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quarta-feira, 22 de março de 2017

Comunidade Quilombola de Tapereira.




    contraste social

              
                A região do jari, vasta de uma biodiversidade inestimável, onde o social tem a sua disparidade, o rico e a miséria entra em contraste por fumaças brancas e negras, cortadas por um rio. Ao desembarcar nesse cenário fascinante em busca de um passado; ainda que distante e, totalmente fora de uma compreensão lógica de nossos ancestrais. Nossa viagem inicia no dia 30/07/11 as 5:00 da manhã João Ataíde, Rivanda Lino, Marlucio Cabral e Gabriel Penha, nos acompanhando nessa odisseia rumo ao desconhecido, o senhor Josivaldo (neguinho). 

    Rivanda Lina, Josivaldo (Neguinho), Cabral e João Ataíde.


               A proposta era de chegar a uma comunidade chamada Tapereira; que no momento não sabíamos o significado. Nossa chegada a Laranjal do Jarí foi as 13:00 de sábado,onde pernoitamos e logo pela manhã do domingo pegamos a balsa atravessamos para Monte Dourado as 6:00 ,munguba do Jari (Beiradinho), e Aterro do Mutuacá, onde iniciamos a segunda fase da viagem.
               Quando chegamos ao aterro, pegamos uma voadeira e subimos o rio Muriacá, passando por diversas comunidades ao longo da margem direita: Miriatuba, Santa Helena, Vila Nova, Comercio, enfim, o rio se divide em: Baixo, Médio e Alto Cajari, o nosso destino fica localizada no Médio.


            Passando pelo encontro dos rios que separam Jarí e Mazagão, uma emoção nunca vivenciada antes nos atinge, e a cada momento nossa angustia aumentava, pois não sabíamos o que iríamos encontrar e a outra pergunta geral - como esse povo de negros, foram se estabelecer tão longe ?, que segundo eles, o endereço inicial seria justamente Mazagao Velho.
    Imaginemos todos nós simultaneamente o quanto andaram esses pobres em busca de liberdade. Tapereira, e agora já mais embasado da oralidade dos moradores tem o significado de lugar de espera, segundo a linguagem indígena o que alias é muito fácil encontrar peças de louças descobertas pelo meio do mato, a comunidade está dentro da área extrativista do Cajari, o fato que nos chamou atenção é que o seu morador mais antigo Benedito Flexa (in memoria) filho de Alexandre Vastavares, tinha os seus 77 anos nascido no lugar, segundo ele o seu avô veio de Macacá ou Mazagão juntamente com sua avó Vicência e tiveram 10 filhos: Manoel Tavares, Elza Tavares. Claudina Tavares, Domingas Tavares, Raimundo Tavares, Manoel Tavares, Estácio Tavares, José Tavares, João Tavares, Eva Tavares, e o único que permaneceu no lugar foi o seu domingo constituindo família e o elo de toda essa história é um irmão João Tavares Flexa que trabalha em Mazagão Novo, a Reserva Extrativista do Rio Cajari é uma unidade de conservação Federal do Brasil, categorizada como reserva Extrativista e criada por Decreto Presidencial em 12 de março de 1990 numa área de 481.650 hectares no Estado do Amapá e fica a pergunta - quem chegou primeiro?.
Benedito Flexa


                    A comunidade não tinha o básico de saneamento, saúde. A educação é assistida do ensino fundamental e a maior parte dos seus moradores, em media 30,40 anos são analfabetos. Tudo o que se consome tem produção coletiva. O lugar por ter sido moradia de índios é muito fácil encontramos por suas cercanias pedaços de lousas de barros desenterrados e com toda certeza deve haver muito mais enterrados, o lugar é um enigma só. 

    comunidade de Tapereira



    A verdadeira identidade de um povo se conhece pela sua história (João Ataíde)

Manifesto de indignação contra o desrespeito e desvalorização


 
No Dia Internacional de Combate ao Racismo, movimentos lançam Manifesto de indignação contra o desrespeito e desvalorização

Hoje, Dia Internacional de Combate ao Racismo, instituído pela ONU, nós,  lideranças e representantes de movimentos e comunidades afrodescendentes do Amapá, declaramos indignação com a maneira que este segmento é tratado pelo Governo do Estado, especificamente pela Secretaria de Cultura ( Secult), que ao longo dos meses vem desrespeitando nossas tradições e história, a exemplo dos sucessivos adiamentos do evento Virada Cultural, e da falta de apoio e incentivo para nossas manifestações populares, como Ciclo do Marabaixo e Encontro dos tambores.

Na última semana tomamos conhecimento que a Virada Cultural, fruto de nossos anseios e mobilização, foi mais uma vez adiado, após a responsabilidade da realização ser transferida para a Secult. Foi garantida uma emenda no valor de R$ 1 milhão, que está disponível, porém, devido aos constantes desencontros de informações, e falta de habilidade, foi adiado, sem data para ser executado. Este evento é de grande importância para as comunidades afrodescendentes, atualmente sem espaço para fomentar a cultura e o empreendedorismo, uma vez que nossos festejos tradicionais não recebem incentivo, e quando temos recursos, no caso a emenda, somos ludibriados, e ficamos à mercê da inoperância e falta de respeito.

Os tradicionais Ciclo do Marabaixo e Encontro dos Tambores, que já foram vitrine de nossa cultura, e orgulho de todo o Amapá, não recebem mais investimentos, previstos no orçamento, e estão sujeitos a acabar, enterrando assim uma tradição secular, e marcando o Amapá como um estado sem memória e que não valoriza as tradições.

As famílias e grupos que realizam o Ciclo, mesmo com o prejuízo de 2015, que ainda está pendente, e de 2016, quando não tiveram nem a visita de representantes da Cultura estadual, encaminhou ofícios solicitando apoio ou estrutura, mas até agora, véspera do início dos festejos da Santíssima Trindade e Espírito Santo, não obteve resposta da Secult, que administra orçamento público para a cultura. Na Secretaria de Políticas para Afrodescendentes (Seafro), a justificativa é que o órgão não administra orçamento, e sim, trata de políticas públicas para os povos tradicionais de matriz africana, ou seja, apoia, elabora projetos, incentiva, mas não administra recursos e nem define investimento.

Estas atitudes comprovam o preconceito e desrespeito com que somos tratados. Não investem, e quando temos outros apoiadores, o próprio GEA inviabiliza de forma irresponsável. Não vamos nos calar, e sim nos manifestar contra este homicídio cultural de uma tradição que um dia já foi valorizada. Queremos um esclarecimento por parte dos responsáveis e a volta das nossas manifestações.


Coordenação do Ciclo do Marabaixo e Movimentos Afrodescendentes do Amapá

quinta-feira, 9 de março de 2017

Cleane Mayara da Costa Ramos, a nova revelação do Marabaixo




           


Cleane Mayara da Costa Ramos

         Nascida em 25/02/2002, filha de Marinildes Costa e Clebson Ramos, tendo como avós paternos Carlos Roberto Ramos e Maria José Miranda e, maternos Mateus R.da Costa e Joaquina Menezes, uma união das famílias mais tradicionais de Criau e Casa Grande, fecundaram a menina que já nasceu com o ritmo do marabaixo nas veia, sendo que além de cantar, Cleane ainda entoa a caixa de marabaixo, com uma acentuação peculiar que chama atenção, o compasso do toque da caixa de marabaxo são diferenciados de tocador para tocador de comunidade para comunidade, sendo que o de Cleane personifica o ritmo peculiar ao criau. 



        Cleane, hoje aos 15 anos, vem se firmando como uma verdadeira cantadeira e tocadora de marabaixo, coisa que poucas mulheres conseguem fazer: tocar e cantar ao mesmo tempo, menina de voz forte e grave, tem uma segurança e chame em suas apresentações. vale lembrar um pouco do início na vida artística, ela fez parte de vários projetos na comunidade do Criau, entre eles o projeto Afro ritmos, orquestra quilombola, banzeiro, projetos que só aperfeiçoaram a qualidade que hoje aflora de forma fenomenal. 

        Ela consegui uma base rítmica, entre o erudito e o contemporâneo, ou seja, do hip hop ao marabaixo.



    Cleiane participou do Festival Cantando Marabaixo, realizado pela Nação marabaixeira, sua participação foi bastante elogiada o que lhe rendeu convites diversos para participação em eventos e gravações de CDs. Cleane hoje é aluna do curso de Química do IFAP, divide sua rotina estudantil com o fortalecimento do grupo de marabaixo da família, que por uma questão geográfica e familiar, não residem nem no Criau e nem na casa Grande, ficaram bem no meio, entre as duas comunidades.



         E na manhã do dia 8 de março, fez uma apresentação na Assembleia legislativa de Macapá, parabéns a essa jovem, que hoje vem se tornando uma realidade na cena musical amapaense.




segunda-feira, 6 de março de 2017

COMUNIDADE QUILOMBOLA DO ROSA


 foto Joelma Menezes 
reunião comunitária

 
                 Quando pensamos em quilombos do Amapá, pensasse logo, na sua origem, como eles chegaram, Reis e Gomes (1996), afirmam que por onde houve a escravidão, houve a resistência e de varias formas, o que para muitos negros e negras do extremo norte, não foi diferente, a fuga e formação de grupos de escravos fugidos é apontada como a mais típica, no Brasil. 


              Alguns quilombos, deve-se a origem por herança das terras de seus donos, outras apropriação mesmo, nesse caso do Rosa, que segundo documento foi feito o registro junto ao INCRA no dia 29 de Novembro de 1900, foi realizada por Josino Valério de Azevedo Coutinho, a posse é datada de 22 de fevereiro de 1902, no titulo consta, as dimensões exatas da área conforme foi registrado – Roza, (escrito com Z), à margem do Rio MatapY (escrito com Y), lado Esquerdo afluente do Rio Amazonas, município de Macapá, ainda se medindo em Légua de frente e outra de fundo. Com terrenos de campos e matas. Limitando-se ao nascente pelas frente o “lago do curyahú, (exatamente escrito dessa manheira com Y e H), até o lugar chamado Cambucas; ao poente pelos fundos o Rio Matapy; ao sul o Igarapé do Rosa até o olho d’agua do estreito, ao norte o Igarapé chamado Canivete até o olho d’agua Pirão. São ao todos mais de cem anos de existência. A comum idade foi certificada pela fundação palmares no ano de 10/02/2006, desde la passa por um longo processo pela titulação; a regularização de suas terras.


Família do Rosa

             A comunidade fica na BR 156 no sentido Macapá - Oiapoque, no quilometro 25, tem como festa tradicional, Menino Deus no mês de dezembro, tem como manifestação cultural o Marabaixo, a agricultura a sua principal atividade econômica, uma capela da religião católica, sistema de água que atende toda uma vila com cerca de 30 família; todas de uma mesma genealogia.


                 A comunidade foi contemplada pelo o PNHR que construiu 20 unidades de casas, todas padronizadas, sendo que, para serem entregues, a caixa econômica esperava a contra partida de infraestrutura de água e luz, que seria a parte do governo, coisa que não foi atendida, dessa forma a comunidade se mobilizou e ela própria em forma de mutirão e, por ajuda da deputada Cristina Almeida, conseguiu a estrutura e as casa foram entregues.  


A associação quilombola, tem nas pessoas de Rogério e Joelma Menezes, a sua pauta constante a titulação de suas terras e o resguardo de sua história, coisa que vem dando certo, pois foi publicada na última quinta-feira (22) a Portaria de Reconhecimento do Quilombo do Rosa pelo INCRA, localizado no município de Macapá (AP).  A medida reconhece os 4.984 hectares do território e sua publicação no Diário Oficial da União é uma etapa importante na trajetória da titulação da comunidade.  Após a publicação, pode-se iniciar a desapropriação de possíveis proprietários que possuam imóveis rurais na região delimitada pela Portaria.


     A historia dessa mulher, se confunde com a da comunidade, pequena no tamanho e grande na atitude. 





Maria Geralda Menezes




pela minha terra eu ficaria o tempo que fosse preciso naquele buraco”

             nascida no dia 07 de setembro de 1951, natural da comunidade quilombola que foi certificada pela fundação palmares em 12/05/2006, filha de Algostino e Maria de Nazaré Menezes, foi casada com o senhor Benedito Ester; que foi assassinado pela luta da posse da terra, dessa forma criou 9 filhos. Agricultora, estudou só até 4 serie, católica e militante da causa quilombola, dona Geralda no ano de 2002, protagonizou um fato que foi determinante na união do movimento negro em Macapá, ela ficou uma semana dentro de um buraco, cavado pela ICOMI, pois la seriam depositado 384 mil toneladas de rejeito de manganês (arsênico), nesse tempo, os filhos a alimentavam e davam água, diante de uma comunicação incipiente, o fato chegou a capital e mobilizou todo um movimento e segundo ela própria disse que quando viu chegou a deputada Janete Capiberibe e a policia federal para dar apoio a causa, lembra que todo o movimento foram agredidos o que não fez o movimento se dispensar, o seu feito, fez os poderosos recuarem e ficou o buraco na comunidade como prova do acontecido.