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quarta-feira, 31 de maio de 2017

Venina Francisca da Trindade ou “Tia Veca”






 Quem foi Venina Francisca da Trindade ou “Tia Veca”, como era chamada carinhosamente por seus amigos de trabalho.

Após o falecimento de sua mãe, a senhora Benedita, o seu pai Norberto Tavares juntou-se a uma outra mulher, a qual foi responsável pela criação dos filhos – que eram seis (2 homens e 4 mulheres). Venina era caçula.

Venina e seus irmãos e seus pais eram macapaenses, residiam na rua Presidente Vargas entre Cândido Mendes e Independência. Quando foram morar com a madrasta passaram a residir no Largo dos Inocentes, por trás da Igreja São José. Depois de crescidos, já com a morte de seu pai, cada filho, digo cada irmão procurou seu rumo, constituindo suas famílias. 


A Venina se juntou com o Benedito Satu, este da Comunidade de Maruanum, deste relacionamento nasceu sua filha Maria Tavares de Araújo. Quando o relacionamento desgastou Venina retornou a Macapá com Maria Tavares ainda bebê. Aos 8 anos de idade, Maria Tavares foi morar com sua tia, que também chamava-se Maria Tavares. Foi nesse período que Venina passou a morar no bairro do Laguinho, lavando roupa pra fora, trabalhando na roça, fazendo farinha. Foi nesta época que a Venina passou a morar com um dos filhos de Julião Ramos. Neste período havia show de calouros pelos bairros da cidade uma vez por semana, uma dessas vezes Venina participou e se deu muito bem. Na casa onde ela morava nos finais de semana eram realizados bailes dançantes.


Anos depois, Venina passou a se envolver com mais intensidade com o marabaixo e o carnaval. Fez muitas amizades e através dessas amizades arranjou um emprego como auxiliar de serviços gerais, depois passou para merendeira na escola Princesa Isabel e Azevedo Costa. Anos mais tarde, ela foi requisitada para trabalhar na secretaria de educação no departamento de bolsa de estudos, mais precisamente para fazer a limpeza da sala e fazer o cafezinho e servir aos funcionários.


Venina estava cada vez mais comprometida com o marabaixo, quando chegava a época do marabaixo, ela era a única pessoa que saía com o “pires na mão” para pedir ajuda pelos órgãos públicos com o intuito de angariar recursos para adquirir fogos, carne, verduras e cachaça, etc... para a realização do marabaixo. Ela era chamada na secretaria de finanças do governo do estado para receber o valor da contribuição do governo.

Venina deixou seu companheiro e passou a morar com suas irmãs e filha. Ainda no bairro do Laguinho, elas faziam merenda para vender aos domingos e quando aconteciam eventos na Praça da Bandeira e quando havia bailes na sede do Macapá Esporte Clube. Ela fazia isso para ajudar sua irmã mais velha, pois a mesma não tinha emprego.

Resultado de imagem para venina do marabaixo

Mulher negra, forte, de fibra, resistência incomum. Era uma mulher que sabia como conquistar amizade. De uma voz sem par, tinha o dom do improviso, das rimas dos “ladrões” de marabaixo.

A primeira vez que o senador Sarney esteve no Amapá, como então presidente da república, aconteceu uma apresentação de marabaixo em que Venina jogou o ladrão “ o presidente Sarney ao Amapá chegou, veio trazer a notícia que a inflação baixou”. Quando Sarney retornou à Brasília, Sarney agradeceu em cadeia nacional os versos do marabaixo que ouviu de Venina, sendo homenageada com uma matéria jornalística no Jornal Nacional.


Mulher carismática, Venina era querida por muitos e invejada por outras. Foi uma mestra da cultura do marabaixo, batuque e do carnaval – baiana de Boêmios do Laguinho. Além disso, Venina, juntamente com outros baluartes da cultura afroamapaense como Tia Chiquinha, Sacaca, entre outros, viajou a outros estados do país para divulgar a cultura do Marabaixo.


Esse é um resumo da vida de Venina Francisca da Trindade, nascida no dia 17 de dezembro de 1923 e falecida no dia 03 de julho de 1998 com 74 anos de idade.


Texto Jorge alberto.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Escravidão e a exploração sexual de "luxo" da Mulher Negra do Brasil Colônia, e a Carta Régia de 1696 19.5.2017 Por Por Miranda

Escravidão e a exploração sexual de "luxo" da Mulher Negra do Brasil Colônia, e a Carta Régia de 1696

19.5.2017
Durante a ocorrência da escravidão, era comum a prostituição de escravas, haja vista, seus senhores a terem como objetos de seu domínio, assim sendo, não era raro que seus senhores enviassem suas escravas para que trabalhassem em prostíbulos, ruas, portos...afim de lhes trazerem mais lucro. A prostituição de negras adolescentes era patrocinada por senhores e senhoras que lhes davam autorização para vagarem pela após o toque de recolher, todas as moças eram vestidas luxuosamente. Os bilhetes de autorização, obrigavam as escravizadas a entregar da quantia em dinheiro recebido por seus serviços no dia seguinte a seus donos.

Conta-se que um determinado delegado (Dr. Tavares) pelos idos de 1871, pleiteava a libertação da escrava que provasse que era prostituída a mando dos seus senhores.

Porém, o tribunal se opôs ao delegado Tavares, dando poderes plenos aos senhores que poderiam fazer uso livre de suas meninas escravas para os fins que bem desejassem, causando surpresa em muitos.

As senhoras se aproveitavam de tal comércio e enfeitavam suas escravizadas com tudo o que havia de melhor, as melhores roupas, colares de ouro...negros e negras serviam para absolutamente tudo, inclusive prostituírem-se a mando de suas senhoras e senhores para fins lucrativos, eram principalmente meninas a partir dos 10 anos que eram oferecidas aos marinheiros que desembarcavam no Brasil, eram ingleses, franceses, europeus de todo tipo, que além de descarregar toda a sua excitação nas meninas, deixavam-nas grávidas, e/ou com as doenças e podridões do mundo, como a sífilis.
As meninas que eram expostas durante o dia, ficavam seminuas nas janelas dos seus senhores como se fossem mercadorias a mostra para serem apalpadas. 

Não se engane ao pensar que essa prática se limitava a brancas donas de bordéis, não, as senhoras tidas como damas da sociedade eram também praticantes desse mercado desumano e se beneficiavam com isso, e com muito mais afinco, já que poderiam esconder-se atrás de uma imagem "imaculada", cândida e da religião.

As sinhás enviavam "suas" meninas entre 10 e 16 anos para as ruas para que se prostituíssem, e para chamar atenção, as enchiam de jóias, sedas...o descaramento dos senhores de escravos era muito grande, até que a coroa se viu estarrecida, não pelo comércio da prostituição patrocinado por sinhôs e sinhás, no que se refere a esse mercado, eles estavam bem assegurados pela constituição de 1824, artigo 179, o espanto da coroa, era pela "ousadia" de ver negras tão bem vestidas, cobertas de ouro, prata, seda, andando pelas ruas, provocando constrangimento em senhoras casadas, pois seus maridos não negavam olhares as negras, além de deixar qualquer pessoa da sociedade sentir-se inferior diante do luxo com que as moças eram arrumadas, a ponto de deixar seus senhores e senhoras, juntamente com suas fazendas perecerem, tal era o gasto.

Diante disso a Câmara resolveu limitar os trajes dessas meninas, aí então surge a Carta Régia de 20 de fevereiro de 1696 que diz "de todo esse estado do Brasil, em nenhuma capitania dele, possam usar vestido algum de seda, nem se sirvam de cambraia ou holanda,com rendas ou sem elas, para nenhum uso também de guarnições de ouro ou de prata nos vestidos", proibindo assim, o luxo demasiado das escravizadas, de acordo com a carta, essa prática poderia servir de um mau exemplo que não poderia ser dado segmento.

O luxo foi sucumbido, mas e a exploração sexual daquelas crianças? Ah, essa prática seguiu sem nenhum tipo de incomodo por muito tempo.

FONTE: Dicionário da escravidão no Brasil

Tags: oportunidade fortalecimento cartoons

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Alonso de Illescas, o líder da primeira comunidade de negros vinda para às Américas que não foi escravizada 30.4.2017 Por Miranda

Esmeraldas é famosa por sua comunidade de negros, povo que representa apenas 5% da população equatoriana.
A história conta que, em 1553, um navio espanhol com mercadorias e africanos afundou na região. Salvaram-se 17 homens e seis mulheres, que entraram pela selva. Mais tarde, uniram-se a eles outros negros fugidos da Nicarágua e índios. Isolados do resto do país, os negros de Esmeraldas mantiveram a cultura de seus ancestrais intacta por muitos anos. A comunidade só foi descoberta dois séculos mais tarde.

Hoje, a região é urbanizada, industrializada e rodeada por refinarias de petróleo, não é das mais atraentes. É preciso se deslocar mais ao norte para encontrar aldeias muito parecidas com as africanas, como as comunidades de La Tola, Limones e San Lorenzo. Nesses locais, a influência se manifesta em construções, comidas, festas, artesanato e, principalmente, no sincretismo religioso.

Alonso de Illescas nascido por volta de 1528, na África, na região onde hoje fica o Senegal. Aos 10 anos de idade foi capturado por traficantes de pessoas e levado como escravo para a Espanha. Foi batizado registrado em Sevilha com o nome de Enrique. Mais tarde, ele passou a adotar o nome de seu mestre, o comerciante Alonso de Illescas.

Ele teve a oportunidade de aprender a linguagem dos governantes, a sua maneira de viver, observava como criavam os filhos, como faziam guerra e até mesmo entretenimento. Ele tornou-se proficiente no uso de armas e instrumentos musicais típicos das grandes famílias da época.

Aos 25 anos mais ou menos, foi trazido para a América pela família de Illescas, que conseguiu manter um tipo de empreendimento conjunto entre Sevilha e Lima. Em outubro de 1553, navegando entre Panamá e Lima, o navio mercante Alonso de Illescas, tinha grande dificuldade com suas correntes correntes e com o clima, além disso havia falta suprimentos.

Após o Cabo de San Francisco, na enseada de Portete Cove, na província de Esmeraldas, devido os ventos fortes, o barco foi empurrado para os recifes e encalhou, em terra os 17 negros e negras. Os negros fugiram para dentro da selva, os espanhóis ainda tentaram salvar algumas coisas mas tiveram pouco sucesso e dali foram-se para Portoviejo para salvar suas vidas.

Alonso de Illescas era um estrategista, ele resistia as muitas expedições militares contra os negros e índios esmeraldinos, derrotando uma após a outra, bem como os capitães espanhóis. Os capitães corriam contra o tempo para encontrar as esmeraldas, ouro, madeira e terras , na intenção de impedir que os negros aliados aos piratas ingleses causassem danos aos interesses dos espanhóis.

Alonso também era "diplomata", se por um lado ele lutava contra os espanhóis, por outro ele usava de toda sua astúcia para fazer amigos, ajudava os muitos naufrágios que chegavam nas praias a recuperar a saúde e em seguida facilitava a saída deles por Portoviejo, Quito ou Guayaquil.

Quando ele conheceu o padre Miguel Cabello de Balboa na foz do rio Atacames, construiu a primeira capela provisória na praia. Convidado por Balboa Alonso a aproximar-se dos sacramentos, Alonso acreditava que ele primeiro tinha que resgatar vidas e só depois aproximaria-se mais de Deus. Ele entendia que Deus era um Deus de liberdade, Deus da vida, que estava além dos impérios humanos e igrejas para obter a harmônia em Cristo único Reino de paz, justiça e fraternidade.

Ele foi um verdadeiro governante, nunca um subordinado. Ele rejeitou o título de governador dado pelo presidente da Corte Real, oferecido por escrito e enviado para suas mãos através do padre Miguel Cabello de Balboa.

Vale ressaltar que muitos capitães perderam todos os seus bens para conseguir o título de governador de Esmeraldas. Enquanto que Alonso que havia escapado da escravidão e que merecia a punição por lei, é permitido o perdão real e a grande oportunidade de ser governador em nome do rei.

Ele era um formador de líderes, começando com seu filho Sebastian Alonso Illescas e o neto Jerônimo. Então, eram amantes da justiça e da liberdade, mantendo o país livre do domínio espanhol.

Alonso defensor era da autonomia e da liberdade das pessoas negras e indígenas. Na verdade, embora a província de Esmeraldas tivesse sido o primeiro lugar onde os espanhóis colocaram os pés, graças à aliança entre índios e negros, os espanhóis nunca foram capazes de dominá-los totalmente.

Compilado de Afroequatorianos e Folha de São Paulo


Tags: oportunidade fortalecimento cartoons

terça-feira, 16 de maio de 2017

Há Jacaré Acanga.



                    Bairro do jacaré Acanga/laguinho, sempre quando tem um grande acontecimento, em todos os cantos a noticia corre e na maioria das vezes ela ganha uma proporção tão grande, que uma informação começa com um personagem chamado Francisco e termina se chamando Chiquinho.
É uma energia tão grande que os moradores, sempre fazem o mesmo caminho dos seus ancestrais, quando não estão no curiaú, ta no laguinho. Assim fizeram os primeiros negros na construção da fortaleza. Quer vê uma coisa! a tia chiquinha que quase todos os dias vinha lá do quilombo e ficava jogando conversa fora no bar do “tio Duca”. 

                É assim, como no inicio eu falei o laguinho é cheio desses personagens curiosos muitas dessas histórias eu presenciei outras eu escutei, assim basta você chegar e sentar no bar do Valdir e escutar.
Pois bem, vamos a esses personagens. Desde pequeno no Laguinho eu era curioso de como aqueles moradores eram diferentes, para lavar roupas, passar.

                                        Missa de minha festa de 5 anos.

            Assim lá pelos idos de 80; quando eu tinha 5 anos, eu morava onde hoje é a igreja dos Momos na avenida Ana Néri, pode parecer estranho mais com cinco anos eu aprendi que ali também era laguinho. Nessa rua da escada de minha casa eu observava a rotina das 6 da manhã, as 10 da noite sabia quem morava na rua nome por nome, por de traz das casas era cheio de mucajaseiros e muitas árvores frutíferas manga então, quem plantou eu não sei, os terrenos mediam 30X60 só na rua de casa tinham uns 5 campos de futebol.


           E falando dos mucajaseiro no tempo de boa safra nos reuníamos a colher e batíamos num pilão juntamente com um “siri”, para tirar a gordura (um tipo de grude do mucajá), era feito vinho do mucaja, mingau com arroz, e varias iguarias do gênero,
- rapaz quase ninguém tinha geladeira só que o porte que dava uma água parecia de geladeira mesmo de tão fria; um detalhe com um tempo eu não aguentava tanto mucajá, era o que nos alimentava, pois minha mãe lavava roupa para fora, quando chovia não sei se chovia mais lá fora ou dentro de casa, vivíamos em comunidade mesmo, tudo era feito em coletivo. 

Tia zefa a segunda da esquerda para direita, no casamento de sua filha Rosana.



              Tinha a tia Zefa merendeira de escola pública que morreu na labuta; que deus a tenha, ela era engraçada, tinha uma novela no rádio, assim no horário de meio dia, quando estava para começar ela gritava
– “cumadre norata vai cumeça a nuvala”, tudo assim da escada de casa. Como falei tudo no coletivo,  nesse dia foi o meu aniversario de 5 anos e advinha o prato principal da noite?

Sim mingau de mucajá.
E lembra dos personagens ?
eis que aparece o meu primeiro que não esqueço nunca. Era o “Pedro Bigodeiro”, o cara pedia para entrar numa briga, agora, diga-se de passagem, o cara era fera, eu gostava desse cara.

Mais o meu aniversario de cinco anos, os convidados, sempre os mesmo, lembro da Genézia (trabalha na casa da mãe da deputada Cristina Almeida), a tia Zefa, e muitos outros que nem precisava convidar, e no meio da festa por causa do mingau, a porrada começou justamente por causa desse mingau, o Nazaré (motorista da UNIFAP) irmão do Pedro pegou no caneco que servia

os outros canecos ele servia todo mundo e não servia o Pedro

- o cara pegou a panela, e nem era panela era uma lata de manteiga, e jogou no Nazaré – ainda tinha uma quantidade considerável de mingau, o Nasa se abaixou e adivinha quem estava atrás

- justamente era eu, pegou na minha testa eu desmaiei com a latada, foi um desespero, diga-se de passagem tinha muita gente que gostava de mim.

– a briga parou eu fui socorrido, em casa mesmo, eu lembro disso tudo até hoje, pois a única coisa que restou foi um nó na minha testa que trago até hoje. O Pedro Bigodeiro morreu num acidente perto do “Star Cluber”, ele estava porrada na frete da escola augusto dos Anjos, e um carro pegou ele, bateu a cabeça e morreu.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Garrafa de Cerâmica datada de 1850 de origem holandesa no Maracá.




    A história do estado do Amapá, cercada de mistérios, enigmas a serem decifrados, sabemos que por aqui passaram Holandeses, franceses, Portugueses, Espanhóis, muito ainda há de se pesquisar. Como andarilho perseguindo minhas curiosidades, sempre vendo um Amapá que o Amapá não conhece, encontrei a comunidade de Conceição do Igarapé do Lago do Maracá, indo pela BR – 156 Macapá/Jarí km 270 ramal do lado esquerdo, percorre adentro 17 km. Comunidade que fiz a organização do processo de auto afirmação para ser encaminhado a Fundação Palmares para o processo de certificação quilombola, o qual foi concedido no dia 24/05/2013.

    A comunidade surgiu do enlace familiar, antes era um terreno particular e, logo as famílias foram crescendo, o local guarda um enigma e muitos causos como a lenda do chapéu de couro, são católicos e festejam Nossa senhora da Conceição no mês de dezembro, seguindo de folias e samba de roda. Nessa região ficam localizados sítios arqueológicos que por falta de uma política de resguardo vem ao longo do tempo saqueado, a comunidade montou uma associação no dia 20/04/2012 foi uma ação da seafro, que tem a missão de levar até as comunidades conhecimento de políticas públicas, para assim após o levantamento apontar as demandas das secretarias afins.

    Nesse processo, encontrei uma relíquia que pode ser um documento contundente de nossa história, uma Garrafa de cerâmica datada de 1850 de origem holandesa - Amsterdam, marca VINAND fOCKING, usada no acondicionamento de gim, conhecido como Agua de Genebra. Sendo que a construção da Fortaleza de são José de Macapá entra nesse contexto conforme texto. Para suceder os redutos de 1738 (Reduto do Macapá) e de 1761 (Forte do Macapá), e dar solução definitiva à fortificação da barra norte do rio Amazonas, o Governador e Capitão-general do Estado do Grão-Pará e Maranhão, Fernando da Costa de Ataíde Teive, dirigiu-se à vila de São José do Macapá, onde, a 2 de janeiro de 1764, em companhia do Sargento-mor Engenheiro Henrique Antônio Galucio, examinou o terreno e aprovou a planta geral da nova fortaleza (SOUZA, 1885:63; GARRIDO, 1940:26-27).

    Meses mais tarde, a 29 de junho nesse mesmo ano, foi lançada a pedra fundamental da fortaleza, no ângulo do baluarte sob a invocação de São Pedro, na presença do governador, do Coronel Nuno da Cunha Ataíde Varona, comandante da Praça, do Sargento-mor Galucio, do Senado da Câmara e das demais autoridades civis e religiosas da vila (BARRETTO, 1958:56). A presença estrangeira no Amapá já se fazia notar, no inicio do século XV. Os holandeses, paralelo aos ingleses e com objetivos comuns, passaram a fazer acordos e associações junto a um trabalho mais efetivo de exploração da terra. A construção de fortificações e feitorias à margem esquerda do Amazonas, entre Jarí e Macapá, a partir de 1610, são as primeiras informações de que se tem noticias.Hoje faço nesse blog um registro de que nossa história vai mas além do que já falaram ou escreveram.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Introdução a matriz Africana do preconceito racial. Parte1

Introdução a matriz Africana do preconceito racial. Parte1

Isidro Fortunado é africano de Angola, neste contexto, o texto foi direcionado a africanos, porém, ele pode ser perfeitamente inserido a realidade da sociedade brasileira, segregacionista e com a mente cheia de estereótipos no que se refere a população negra.
Salvo alguns pontos bem peculiares das sociedade africanas, o conjunto da obra encaixa-se perfeitamente a sociedade brasileira, sem deixar de lado a polêmica da solidão da mulher negra.
Dizem que a verdade dói, portanto, quem não estiver preparado para ler e já está disposto a não entender a realidade descrita do ponto de vista de um africano ativista, por favor, não leia o texto.
Se poupe!
Nos poupe!

















 Génese do complexo de colonizado nas relações afetivas Africanas
Muito se escuta que no padrão afetivo o homem branco é mais carinhoso mais afetivo e mais romântico com a sua parceira e seus relacionamentos normalmente se arrastam até a velhice, que os brancos são mais fiéis e carinhosos, e na verdade você pode ver isso,na Europa é bem comum você ver casais de mãos dadas, namorando no parque, beijando e mostrando afeto em público, você nota até muita cumplicidade e acho isso bonito.

Já o homem Africano embora seja o detentor de robustez peniana e seja mais interativo sexualmente e registe mais casos de satisfação sexual o homem negro é visto como não sendo romântico e infiel, que esta sempre atrás de novas parceiras e usando e abusando do sexo sem nunca desenvolver fortes laços emocionais com as suas parceiras o que impede de atingir relações duradouras, em público é bem normal você ver casais separados, normalmente homem atrás mulher a frente, casais negros demonstram pouca afetividade em público e quase nunca são vistos envolvidos em ambientes romantizados, a não ser em datas especificas como o tal dia capitalista de “São Valentim” em que se celebra o quanto você pode gastar em nome do amor.
O complexo de inferioridade do homem negro se desflora, quando você vê homens negros com mulheres brancas em público, eles mostram romantismo, demonstram afetividade e cumplicidade e traços de felicidade, eles beijam demonstram carinho sem se importar do local a hora e o publico presente, mas porque isso acontece?
Mas você sabe porquê que isso acontece?

Bem deixa eu explicar para você, o homem negro devido as suas construções mentais históricas passou a ser vitima de um complexo implantado na sua mentalidade coletiva baseado nos estereótipos de beleza Europeus, a ditadura da beleza, quando o homem negro entendeu a assimilação da cultura Europeia ele foi tão bem assimilado que até herdou os gostos afetivos do seu colonizador opressor, esta atmosfera viria a ser densificada através da ditadura da beleza e a concepção de mentalização sobre superioridade da beleza da mulher Europeia sobre as demais mulheres, da mesma forma que o colono desenvolveu pela mulher negra o gosto do sexo exótico através de seus fabulosos atributos, o homem negro também passou a encarar assim a mulher negra reproduzindo o mesmo comportamento do gênero, mulher negra é boa para sexo, mais casar e ter família é com mulher branca Europeia, pois são melhores mães, dedicadas com a família, no entanto esse pensamento faz com que o homem preto negligencie um conjunto agregado de fatores que destroem a psicologia da mulher negra, o estrangulamento de sua auto estima, suprimida pelos valores da ditadura da beleza, e nesta densa atmosfera as mulheres inferiorizadas se preparam para ser mulheres alternativas e não mulheres dignas do amor do homem negro ou Europeu, as mulheres brancas foram desenvolvendo atração pelos homens negros devido a sua robustez física e seus pênis avantajados sendo que estes eram usados como objetos de prazer apenas, uns intitulados de “mandingos” devido a sua robustez física e sua espantosa resistência sexual, assim nasceram os escravos sexuais, e com o tempo os negros devido o seu complexo foram desenvolvendo admiração pelas mulheres brancas que se envolviam sexualmente e isso promovia cada vez mais afastamento de suas mulheres negras e o seu desinteresse por mulheres negras, e quando as mulheres negras se tornaram objetos de estupros consecutivos, seus homens negros não estavam aí para defende-las, a mulher negra perdeu a confiança no seu protetor, no seu guerreiro negro, e com o tempo através da violência e da agressão sexual, elas aprenderam a ser submissas e a amar seus opressores sexuais e seus estupradores, no entanto tudo viria se enraizar no DNA da sociedade colonizada quando a assimilação passou a ser prioridade e a gerar privilégios, quem melhor assimilava passava a ter mais chances de se desenvolver dentro das sociedades e o plano de fundo era a miscigenação, a criação de uma raça híbrida que estaria acima da raça negra e combateria os negros para proteger a sua descendência Europeia, a raça intermédia devido a sua origem seria sempre catapultada como raça média, e socialmente mais aceite que os negros nativos, devido e esta foi a flagrante origem das classes sociais, ela permitiria manter a força de trabalho com um estereotipo racial especifico e a proteção do topo da pirâmide social nas mãos dos negros…Mas estou quase fugindo do assunto deixa voltar!

Bem esta construção mental histórica teve grande impacto na consciência coletiva dos homens negros, sua forma de olhar a mulher negra se alterou para sempre, ele desenvolveu densos complexos psicológicos que atestavam que a mulher negra não era digna de seu afeto, e na realidade na sociedade colonizada uma mulher branca era um símbolo de prestigio para um negro, as ideias de melhoramento de raça foram engodos nos programas de miscigenação em massa, o racismo científico criou provas fraudulentas sobre a inferioridade do homem negro com as demais raças numa tentativa de manter os negros submissos historicamente, moralmente e intelectualmente, afirmando que somente o cruzamento com mulheres brancas e versa garantia o melhoramento de sua descendência arrancando-a da escuridão da imoralidade existencial.

No entanto estas são as causas da falta de romantismo do homem negro e não só, a ditadura de beleza no seu ponto mais alto de terrorismo psicológico drenou a força mental das mulheres negras e num esforço desesperado de agradar os homens negros elas começaram a recorrer a extensões capilares, uso de próteses oculares para clarear seus olhos, e clareamento epiderme de suas peles negras, mulheres negras queriam parecer Europeias e esse movimento até hoje enriquece magnatas da Indústria da Beleza que têm como principal meta manter o padrão de beleza da mulher negra subalternizado, de modos que assegurem o seu criminoso império bilionário baseado no complexo de beleza construído e edificado na consciência coletiva de milhares de mulheres negras no mundo, os homens negros não notam o esforço das suas mulheres negras e pensam se posso ter “duas mulheres Africanas que querem ser Europeias, porque não ter logo uma Europeia e acabar com isso”. É isso que falamos a baixa auto estima das mulheres faz com que elas mesmo compactuem com a sua opressão, a partir da baixa auto estima todas as formas de opressão contra a mulher negra se tornam legítimas, a globalização e seu sistema de criação de mercados de consumo continua a sua guerra silenciosa contra a beleza genuína da mulher negra.

A sexualização e objetificação da mulher negra também é uma ferramenta perigosa a ser explorada pelo mundo Eurocêntrico, a projeção e sexualização da imagem da mulher, em vídeos, em diversos meios de formação de opinião, mostra que por vezes o homem negro somente anda de mão dadas com uma mulher negra e demonstra carinho e afeto em publico se ela for alvo desejo de outros homens, ou estiver dentro do padrão de sexualização pregado pela média, pernas grossas, bunda generosa, lábios formosos, seios fartos, cintura fina etc, este padrão pregado permite não respeitar o padrão de beleza da mulher negra sem pensar somente no sexo é dessa forma que o padrão de beleza da mulher é combatido, através da objetificação e hiper sexualização da grande média.

No entanto podemos claramente ver que se trata de complexo histórico construído e alicerçado em toneladas de preconceito, o homem negro se sente confortável com mulheres brancas em público, adora mostrar afeto em público porque este movimento tem impacto direto na sua autoestima, devido as construções sociais históricas do afeto entre pessoas negras, o homem negro é romântico sim, mas devemos também saber que até o romantismo é produto da autoestima, pessoas sem autoestima não podem ser românticas, infelizmente em sociedades colonizadas ainda existe uma mentalidade densa que instiga os relacionamentos inter-raciais como privilegio racial negro, por isso até hoje os negros sofrem com esse complexo, e isto vem de cima na maior parte dos Países colonizados os negros ligados ao poder político são detentores de mulheres brancas, nos países Africanos colonizados por França, era quase obrigatório um líder Africano ter uma esposa branca, e a ideia de privilegio e subalternização racial prevalece na maior parte das sociedades Africanas colonizadas, uma arquitetura de engenharia racial bem conseguida que as atuais lideranças Africanas, não fazem questão de desconstruir mantendo esta estrutura de engenharia rácica pró-ativa.


~ Isidro Fortunato
Afrocrata/Pensador Africano/Angola
Embaixador PYA/Angola 
Introdução a matriz Africana do preconceito racia