.

A TERRA DE COUNANI
O explorador Henri Coudreau descobre a terra de Counani em 1883 durante uma missão para o Ministério da marinha e das colônias no território Contestado. Sua descrição é idílica, um clima ameno e são onde não existe mosquito, pastos fertéis, propícios à criação de gado. Essa terra situada na desembocadura do maior rio do mundo, descreve ele em sua obra. Os franceses na Amazônia, promete relações tranquilas com o resto do globo”. Para ele, não há lugar para dúvidas, esses cerrados estão aguardando apenas o Europeu”. Quanto aos duzentos e poucos habitantes que vivem no vilarejo de Counani, nascidos de uma « miscigenação tripla » (Branco, Índio e Negro) falantes de português mas familiarizados com o crioulo de Caiena”, eles só querem uma coisa: a cidadania francesa! “Counani: um nome harmonioso, uma boa coisa, uma grande ideia, ele se entusiasma.

Uma grande ideia”, é bem isso que pensa Paul Quartier, um dos membros da expedição Coudreau. O antigo relojoeiro suíço instalado um tempo em Caiena e depois reconvertido na prospecção aurífera, também sucumbiu ao charme de Counani. Em dezembro de 1885, ele desembarca na pequena vila com seu mentor e associado, o aventureiro borgonhês Jean-Ferréol Guigues. Eles se aliam aos dois capitães de Counani, Trajane Supriano, um ex-escravo e Nunato de Maceda (futuro sogro del Quartie). Os capitães são hostis com os brasileiros e muitas vezes eles levaram petições ao governador de Caiena para pedir em vão a anexação pela França. Dessa vez, eles foram muito mais longe.

Os capitães de Counani foram convencidos,  ou pressionados? (Supriano só assinou sob a mira de revolveres, escreveria mais tarde um morador de Caiena). Seja o que for, eles assinam em julho de 1886, um manifesto pelo qual é instituída a república independente dos quais os habitantes adotam as leis e a língua francesa. Convencidos de suas ações, Guigues e  Supriano vão em seguida para Caiena em uma vã tentativa de legalizar esse documento pelo prefeito de Caiena.

Guigues sabe que o a jovem república precisa legitimação. Ele confia a presidência do novo estado à Jules Gros, “jornalista oficial da Academia, membro das empresas de geografia de  Paris, Rouen, Lisboa e de diversas empresas especialistas, conselheiro municipal de Vanves, etc. etc.”

JULES GROS E A GUIANA FRANCESA INDEPENDENTE
Quando eu passei por eles em 1883, eles me disseram: “Essa é a nossa última tentativa. Se o governo francês não quer tratar desse assunto alegando que documentos antigos nos declaram neutros, indeterminados, não atribuídos. Mas tudo bem, nós nos declaramos independentes.” parece que eles acabam de fazê-lo. Eles estão certos!.

Aqui estão pessoas às quais vocês recusam os seus direitos, e isso porque há setenta e três anos, diplomatas, que não conheciam geografia, assinaram um tratado anfigúrico! Vocês não serão nada, digam a eles, vocês não serão nem franceses, nem brasileiros, nem Counanianos, vocês não serão nada. — Por Deus! Sejam Counanianos, meus amigos, é o direito de vocês. Hurra para Counani ! America to Americans ! ”
Henri Coudreau, A França Equinoxial, t. 1, Estudos sobre as Guianas e a Amazônia, 1886, p. 415.

Gros, homem estimado e quase sexagenário, parecia se a melhor opção. Ex-secretário da Empresa de Geografia comercial de Paris, redator nas diversas revistas populares, ele se beneficia de uma certa notoriedade. Como seu compatriota Jules Verne, do qual ele é contemporâneo, ele mistura alegremente vulgarização científica e literatura de aventura.

O vínculo de Jules Gros com a Guiana Francesa? Paul Gustave Franconie, o deputado eleito em 1879. Os dois compadres se encontram todas as sextas-feiras a noite no restaurante do Grand Véfour em Paris. Ao redor de uma refeição, marinheiros, comerciantes e políticos, trocam idéias sobre as questões coloniais. Dsse lobby expansionista, Franconie é o presidente e Gros o secretário. Gros conhece Coudreau e Guigues nessa época. O jornalista sedentário é subjugado por seus relatos. Ele fez com que os dois aparecessem no Le Journal des Voyages (O jornal das Viagens). A série é sobriamente intitulada: Os grandes aventureiros e as grandes aventuras. Foi nessa mesma revista que Gros escreveu pela primeira vez sobre a República Counaniense de Guigues, no dia 25 de julho de 1886.

Sobre a sua pequena história, dizem que Jules Gros teria sido informado sobre a sua nomeação por telegrama. Em maio de 1887, ele anuncia pela imprensa que ele foi nomeado presidente vitalício da nova República de Counani. Ele salienta que estando prestes a partir, ele busca colaboradores  “com uma perfeita honorabilidade e providos de recursos suficientes para ajudá-lo à iniciar a exploração dessas ricas terras”. Ele atende em seu escritório em Clamart às segundas e quintas na parte da tarde.

Rapidamente, toda a imprensa começa a falar. O ano de 1887 se torna o ano Counani. É importante dizer que o presidente leva seu trabalho a sério. Guigues se torna ministro do Estado e grande chanceler, Quartier é o intendente geral do Palácio da Presidência e  Louis Boisset, jornalista, é nomeado cônsul em Paris, na rua do Louvre, no. 18. Nas colunas do jornal oficial da Guiana Independente, distribuído em Paris, lê-se que a administração counaniana propõe concessões gratuitas (de cinco hectares por lar) aos colonos voluntários para a imigração. Como testemunhou um jornalista, o sucesso era certo :
Ao partir, o cônsul geral, nosso colaborador ficou surpreso de ver a multidão na sala de espera e até mesmo na escada. Eram pessoas decididas à partir para a Guiana Independente, que vinham pedir informações. Os pedidos de emigração crescem para mais de três mil.”
(Le Gaulois, 8 de setembro de 1887).

O incansável Jules Gros concebe também os brasões da República, adapta o código napoleão e funda uma ordem de cavalaria calcada na ordem da Legião de honra francesa, a ordem da Estrela. O brasão, uma cruz com quatro braços vermelha e preta, exibe em destaque o lema “Justiça e Liberdade”. O Le tout Paris o compra. Mais como lembra, de forma justa o Le Matin, em sua edição de 6 de setembro de 1887, “A estrela se dá e não se vende”.

A MORTE DE UMA ESTRELA
Eu não pude ocultar essas reflexões filosóficas do desolado presidente da República de Counani: “- Eu os nomeio… Eles me destituem. Eu os destituo em seguida. Mas como eu tinha sido destituído, eu não podia mais destituí-los. Mas como fui eu quem os nomeou, eles não podiam mais me destituir… Então, eu continuei nomeado e eu podia destituí-los.”
Alfred Copin, Revista de arte dramática musical, 1888, vol. 9, pag. 231.

O caso estoura  em setembro de 1887. O Cônsul Boisset acusa S. Richard, ex-encarregado dos assuntos de Counani, de tráfico de influência e Gros de cumplicidade. Mantendo distância  de seus associados, ele diz esperar que a nova colônia será fundada sob um duplo protetorado. Ele acrescenta por fim à um jornalista do Gaulois: “M. Gros tem o hábito de beber absínto como se fosse água”. Jules Gros não pode se deixar insultar impunemente. Ele elimina o consulado da Guiana Independente e despede Boisset. Apenas Guigues foi poupado. Esse último entretanto, escolhe o campo adversário. Com os membros do governo arruinado, ele por sua vez, declara Jules Gros como “indigno aos altos cargos aos quais ele teria sido nomeado”. No Jornal Oficial da Guiana Independente do dia 17 de setembro,Guigues se declara então, o único representante dos habitantes das províncias de Counani, Cachipour e Mapa. A ordem da Estrela foi extinta e os cavalheiros foram advertidos que eles poderiam ser processados por porte ilegal de condecoração.

A ruptura entre os principais nomes de Counani foi tão teatral como inesperada. Alguns dos protagonistas do caso ficaram com medo? Os meses passam, a França e o Brasil se aborrecem com esses rumores de separação. O dia 7 de setembro, a legação do Brasil em Paris deixa claro que ela não dá ao assunto de uma pretensa república “mais importância  do que ele mereça” mas que o Brasil tomará as medidas necessárias para impedir qualquer modificação sobre o estatuto do Contestado. Essa declaração não chega por acaso, no dia seguinte ao anúncio da partida de Gros, Guigues e Boisset para Counani acompanhando um primeiro convoide cinquenta franceses – a maior parte agricultores (Le Matin, 6 de setembro).

Hoje, essa república sai do domínio das lendas cômicas. O Brasil não a reconhece, mas ela existe.”, ironiza Gaston Jollivet no Le Matin. Mas Counani não  tira mais risos. A declaração comum, publicada no dia 11 de setembro no Diário Oficial da República Francesa confirma :
Atualmente, algumas pessoas estão tentando criar uma república independente em Counani, localidade situada no vasto território do qual a França e o Brasil reivindicam a possessão desde o tratado de Utrecht.

Esse ação é totalmente em contradição flagrante com as reivindicações dos dois Estados (…). Nessas condições, nem o governo da República francesa, nem o da Senhora Majestade, o Imperador do Brasil, autorizariam o estabelecimento de uma pretensa república counaniana.”
Diário Oficial da República Francesa, 11 de setembro de 1887.
A REPUBLICA NEBULOSA 
A efêmera República de Counani só durou uma volta do relógio” estampa Le Correspondant do dia 25 de outubro de 1887. Mas ninguém esperava o temperamento de Jules Gros. Ele recusa  de perder sua autoridade. Além do mais ele tem razão. Guigues criou um  novo governo para o  Tout-Paris, não há outros presidentes além do Gros. O  Figaro recorreu ao caricaturista Caran d’Ache, e duas páginas lhe foram consagradas no  “suplemento literário” de 31 de dezembro, rebatizado para a ocasião de “Counani-Revue”. Em janeiro de 1888, Gardel propõe no Teatro La Gaîté-Rochechouart, uma revista em dois atos: Paris em Counani. No ano seguinte, foi Charles Solo quem  rodou uma comédia intitulada: A república de Counani.

Na realidade, isso se tornou uma tragi-comédia. Jules Gros deseja voltar para sua administração. A França o impediu de embarcar em um navio francês. Mas isso não foi um obstáculo! Em fevereiro de 1888, ele se entende financeiramente com uma companhia financeira inglesa, The Guiana Syndicate Limited. Em troca de privilégios de exploração, essa última se compromete à levá-lo à  Counani e a lhe fornecer capital. Guigues percebe seu interesse. Após negociações, os dois compadres se reconciliam. Em contrapartida, a companhia promete a cada um, 125.000 francos.

Três viagens para a Guiana Francesa acontecem entre maio e agosto de 1888. Guigues parte, acompanhado do representante do sindicato; Gros está no último comboio. Ele leva com ele a sua família, seu secretário e alguns partidários. Nunca mais ele veria Counani. De tempos em tempos, os Ingleses perceberam que poderiam continuar sem ele. Sua viagem termina na Guiana Inglesa. Jules Gros é repatriado na França. Nesse mesmo ano, o escritor britânico Rudyard Kipling escreveu  O homem que queria ser rei.

É um Jules Gros desiludido que escreve após sua volta que o seu governo o persegue enquanto o seu objetivo era apenas de trazer ricos territórios para a França “sem que isso custasse um centavo ou a vida de um homem”. Quanto à Guigues, em um ensaio intitulado, Guiana Francesa Independente. Propostas ao governo francês – publicado em novembro de 1889 –, ele explica ter apenas pedido proteção francesa para esse vasto território “sem dono, sem governo” e isolado do mundo.

O presidente arruinado tenta – sem sucesso – buscar apoio dos investidores franceses, mas ele perdeu sua popularidade. A prisão de seu ex-secretário particular, por ladroeira, prejudicando uma empresa inglesa de emigração, não lhe traz boa reputação.
Jules Gros falece na casa dele em 29 de julho de 1891, com 62 anos de idade. Sua notoriedade ultrapassou as fronteiras. O New York Times de 17 de agosto de 1891 fala do desaparecimento de um grande globe-trotter e de sua república nebulosa. Quanto ao Cronicista Charles Formentin, ele escreveu no dia primeiro de setembro na Revue des Conférences : “Counani não existe mais, e o homem que tentou criar para o universo um Estado sonhado por Platão, morreu antes de ter reinado. Jules Gros partiu para uma viagem eterna, levando com estoque de suas condecorações desprezadas, o projeto de uma constituição ideal vislumbrando apenas de relance.”.
fonte: http://www.alem-do-amazonas.com/artigo/historia-artigo/a-republica-de-counani-o-homem-que-queria-ser-rei/

Palavras chaves: Julio Gros, Cunani, Amapá, Brasil.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

João Damásio dos santos ou Velho Bacaba


foto álbum de família

João Damásio dos Santos ou Velho Bacaba em 26 de abril de 1932, nasceu no criaú/curiaú

Como já tinha falado, tenho uma gratidão por esse cidadão de pernas tortas e cara fechada, só parecia mesmo, um homem trabalhador que nos finais de semanas botava todos no caminho da roça, uns catando macaxeira no campo e outros raspando para depois torrar a farinha de cada dia.

Eu tinha os meus oito anos (8) quando o velho Bacaba passou a viver com minha mãe, ele viúvo e minha mãe a tempo sem ninguém, juntaram duas famílias e eu os tenho ate hoje como irmãos; Joaquina, Roseane e Laércio, meus irmão que íamos juntos para todo quanto era canto, enquanto as meninas na casa de forno junto com minha mãe raspavam, cortavam e faziam a comida, nesse intervalo eu o velho Bacaba, Laércio, nos embrenhávamos no mato, trepar em açaizeiros, atirar em uma caça, por volta de umas 14hs, já chegávamos com uma saca de açaí, alguns macacos ou outra caça que servia como alimento na cidade.

Durante a semana ele trabalhava como encanador da CAESA, levantava muito cedo, pois, como minha mãe trabalhava de gari, ele primeiro a levava ate a rua que ela varria e depois se dirigia ao seu lugar de trabalho; são apenas lembranças que tenho, ele tinha tantas das facetas que a que me fez ter uma grande referência como pai foi a parte da cultura.
foto álbum de família

Numa roda de batuque não tinha batia o amasso, na ladainha de São Joaquim ele tocava uma viola que ele mesmo fazia – eu cheguei a ver ele na roça pegava uma madeira que não me recordo qual era e ia moldando e quando eu vir estava feita tinha umas três penduradas pelas paredes, foi numa dessas rodas de batuque que vir : bacaba, bolão numa pegada numa bandaia que parecia não parar.

Quando minha mãe e seu bacaba se separaram eu já tinha 17 anos, isso mesmo, nos saiamos as 5 horas do bairro do pacoval de bicicleta para os campos do criau/curiau, passávamos o dia fazendo farinha, coletando o que podia vender na cidade, quando chegávamos por volta da 18hs o patio da casa já estava cheio: uns compravam a farinha, outros açaí amassado pela minha mãe, carne de caçar, o apurado na venda servia para comprar; café, açucara, feijão, dessa forma se sustentava 2 casas e em media 10 pessoas e quantos mais chegassem.


Foi o velho bacaba que me ensinou o valor que tem ser um filho que teve seu umbigo plantado na terra, nas rodas, nas ladainhas, nas roças, nas cantorias, na condução da família. Velho bacaba esse foi o pai. Faleceu em 24 de abril de 2009 (Tinha 76 anos)








Palavras chaves: Homenagem, família, pai.

#Seletivas do II festival cantando Marabaixo


foto: Maksuel Martins

O II Festival Cantando Marabaixo nesse ano tem um diferencial, estão acontecendo seletivas nas escolas públicas de Macapá a exemplo do ano passado que foi tímida, nesse ano serão mais e, elas estão recebendo um reforço de monitores de peso, como o Artur Sacaca, Marcelo Coimbra, Elísia Congo, respectivamente Laguinho e favela. Comemora a coordenação pela participação e procura das escolas públicas nesse projeto. 
foto Macksuel Martins

Nessa oficina que aconteceu nesta quarta (27) na escola General Azevedo Costa, contando com participação: Escolas Edgar Lino, Augusto dos Anjos, ambas se preparando para o II Festival Cantando Marabaixo, além dos oficineiros, estiveram o professores Dinho, Ricardo Pontes, Paulinho do Rosário; professora Mirian, entre outras ; grandes incentivadores da cultura do marabaixo. 

foto Macksuel Martins
Das 30 musicas que iram disputar, 10 virão da SELETIVA ESTUDANTIL, que acontecerá no Dia 21/10 na quadra da Escola Jesus de Nazaré as 17hs. Como é um PROJETO PILOTO, precisamos de no mínimo 12 escolas e no máximo 15, para realizar a SELETIVA.
foto Macksuel Martins

Uma boa iniciativa do movimento Nação Marabaixeira que além de deixar a todos em par de igualdade, ainda ajuda na divulgação da cultura nas escolas; resinificando o contexto.  Estão de parabéns a coordenação na pessoa de Carlos Pirú; grande incentivador das culturas populares que vem se dedicando nos últimos anos ao marabaixo de forma sistemática.

No I festival Cantando Marabaixo (2016), em sua primeira edição foram 4 finais de semanas na comunidade de curiau/criau na Maloca da Tia Chiquinha, esse ano, será realizado no centro da cidade, como trata-se de uma homenagem a grande baluarte da cultura no bairro da Favela o lugar não poderia ser outro, justamente nas instalações da escola de Samba de Maracatu da Favela na Rua Pe. Júlio M. Lombard.

Nota - Dona Gertrudes, tem na sua biografia a resistência como marca, a história registrou que ela juntamente com os “seus”, fincaram os pés e só saíram de frente da cidade, por conta da imposição do então governador Janary Nunes, fato que segue como os projetos de higienização do pós Brasil colonia, ao qual chamo de segregação racial, dessa forma, subiram as ladeiras e estabeleceram moradas no hoje bairro de Santa Rita.

O festival acontecerá em quatro finais de semanas, onde as escolas participantes das seletivas, estarão mostrando suas composições e conhecimento da arte do marabaixo, como essa seletiva acontecida na manhã de hoje (27) na Escola General Azevedo Costa, ainda terão outras antes de inicio do II Festival Cantando Marabaixo.

O II Festival vai acontecer 03, 04 e 05 de novembro 2017, com uma grande final que será realizado na quadra da escola de samba Maracatu da Favela, com a presentação das musicas selecionadas. Os ganhadores dividirá uma premiação no valor de 6 mil reais:  1º leva três mil, 2º dois mil e o 3º mil reais e troféu, ainda terá apresentação das bandas Afro – Brasil e Afro ritmos.

O espaço será como a feira preta para quem já viu, vendas, exposições, desfiles, tudo vai ter nesse dia. uma proposta bastante significante para uma cultura em constante movimento.

Palavras chaves: Festival cantando marabaixo, Amapá, Macapá, Brasil.

domingo, 24 de setembro de 2017

Vamos se mobilizar pelos direitos quilombolas



Eu sei que hoje é domingo e a maioria esta em casa assistindo televisão ou na cama com seus familiares, no entanto, tem algo que me preocupa e, sei que preocupa a muitas outras pessoas como eu envolvida nessas questões, leiam e alerto que temos que nos mobilizar. O texto trata-se de um ajuntado de coisas escritas por outras pessoas que fazem de tudo para não mostrar a real gravidade da situação, leiam e vamos nos mobilizar.

O Supremo Tribunal Federal (STF) julgará a ADI nº 3239 a qualquer momento e é preciso o voto de seis ministros a favor da manutenção do Decreto nº 4887/2003 para que essas conquistas não se desmanchem, vamos se mobilizar, entenda o que é esse decreto.

O Decreto nº 4887/2003, erguido após profunda discussão com a sociedade civil, é conhecido por regulamentar o procedimento, de competência atribuída ao INCRA, para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas pelas comunidades remanescentes de quilombo. Contudo, além disso e dentre outras coisas, esse Decreto é responsável pela existência quilombola.

Está sendo analisada pelo Supremo Tribunal Federal a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) nº 3.239 de 2004, apresentada pelo DEM, que pede a revogação do Decreto 4.887/2003 por considerarem que só deveriam ser tituladas terras que já estivessem em posse de indígenas e quilombolas na época da Constituição de 1988.

Portanto, a ação pelo, então, Partido da Frente Liberal (PFL), atual Democratas (DEM), na petição inicial da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 3239, de que o Decreto nº 4887/2003 reconhece o direito à propriedade das terras a quem apenas se autoidentificar como remanescente das comunidades dos quilombos e que a demarcação dessas terras se dá por mera indicação dos interessados, sem considerar critérios histórico-antropológicos. Essa informação é extremamente equivocada e quem a faz só pode fazer por duas razões: desinformação completa ou má fé. (veja ai a figura do afro conveniente que mais atrapalha que ajuda).

Quilombolas do Brasil uni-vos.