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sábado, 25 de fevereiro de 2017

A BANDAIA DO CRIAÚ E SEUS COMPOSITORES




Falando de Bandaia 

Se para o marabaixo a musica, que dita a rítmica com o entoa da caixa é o “ladrão”, para o batuque a musica chama-se “bandaia”. Os tocadores no amasso no contraponto com macaquito e os pandeiros, muna perfeita sintonia, ao centro tem cantador. No batuque do Criaú, tem os cantadores e cantadeira que não podem faltar: Dona Joaquina, Creuza Miranda, Dona Zefa, Chuteira, Mané Caldo, Tio Chico, entre outros. As “bandaias” geralmente retrata um fato do dia a dia, no entanto, pouco se fala dos compositores dessas obras, muitas dessas bandaias, são verdadeiros clássicos das rodas de batuque, tais como:


  • São Joaquim esta na terra, com amor e alegria,
nós vamos louvar o vosso sagrado dia. essa não pode faltar, no inicio de cada festa de batuque ela não pode faltar.

  • Areia, areia do mar, areia - tem como compositor o senhor Louriano Ramos,

  • Carambola, galo já cantou carambola – velho Marinho; quando essa bandaia toca, o salão, parece entrar em transe,a ligação direta com a ancestralidade, a voz dessa bandaia é a de Creuza Miranda, Dona Zefa e outros que me faltam o nome.

  • Garrafa de licor dondom – Chuteira
      na mesa ficou dondom,

  • Sendo que nesse meio, teve dona Sebastiana do Rosário, que tirava uma bandaia presa ao sentimento maternal, uma das quais eu conheço –


Eu me pus a imaginar,
eu pusera a considerar ,
que a estrada do jenipapo
era estrada de se duvidar
Eu fui criada sem mãe,
no seio da minha vó,
naquela mata perdida,
eu perdi a minha vó.
Sobre tudo, fica aqui o registro de, grandes cantadores e compositores de bandaias do batuque do criau.

 "todo respeito aos compositores e cantadores de nossas bandaias"

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

MESTRE BIMBINHA, 37 ANOS DEDICADOS A CAPOEIRA NO AMAPÁ

ROBERTO GOMES CAMPOS

Mestre Bimbinha
Nascido em 1962, filho de Leonardo Campos e Maria de Nazaré Gomes, foi criado no bairro do Trem, na Av. 13 de Setembro, 740. Sua infância no meio a discriminação; por serem a única família de negros da redondeza, onde a maioria era de brancos, dessa forma aos 16 anos, o levou a procurar uma arte marcial para se proteger das agressões cotidianas e rotineira a que era submetido. O ano de 1980, ele procurou a Academia de Artes Marciais na avenida Ataíde Teive, academia Ozelio Silva, sua vontade inicial era o Karatê, pois havia assistido um filme no cinema de Macapá, cenas de um jovem baixinho e magrelo que resolvia tudo na base da arte da luta. 


Mestre Grilo e Bimbinha
 Quando chegou, tinha a mesmas características do astro Bruce Lee, e o mestre viu que por ser baixinho e magro, não teria muito futuro, foi então que lhe foi apresentado a nobre arte da capoeira “ nunca tinha visto um berimbau ate aquele momento”, o seu primeiro mestre de capoeira foi o mestre Grilo, e a partir daquele momento, passou a se chamar de mestre BIMBINHA, os ensinamentos da capoeira lhes deram uma atitude para a vida e integrou o primeiro grupo de capoeira do Amapá, GRUPO DE CAPOEIRA BEZERRA, a capoeira Regional Foi trazida ao Amapá por Humberto da Bahia de Alagoinhas, mestre Bezerra foi quem fez o primeiro batizado de capoeira em Macapá, o evento foi realizado no ginásio Avertino Ramos, mestre Bezerra era de Belém do Pará.






RODA DE CAPOEIRA BEZERRA
 
Em 1997 foi graduado a mestre por mestre Grilo, ele fez parte do primeiro grupo de capoeira do Amapá, grupo de capoeira Bezerra. 
Bimbinha como soldado do exercito 
 Em 1982, Bimbinha serviu o batalhão especial de fronteira, sempre envolvido da pratica da arte, foi um brilhante soldado e, o aprendizado adquirido no ambiente da capoeira lhe fez passar pela disciplina militar com honras e méritos, quando saiu do exercito, desempenhou outras funções, trabalhou na companhia de abastecimento de Macapá (CAESA), e sempre vislumbrava, um dia poder viver daquilo que tanto se empenhava a aprender, aperfeiçoando a cada dia e aprimorando a capoeira  . 

Bimbinha e o seu primeiro aluno



No ano de 1997, criou o grupo de capoeira BIMBINHA, quando chegou no bairro do Jardim Felicidade, visualizou um cenário onde a juventude vivia na vulnerabilidade social, e viu que o seu filho, estava exposto a isso tudo, num espaço pequeno, passou a ensinar o seu filho, que foi o seu primeiro aluno dai em diante, o espaço foi tomado pelos jovens que ganhavam uma ocupação, forma pedagógica própria capoeira a serviço da educação cidadã. 


 A sua esposa Shirley Cristina Pereira de Almeida é a sua grande companheira no desempenho das atividades no centro mestre Bimbinha a qual já é sua esposa a 28 anos, a capoeira de BIMBINHA, não ensina só a arte da capoeira, ensina ao jovem a cidadania. 


Os 37 anos dedicados a capoeira, teve o seu resultado no ano de 2017, com a vitória conseguida pelo o seu primeiro aluno e filho que hoje é contra mestre, conhecido como mestre ROLISSO, ficou em oitavo lugar num campeonato mundial chamado Red Bull Paranauê, sua capoeira hoje é reconhecida dentro e fora do Brasil.

O Red Bull Paranauê é um evento que quer achar o capoeirista mais completo do mundo, aquele capaz de jogar e passear pelos principais segmentos de capoeira. Hoje conhecemos três principais estilos direcionados por grandes mestres: Angola, Regional e Contemporânea. Milhares de capoeiristas ao redor do mundo se especializaram em cada estilo, Rolisso representou muito bem o estilo ensinado pelo pai, Capoeira Regional do Amapá.









Contra Mestre ROLISSO

 “a capoeira é a minha única profissão que eu me identifiquei para sobreviver, vivo dela e para ela”





Palavras chaves: Mestre Bimbinha, capoeira, Macapá, Amapá, Brasil.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

IGARAPÉ DO LAGO




VILA DE IGARAPÉ DO LAGO

    Comunidade Certificada pela Fundação Palmares em 08/06/2011, código do IBGE 1600600, é tida como distrito de Santana, fica localizada na BR 156 sentido laranjal do Jarí,sua atividade de subsistência é Agricultura e Pesca tem como presidente da associação de moradores do distrito de Igarapé do Lago, e sua principal o senhor Anderson Moraes da Cruz. Uma comunidade dividida entre evangélicos e católicos que tem uma igreja centenária a igreja Nossa senhora Mãe de Deus.
     


O calendário religioso

                                     janeiro - São Benedito.

                                     fevereiro - Divino espírito Santo.

                                     junho/julho - Nossa Senhora da Piedade.

                                     Novembro - Nossa Senhora da Conceição.

                                     Dezembro - São Tomé.

VILA DE IGARAPÉ DO LAGO
  
         Tem uma escola Estadual que oferece o ensino modular, onde a comunidade reclama dessa modalidade, pois muitos dos jovens que vão estudar na cidade, não conseguem lê nem escrever, não conseguindo acompanhar o ritmo da cidade e muitos retornam sem da consequência nos estudos, os moradores reivindicam pelo ensino regular,  -, na escola Municipal, os problemas não são diferentes, ambas precisam de uma reforma, um posto de Saúde, Posto policial, (que atua sem viatura), energia 24 horas, sistema de água oferecido pela CAESA; Vale uma observação, todos os serviços oferecidos pelo Governo do Estado e Prefeitura Municipal de Santana, funcionam com muita deficiência, ocasionando transtorno diários pela comunidade, e um cemitério, onde estão sepultado os primeiros moradores da comunidade.

 ASSEMBLEIA DE DEUS
Reivindicações:

  • Requerer a SEED, reforma na escola estadual, bem como visita técnica pois os relatos apontam que os alunos passam de série sem saber ler. 
  • Requere a Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura de Santana Reforma e ampliação da escola. 
  • Requerer a Secretaria Estadual de Agricultura- SDR, informações sobre investimentos previstos pra 2017 na produção agrícola da comunidade quilombola de Igarapé do lago. 
  • Requerer a CEA, que encaminhe uma equipe de funcionários da área comercial para realizar o cadastro rural, no Distrito de Igarapé do lago, priorizando os beneficiários das cinquenta unidades habitacionais do Programa Nacional de Habitação Rural- PNHR. 
  • Requerer a FUNASA, serviço de perfuração e instalação de poços artesianos, na Comunidade Quilombola de Igarapé do lago, priorizando os beneficiários das quinze unidades habitacionais do Programa Nacional de Habitação Rural- PNHR.
    Hoje, segundo o presidente da associação, residem cerca de 250 moradores, sendo que existem muitas casas fechadas que serve como refugio de Final de semana.
    Sua origem se deve a descendentes de escravos de uma fazendeira que tinha criação na região, e outros vindos de Mazagão, dessa forma, se constituiu ao longo do tempo, caracterizada na sua ancestralidade de aspecto quilombola, as festas tradicionais são realizadas as ladainhas e ritmadas pelo marabaixo
       

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

NA VALORIZAÇÃO DE NOSSA GENTE, VEJA JACUNDA.





                   


"não deixe a cultura morrer,
não deixe a cultura acabar,
eu sou de Campina Grande...,
 no estado do Amapá"


           Ele perdeu o pai aos cinco anos de idade, Helson do Carmo costa, foi uma celebridade do marabaixo em Macapá/AP. Se fosse em outro lugar, as suas musicas já estariam nas grandes paradas de sucessos de todo o mundo. Filho de Antônia Grande, uma baluarte da cultura do marabaixo na comunidade de Campina Grande. Como no inicio eu citei, sua mãe ficou viúva muito cedo, juntamente com seus irmãos, ajudou no crescimento de sua comunidade, foi a partir do surgimento de Jacundá, com uma dinâmica diferenciada nas composições de marabaixo, a cultura teve um novo significado, o ladrão minha história ele deu um salto, passou de simples coadjuvante e entra nos escritos e falados das pautas da manifestação popular, ele conta que no inicio, quando tentava entrosamento junto aos velhos detentores da cultura foi por muita vez impedido, mesmo assim não desistiu.

                
 velorio de seu pai

"Quando abre-se as cortinas estou no palco pra cantar...
eu vou, eu vou...cantar marabaixo eu vou."
 
          No inicio os seus “ladrões retratavam especificamente isso”, foi muito criticado quando introduziu um novo instrumento percussivo no ritmo do marabaixo, pelo contrario, isso fortaleceu disseminando na rota da BR 156, sua forma de se expressar, fazendo seguidores por toda uma redondeza fortalecendo de norte a sul do Estado, assim, partindo de jacundá é possível visualizar que o contexto e a localização geográfica caracteriza uma cultura.
            Por tudo isso, o jacundá é um sujeito que vai pra roça, amassa bacaba, vai pescar e conta “causos” como ninguém, sujeito simples que precisa se descoberto.  O mundo precisa de gênios simples. Hoje numa nova missão, a quase cinco anos é evangélico e deixou um pouco a cultura que o projetou. Veja fotos.

FALANDO DE RACISMO...


              

            
            Esse racismo brasileiro, sem racista auto-identificado, auto-reconhecido, ou seja, sem aquele que se reconhece como discriminador, faz-nos lembrar da paradigmática conclusão de Florestan Fernandes sobre as relações raciais no nosso país: no Brasil surgiu “uma espécie de preconceito reativo: o preconceito contra o preconceito ou o preconceito de ter preconceito” # . Discrimina-se os negros mas há resistência entre os brasileiros em reconhecer a discriminação racial que se pratica contra esse grupo racial. Ou seja, os brasileiros praticam a discriminação racial, mas só reconhecem essa prática nos outros, especialmente entre os estadunidenses brancos. Como afirmamos em outro lugar # , passou a fazer parte do nosso ethos. A indiferença moral em relação ao destino social dos indivíduos negros é tão generalizada que não ficamos constrangidos com a constatação das desigualdades raciais brasileiras. Elas não nos tocam, não nos incomodam, nem enquanto cidadãos que exigem e esperam o cumprimento integral da Constituição Brasileira.
                    É como se os negros não existissem, não fizessem parte nem participassem ativamente da sociedade brasileira. A “invisibilidade” do processo de discriminação racial reaviva o mito da democracia racial brasileira # , impedindo uma discussão séria, franca e profunda sobre as relações raciais brasileiras e, mais do que isso,inibe a implementação de políticas públicas específicas para os negros. Aliás, a negação da existência dos negros ou, se se quiser, a sua desumanização, é da essência do racismo. E é essa negação dos negros enquanto seres humanos que tem nos “anestesiado” quanto às desigualdades raciais. Esses fatos têm um enorme peso no momento de se decidir sobre qual política adotar para solucionar a discriminação racial a que estão submetidos os negros. Contudo, embora a discussão ampla, franca e profunda sobre a questão racial brasileira ainda sofra fortes resistências no seio da nossa sociedade, tanto entre os setores conservadores como entre parte significativa dos setores progressistas, como afirmamos acima, não há dúvidas de ela entrou na agenda política brasileira após a III Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, que foi realizada na cidade sul-africana de Durban, no período de 30 de agosto a 07 de setembro de 2001.

FERNANDES, Florestan. O Negro no Mundo dos Brancos. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1972, p. 42.
SANTOS, Sales Augusto dos Santos. Ação afirmativa e mérito individual. In: SANTOS, Renato Emerson;LOBATO, Fátima (Org.). Ações Afirmativas. Políticas públicas contra as desigualdades raciais. Rio de Janeiro: DFP&A, 2003, p. 87. O conceito de mito da democracia racial brasileira que adotamos é o mesmo utilizado por Carlos A. Hasenbalg: “A noção de mito para qualificar a ‘democracia racial’ é aqui usada no sentido de ilusão ou engano e destina-se a apontar para a distância entre representação e realidade, a existência de preconceito,discriminação e desigualdades raciais e a sua negação no plano discursivo. Essa noção não corresponde,portanto, ao conceito de mito usado na Antropologia.” (HANSEBALG, Carlos A. Entre o Mito e os Fatos: Racismo e Relações Raciais no Brasil. In: MAIO, Marcos e SANTOS, Ricardo Ventura (Org.). Raça, Ciên cia e Sociedade. Rio de Janeiro: Fiocruz/CCBB, 1996, p. 237).16Sob a pressão dos movimentos negros # , o governo Fernando Henrique Car doso iniciou publicamente o processo de discussão das relações raciais brasileiras,em 1995, admitindo oficialmente, pela primeira vez na história brasileira, que os negros eram discriminados. Mais do que isso, ratificou a existência de discriminação racial contra os negros no Brasil durante o seminário internacional Multiculturalismo e racismo: o papel da ação afirmativa nos Estados democráticos contemporâneos, organizado pelo Ministério da Justiça, em 1996. Apesar desse primeiro passo,de reconhecimento oficial do racismo no Brasil

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Um Pouco Sobre Politica Afirmativa

                O racismo contra os negros no Brasil tem sido praticado desde o primeiro momento da chegada forçada destes seres humanos no país, uma vez que foram trazidos como escravos. A escravidão foi “a mais extrema das formas de opressão racial na história brasileira” . 
                A profunda desigualdade racial entre negros e brancos em praticamente todas as esferas sociais brasileiras é fruto de mais de quinhentos anos de opressão e/ou discriminação racial contra os negros, algo que não somente os conservadores brasileiros, mas uma parte significativa dos progressistas recusam-se a admitir. Assim, a discriminação racial e seus efeitos nefastos construíram dois tipos de cidadania neste país, a negra e a branca.             
          Basta observarmos o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) brasileiro, desagregado por cor/raça, para facilmente notar esta lamentável situação de injustiça. Conforme indicou o estudo “Desenvolvimento Humano e Desigualdades Étnicas no Brasil: um Retrato de Final de Século”, do professor Marcelo Paixão, do departamento de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apresentado no II Foro Global sobre Desenvolvimento Humano, no ano de 2000, o Brasil ocupava o 74 o lugar no ranking da ONU no que tange ao IDH. No entanto, analisando separadamente as informações de pretos, pardos e brancos sobre renda, educação e esperança de vida ao nascer, o IDH nacional dos pretos e pardos despencaria para a 108 o posição, figurando entre aqueles dos países mais pobres do mundo, enquanto o dos brancos subiria para a 48 o posição . Ou seja, o IDH nos indica que há dois países no Brasil, quando desagregamos por cor/raça a população brasileira. 
       O Brasil branco, não discriminado racialmente, e o Brasil negro, discriminado racialmente, que acumula desvantagens em praticamente todas as esferas sociais, especialmente na educação e no mercado de trabalho, em função do racismo. O inequívoco racismo contra os negros já não é mais negado pela maioria da população brasileira, embora seja ainda difícil encontrar brasileiros que admitem que eles mesmos discriminam os negros, haja vista que 89% dos brasileiros concordam que a sociedade é racista e somente 10% admitem ser, eles mesmos,racistas, conforme constatou a pesquisa realizada pelo jornal Folha de S. Paulo, por meio do seu instituto de pesquisas, o Datafolha .
     ANDREWS, George Reid. O protesto político negro em São Paulo – 1888 - 1998. Estudos Afro-Asiáticos, (21): 27-48, dezembro de 1991, p. 40.