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sábado, 29 de julho de 2017

Processo de comunicação da aldeia Marajaí, no Médio Solimões.


jovens Mayoruna.

ÍNDIO MONTANDO TRANSMISSOR

Processo de comunicação da aldeia Marajaí, no Médio Solimões.

O V Encontro do Projeto Mídia dos Povos, levou até a aldeia Marajaí no Amazonas no período de 24 a 28 de julho de 2017, integração, por meio das novas ferramentas aliadas ao radio; transformação pela comunicação, por oficineiros pertencentes a rede de comunicadores da Amazônia. Onde a tecnologia entra em sintonia com a comunicação de ancestralidade, de forma lúdica envolvendo a todos aos canais disponíveis conduzidas nas ondas do rio solimões.



O inicio do projeto na aldeia Marajaí do povo Mayoruna, foi no dia 23/07, a aproximação e acordo de convivência para que o trabalho ser produtivo durante a semana. Os conteúdos ministrados por comunicadores que desempenham trabalhos em suas regiões de origem: oficina de comunicação de ancestralidade, politica indigenista e indígena, produção, teatro, montagem e manutenção de transmissores de sistema FM, entre outras que foram acontecendo no decorrer das necessidades.

A oficina do primeiro dia o Leonardo Tello Imaina, vindo do Peru/Nauta, promoveu uma roda de conversa, onde diante da sondagem, visualizou as particularidades que existem entres os índios da aldeia Mayoruna e os Kokamas do seu país, tantos os oficineiros quanto os convidados inidigenas, expuseram como cada povo se comunicava, os Cambebas do rio Solimões, ainda é usado o ferro como comunicação – ao bater com toques diferenciados, emitem um comunicado aos seus “parentes” distantes, modo que já foi usado pelo povo Mayoruna.

Guilheme Gitahy de Figueiredo fez uma palestra : Aprendendo com as rádios livres, a era livre dos “hams” nos EUA, a palavra "rádio livre" já teve muitos significados ao longo da história. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), era usada para as rádios da resistência à ocupação nazista, Movimentos de Libertação Nacional e ficou registrado que qualquer pessoa pode se expressar numa rádio livre. Mas há um outro modo de participar: ajudar outras pessoas a terem liberdade de expressão. Isso pode ser feito convidando outras pessoas para participar de suas rádios, realizando "oficinas de rádio livre" em bairros, escolas, universidades, comunidades e aldeias, promovendo debates, lutando para mudar as leis, etc.

Após esse bate papo, relatos anotados, cada qual com suas suas necessidades, todos os oficineiros, tivereram um “norte” de como a semana seria conduzida. A representante da AMARC/Brasil, falou do funcionamento da rede e deu boas vindas aos participantes. Como num “lançamento de foguete”, a plataforma montada estava pronto ao despertar Marajaí, os jovens revindicando por conhecer o seu próprio linguajar, o mais velho acreditando nas lideranças escolhidas, enfim 72 anos de existência ganhando consistência com a força da comunicação.

No dia seguinte, foi oficina de produção e formação a cerca da politica indigenista, onde eu pude contribuir com a politica afirmativa e as leis que ampara o índio – fiz uma contextualização da história DIREITOS INDÍGENAS E DIREITO INDIGENISTA; coisas que absorvi na pós graduação de história indígena e africana, e as iniciativas do brasil colonia para extinção de um povo, tais como, os avanços no plano do discurso institucional e na legislação, novos espaços para o reconhecimento da humanidade plena indígena. Mesmo que ainda vigore um conjunto de fatores que impedem o reconhecimento de seus direitos coletivos como sociedades particulares.

Noutra sala a conceituada jornalista Dillyane Justine do Rio de janeiro passava a outra turma como se faz uma produção jornalistica, formas de textos, isso para uma comunicação escrita.
Na mesma sala dividindo o tempo a Denize viola coordenadora do mídia dos povos, mostrava a produção de um programa de Radio.

Olhando pela janela dava para ver que o Daniel Siqueira de 23 anos, professor de teatro e acadêmico do curso de história pela universidade do estado do amazonas – CEST, em Tefé-AM. Oferecia uma oficina de teatro, para ser apresentado no programa da radio xibé, foi uma radio novela que ficou maravilhosa.
olhar pela janela

Ao final dessas oficinas, os grupos que foram dividido por afinidade de conteúdo, elaboraram um programa de rádio com conteúdos que puderam absorver das oficinas, quando a radio xibé foi ao ar, com o conteúdo produzido por eles mesmos, foi uma emoção que não se pode descrever com as letras, as fotos falam por si mesmo.

O dia 26/07, marca o penúltimo dia de minha visita a Marajaí, e começamos de trás para frente, na oficina do Serginho Fonseca, índio Miranha, militante de Radio Livre, (um Dos) idealizador da Rádio xibé, Radio Voz da Ilha, mestrando em educação pela CEST, em Tefé-AM, falou do programa de como se constrói mini - transmissores FM pelos próprios convidados, - em sua fala o Serginho fez o seguinte reflexão – “a comunicação é uma ligação direta com seu ancestral, essa é a nossa comunicação... Hoje estão para receber, uma forma de comunicação com domínio do capital que nos mata… Essa ferramenta envolve muita responsabilidade: ela destrói e constrói, para quem vocês querem comunicar e para quer? de que lado vocês querem ficar? (ainda que eu tenha a resposta, só o tempo vai dizer).
OFICINA TRANSMISSORES.

A rádio xibe, já é realidade na comunidade indígena de Marajaí, nesse evento com a implementação do transmissor, as comunidades: Canario, Assunção, Marcedonia, Laranjal, Méria, Mari, Igarapé Grande, Ponta da Castanha, puderam sintonizar na frequência 107,6. “os indígenas sabem que a radiotransmissão é um monopólio do estado, mas se for esperar (…) vai levar mas tempo do que pode ser “preenchido” agora”, os mesmos buscam pelos meios legais a sua regularização. Com esse encontro, a oficina da construção e manutenção desses transmissores, esperam ampliar ainda mais a potência para que aonde chegue as ondas fiquem sabendo da existência do povo Marajaí.
Galera da FLONA.

Os agradecimentos a todos os envolvidos nesse encontro, em especial a comunicadores da rede mídias dos povos (os irmãos de verdade), e a minha eterna gratidão pelo processo de valorização que passei.

tudo que juntei de informação ao longo do tempo, eu guardei numa gaveta, pois, eu achava que ninguém queria saber do que eu pensava, eu estava verdadeiramente enganado, descobrir por meio desse projeto que em algum lugar, mas em algum lugar, vai sempre ter alguém a me escultar, dessa forma, eu informo e retorno com mais informação”.

João Ataíde, comunicador social da amazônia.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Viagem a Aldeia Marajaí



foto: arquivo pessoal
Essa viagem, marca a ultima que faço pelo projeto Mídia dos Povos, 23/07 a 30/07/17. Esse projeto financiado pela AMARC/Brasil, que tem como missão integrar os comunicadores da amazônia, entono de ferramentas que vão de rádios comunitárias a um vasto mecanismo de software livre: São índios, negros, caboclos de toda a amazônia. Eu faço minha explanação sobre a comunicação de ancestralidade desenvolvida nas áreas quilombolas, assim, como o movimento negro se locomove entorno dos marcos regulatórios e as politicas afirmativas, transformando o produto de um programa de rádio chamado de malungos.

Saí de Belém a Manaus a exatos 00:00 (meia noite), com chegada para as 1:30 (uma e meia da manhã ou madrugada) , fiquei numa pousada ate as 6:00 da manha de domingo, e juntamente com o restante do grupo do mídia dos povos – já eramos 10 comunicadores vindo de todo o Brasil e um convidado do Peru, para seguir rumo a Tefé, para enfim chegar ao nosso destino que é a aldeia indígena de Marajaí.
foto: aquivo pessoal
Em Tefé a conexão foi imediata, no porto com casas flutuantes e um pouco da desorganização, pegamos um barco (lancha) para atravessar o extenso lago; o vai e vem desse lugar é frenético, para atravessar levamos cerca de 20 minutos, para chegar a um pequeno vilarejo de Porto de Nogueira, do município de Alvarães, calmo, de vida simples que percebi: asfalto, conduções, cemitério, igreja, comercio, geleira e um quartel do exercito, todo imponente por sinal, agora de carro. Levamos mais exatos 15 minutos para saí das margens do lago Tefé para se encaminhar ate o outro lado e, assim esperar o barco que nos levou até a aldeia de Marajaí.
foto: Tirada pelo amigo Leonardo.

Todos os rios quando chega na foz, vira lago”, no porto de Alvarães são duas colorações de águas: uma barrenta do solimões e a outra clara e limpa que forma o lago, de Tefé a aldeia é um caminho vasto pela comunicação da ancestralidade.
foto Aquivo pessoal

Aldeia indígena de Marajaí, fica encravada no alto de uma escada de 60 degraus, fica localizada no Médio Solimões, entre o lago de Alvarães e rio Solimões, uma área estimada em 1.194, 346,000; o rio amazonas por essas bandas é conhecida como solimões. - “A amazônia e as micros amazônias”, interagem numa forma dinâmica envolvendo todos os agentes. os indígenas, contam que os seus ancestrais moraram nessas terras e, sua conquista foi um processo penoso que por conta da modernidade perdeu parte de sua história. - Uma nota sobre como eles chegaram por essas bandas.
foto aquivo pessoal


A população indígena encontra-se distribuída em todas as regiões brasileiras: 29% na região norte, 23% na região nordeste, 22% na sudeste, 11,5% na região sul e 14% no Centro-Oeste (Souza et al., 2006).
De acordo com o Censo 2000, a taxa bruta de mortalidade das populações indígenas foi de 2,7 óbitos por mil habitantes e a taxa bruta de natalidade de 26,4 nascidos vivos por mil habitantes. Dentre as causas de mortes entre as populações indígenas estão os homicídios e suicídios (6,5%); desnutrição e doenças infecciosas e intestinais (relacionadas à cuidados de saúde, saneamento básico, segurança alimentar) (2,6%), entre outras (Souza et al., 2006).
Grande lide tuxaua Lourival dos santos oliveira

Os Mayorunas, tiveram uma intensa briga com os Cambeba, Miranhas e ticuna; influenciada pelas forças armadas de Peru e Colômbia, para que elas se destruísse entre si; como se pode notar, uma estrategia muito usual pelo “colonizador”. Dessa forma, se estabeleceram onde estão, desde 1972, que além deles, existem por toda o Amazonas: Aripuanã, Arapaso, Baniwa, Bará,Barasana, Baré, Deni, Desana, Diahui, Jamamadi, Jarawara, Juma, Kaixana, Cambeba, Kanamanti, Kanamari, Karapanã, Katukina, Kaxarari, Kokama, korubo, Kubeo, Kulina, Kulina Pano, Maku, Marubo, Makuna, Matis, Matsé, Miranha, Miriti Tapuia, Mura, Parintintin (link), Paumari, Pirahã, Sateré-Mawé, Siriano, Tariano, Tenharim (link), Ticuna, Tsohom Djapá, Tukano, Tuyuka, Wai wai, Waimiri-Atroari, Wanano, Warekana, Witoto, Yanomami, Zuruahá.
Jovem índia Mayoruna

Os Marajaís, estão numa reconstrução cultural, germinada por todos na aldeia, na busca de sua identidade cultural, Marajaí está indo a fundo na busca e resgate de toda uma tradição. Hoje a aldeia tem: saneamento, escola pública, posto de saúde, posto da funai, radio poste que leva para toda aldeia a informação, radio de sistema FM chamada de rádio xibé. 
Radio Porte da Aldeia
 

A origem do nome, advêm das arvores de marajá encontrada em abundancia na região, então, juntaram e deu “Marajai”. Uma nota, na aldeia o representante maior é chamado de “Tuxaua”, da escolha do tuxaua – é feito uma seleção inicial de três nomes, pessoas que são lideranças, esses nomes é submetido a uma avaliação feito numa reunião coletiva e o mais votado torna-se o Tuxaua sendo o segundo mais votado o vice Tuxaua. Aqui podemos notar que em outras regiões e etnias indígenas o líder é chamado de cacique.


Inicio dos trabalhos

roda inicial de convivência 


Esse evento para os Marajaí é tão importante, que montaram uma mesa de abertura com as principais lideranças da aldeia. Abertura do evento, aconteceu na igreja da aldeia com a participação da comunidade e representantes como: tuxaua Lourival dos santos oliveira ele foi tuxaua por 42 anos.

Mesa de abertura do evento
o atual tuxaua ‘e o seu filho Genival dos santos que se encontrava numa reunião do COARI (conselho de saúde indígena), em suas palavras de bem vinda o ex tuxaua disse “eu não abraço só os parentes, abraço também os brancos que nos traz coisas boas, vocês estão vendo essa aldeia? Antes não se podia tirar fotos ou fazer imagens, mas, tirem fotos e faças imagens e levem para o mundo ver o que fazemos e vivemos aqui. - essas palavras, me mostraram o grau de sabedoria desse senhor de 78 anos, que hoje vive do cultivo da terra e repassou a responsabilidade de condução da aldeia ao seu filho Genival. O ex tuxaua ainda tem grande liderança na aldeia.

A aldeia faz as suas próprias lideranças, tanto no mundo indígena “quanto no mundo dos homens brancos”, já foram 5 representantes que foram vereadores, contando com o tuxaua maior, hoje o vereador que tem a missão de representar junto a câmara municipal de Alvarães que antes de tudo passa por um aconselhamento com o tuxaua, quem nesse momento tem essa função de representatividade é o vereador Izaias Lomas Motelo, - se ele segue os conselhos eu não sei, só sei dizer que na comunidade a organização é vista logo na chegada.
Vice tuxaua
O vice tuxaua José Amarildo do povo Mayoruna, fez um chamado ao jovem indígena, pois na ocasião, ainda vieram outros dos povos Kokama, e cambebas que são inimigos históricos onde foram tratados com cordialidade, mostrando que o fato ficou no passado, sepultado junto com seus ancestrais. “é na luta que se consegue vencer a batalha, vocês tem a missão de conduzir os nossos caminhos”, foi dessa forma que ele se dirigiu a todos, ele foi bastante atencioso com os visitantes nesse evento.
Indígena universitária da aldeia
Em aldeia de Marajaí as mulheres são muitas bonitas e cuidam muito bem dos cabelos, - se assemelham das Mundurukus, que tem uma estatura baixa, com algumas mais encopadas, os cabelos bem cuidados sedosos e; não sei dizer de que forma se dar esse tratamento. No evento, elas tiveram uma participação especial, apresentaram a dança do TAIMÃ, tradicional do lugar.
Leonardo
Na aldeia, tem uma rádio comunitária, radio porte que tem o nome “RADIO BOCA DE FERRO”, E uma pertencente ao coletivo radio Xibé, POR ESSA RAZÃO, a oficina de comunicadores da amazônia chega, para que através de oficinas possa interagir e compartilhar esse “bicho” chamado comunicação.
A primeira oficina foi dada pelo representante do Peru, o senhor Leonardo, que por 25 anos, conduz a rádio UCAMARA, com programas variados, leva a valorização indígena a todos e, de forma dinâmica e pautada em fatos, a radio fica em Malta no Peru. A oficina se estendeu por todo o dia, primeiro a explanação de fatos e causos e posteriormente foi a ora dos participantes interagirem e fazer na pratica a sua comunicação. Na roda de conversa, foram feitos vários relatos e, um dos quais chamou atenção.
juventude Mayoruna

Os jovens disseram que é preciso fazer um resgate de seus costumes, de sua língua de sua ancestralidade, que vem se perdendo, dessa forma estão fazendo algo para que isso não seja um perigo constante. Entre os mesmos jovens a presença tecnológica é presente, e dando voz a que falou o filho do tuxaua (Genival dos santos), “temos que saber dividir, o que é comunicação com a nossa cultura e a comunicação dos de fora”, nesse sentido a radio vem contribuindo, antes a comunicação utilizada pela aldeia era por um ferro, quando se tocava dava para ouvir longe, e todo mundo sabia que era para se encaminha ate a aldeia mãe para reunião e decidir assunto importante, tantos toque era a divisão da caça; não tinham relógios e para saber o horário fincavam um tesado no chão e dessa forma dividiam o tempo entre o trabalho e o descanso.
Vale ressaltar que na aldeia Patauá, ainda a é usada o ferro como comunicação, que vivem do que plantam e colhem, hoje o tuxaua resolveu juntar todos num único lugar, para que a comunicação seja eficaz, pois quando se tem alguém é picado por cobra por exemplo, hoje as etnias: Cambebas, Ticunas, kokamas, estão constituindo todos numa mesma aldeia.
Índio Cambeba

Os Cambebas são conhecidos como cabeça chatas; pois quando ao nascer, as crianças tinham uma caixa posta em sua cabeça e dessa forma ao crescer ficava num formato de uma caixa, por isso são conhecidos como cabeça chata.
As terras de Marajai foram conseguidas a partir de doação por parte da Igreja católica e nisso a igreja católica é bastante presente e respeitada na comunidade, a luta desse povo já foi muito sofrida, lutavam por essa terra pois já pertenciam aos seus ancestrais, já se vão 42 anos dessa conquista.

corredor de entrada da vila 
O Marajaí não constituem uma aldeia fechada, ao contrario, estão abertos as novas tecnologias para que elas sirvam de desenvolvimento para eles. Deu para perceber, que os indígenas de Carajaí, são carentes de informações, a cerca de sua própria existência, questão de formação politica é necessário para que se mantenha e sobre tudo, a sua própria preservação cultural.
Meu retorno,

Por joão Ataíde.

sábado, 22 de julho de 2017

Frantz Omar Fanon



Frantz Omar Fanon (Fort-de-France, Martinica, 20 de julho de 1925Bethesda, Maryland, 6 de dezembro de 1961) foi um psiquiatra, filósofo e ensaísta marxista francês da Martinica, de ascendência francesa e africana. Fortemente envolvido na luta pela independência da Argélia, foi também um influente pensador do século XX sobre os temas da descolonização e da psicopatologia da colonização.
Suas obras foram inspiradas em mais de quatro décadas de movimentos de libertação anti-coloniais. Analisou as consequências psicológicas da colonização, tanto para o colonizador quanto para o colonizado, e o processo de descolonização, considerando seus aspectos sociológicos, filosóficos e psiquiátricos.
É um dos fundadores do pensamento terceiro-mundista.
Fanon esteve na Argélia, então colônia francesa, onde trabalhou como médico psiquiatra no hospital do exército francês. Lá testemunhou as atrocidades da guerra de libertação travada pela Frente de Libertação Nacional contra a dominação colonial francesa. Diante da violência do processo colonial, Fanon se uniu à resistência argelina, participando posteriormente de maneira ativa na política africana pós-colonial.

Falo de milhões de homens em quem deliberadamente inculcaram o medo, o complexo de inferioridade, o tremor, a prostração, o desespero, o servilismo.
( Aimé Césaire, Discurso sobre o colonialismo)


No Rio de Janeiro, evento de Capoeira Angola promove debate sobre igualdade de gênero

No Rio de Janeiro, evento de Capoeira Angola promove debate sobre igualdade de gênero

 

Quais os principais desafios para uma mulher dentro da Capoeira? Como  combater o machismo que se manifesta nesta arte e luta que é Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade? Essas perguntas têm sido cada vez mais frequentes  para muitas mulheres praticantes da Capoeira que sentem também o peso da opressão social e do sexismo nos seus espaços de treino.
A necessidade de um debate mais aprofundado sobre igualdade de gênero e racismo   fez com que o grupo de Capoeira Angola Marrom e Alunos, a partir da iniciativa da Contra Mestra Tatiana Brandão,  idealizasse o evento  Saberes: Capoeira Angola, Mulher e Resistência.  
O encontro é voltado para uma perspectiva de gênero e dialoga com outros movimentos feministas de Capoeira Angola que já ocorrem na Bahia e em São Paulo. À Pulsar Brasil, a Contra Mestra Tatiana destacou que  o evento amplia o debate sobre discriminação sexual e promove o protagonismo da mulher capoeirista.
O encontro Saberes: Capoeira Angola, Mulher e Resistência começa nesta sexta-feira (21), no Rio de Janeiro  com uma aula e roda de conversa, com a fundadora do Grupo Nzinga de Capoeira Angola e uma das principais referências sobre feminismo no Brasil, Mestra Janja. No sábado e domingo as atividades serão realizadas em Petrópolis, região serrana do estado.
Ao longo dos três dias de evento, os participantes poderão também conhecer mais sobre o universo da cultura afro-brasileira com a educadora e treinel do grupo de Capoeira Angola Volta ao Mundo, Ludmila Almeida e saber mais sobre os mecanismos legais  de combate à violência contra a mulher.
As inscrições para o evento ainda estão abertas. Às vésperas do encontro, o valor para participar dos três dias de atividades é de 100 reais, incluindo alojamento e alimentação.  A organização informou que estão sendo aceitas inscrições para um dia de evento, o custo é de 60 reais.  A programação completa do Saberes: Capoeira Angola, Mulher e Resistência e os detalhes sobre como participar  estão disponíveis aqui. (pulsar)

fonte http://brasil.agenciapulsar.org


Quém Foi Ganga Zumba.


Ganga Zumba

Ganga Zumba foi o primeiro grande líder do Quilombo dos Palmares, ou Janga Angolana, na Capitania de Pernambuco, atual estado de Alagoas, Brasil. Zumba era filho da princesa Aqualtune e assumiu a posição de herdeiro do reino de Palmares e o título de Ganga Zumba. Apesar de alguns documentos portugueses lhe darem este nome e o traduzirem como "Grande Senhor", ele provavelmente não está correto. Entretanto, uma carta endereçada a ele pelo governador de Pernambuco em 1678, que se encontra hoje nos Arquivos da Universidade de Coimbra, chama-o de Ganazumba, que é a melhor tradução de Grande Lorde (em Kimbundu), e portanto o seu nome correto.
Os quilombos ou mocambos eram refúgios de escravos foragidos, principalmente de origem angolana, que se refugiavam no interior do Brasil, principalmente na região montanhosa de Pernambuco. À medida que seu número foi crescendo, eles formaram assentamentos chamados de "mocambos". Gradualmente diversos mocambos se juntaram no chamado Quilombo dos Palmares, ou Janga Angolana, sob o comando do Rei Ganga Zumba ou Ganazumba, que talvez tenha sido eleito pelos líderes dos mocambos que formavam Palmares. Ganga Zumba, que governava a maior das vilas, Cerro dos Macacos, presidia o conselho de chefes dos mocambos e era considerado o Rei de Palmares. Os outros nove assentamentos eram comandados por irmãos, filhos ou sobrinhos de Ganga Zumba. Zumbi dos Palmares era chefe de uma das comunidades e seu irmão Andalaquituche comandava outra.


Por volta dos anos de 1670 Ganga Zumba tinha um palácio, três esposas, guardas, ministros e súditos devotos no "castelo" real chamado "Macaco" em homenagem ao animal que havia sido morto no local. O complexo do castelo era formado por 1.500 casas que abrigavam sua família, guardas e oficiais que faziam parte de nobreza. Ele recebia o respeito de um Monarca e as honras de um Lorde.
Em 1677, o Quilombo foi atacado por Fernão Carrilho, que fez quarenta e sete prisioneiros, inclusive dois filhos de Ganga Zumba, Zambi e Acaiene, matou outro filho, Toculo, e feriu Ganga Zumba.
Em 1678, Ganga Zumba aceitou um tratado de paz oferecido pelo Governador Pedro de Almeida,[1][3] o qual requeria que os habitantes de Palmares se mudassem para o Vale do Cucaú.[3] Ganga Zona, irmão de Ganga Zumba, participou do acordo de paz entre o Quilombo de Palmares e o Reino Português, e mudou-se com Ganga Zumba para Cucaú.
O tratado foi desafiado por Zumbi, um dos sobrinhos de Ganga Zumba, que se revoltou contra ele. Na confusão que se seguiu Ganga Zumba foi envenenado por um seguidor de Zumbi. A resistência aos portugueses continuou com Zumbi.
fonte: /pt.wikipedia.org

sexta-feira, 21 de julho de 2017

DB Parte II (História do Breack no Amapá - Hip hop, como hoje é chamado)


 
Muito já se falou sobre os “Demônios do Break’s”, mas só quem viveu é quem pode escrever e falar. O Demônio do Break’s foi sem duvida um dos maiores grupos de break de Macapá/Amapá, pois antes vieram outros, que viveram da mesma manifestação cultural, uns pela moda do momento, outros como forma de vida mesmo; Já na década de 90 o DB foi o primeiro a passar por um processo de organização de jovens da periferia e, como forma de protesto se manifestaram através da dança; muito mais que dança; uma forma de sobrevivência. 

 
Muitos jovens da década de 80 e 90, vivendo em vulnerabilidade social, e outros de classe média e alta, buscavam visibilidade: grupos de jovens da igreja; time de futebol, basquete, handebol; as agremiações carnavalescas estavam em processo de organização e os jovens participavam por empolgação, enfim. Muitos estavam em busca de liberdade, que com toda certeza, uma geração anterior a nossa viveu de forma diferente; nem imagino como em plena repressão militar eles faziam para se divertir. Nessas décadas o Amapá passava por transformação, o território federal do Amapá daria espaço a um novo Estado, isso decidido a 5 mil quilômetros da capital Macapá, em Brasília; sempre os velhos de Brasília, decidiam a vontade de toda uma população.
Por conta do horário das tertúlias, o ponto de encontro antes da entrada era nas praças próximas, aos domingos a Praça da Zaguri ficava lotada, não tinha nada, somente as galeras ostentando e “chapando o Coco”, antes de se dirigirem ao circulo militar, trem, star. Assim, faço esse relato dos mais intensos confrontos de galeras que se tem registro no Amapá. Ate um dia em que um carro em alta velocidade atropelou e matou irmãs na beira rio, e foi um balde de água fria na galera, ainda tinha a rapaziada do “Garapé” que quando chegavam, subiam tocando o terror em todo mundo. Num dos episódios vi uma briga no circulo militar onde teve a morte de um policial, no restante as brigas aconteciam constantemente, que diga a panificadora central de frente do Amapá clube, no auge do som ideal.
A juventude se vestia com o que era ditada pela tela de TV, a ostentação ficava restrita aos grupos de classe media e alta (turma do Pro Onda e Pro Surf), carrões!Poucos tinham as bicicletas as mais variadas era o que locomovia no vai e vem da cidade.
Vale uma nota dessa tal bicicleta e a galera do garapé –
- não tinha um poder aquisitivo dos melhores, minha mãe lavadeira, fazia serviços nas casas de doméstica ate mesmo depois de conseguir um trabalho de gari, enfim não tinha como comprar uma bicicleta, só sei que ela conseguiu compra uma bicicleta monareta, e assim eu andava na cidade; a corrente caia mais que manga da mangueira.
Numa dessas idas ao centro da cidade, tirei uma de acompanhar a galera de perto de casa, quando der repente La vem a galera do garape, quando eu avistei passou tanta coisa na minha cabeça que pensei largar a bicicleta e sai correndo no entanto nessa de pensar quando eu vir os caras passaram por mim e nem ligaram dei uma respirada daquelas e nunca mais quis tirar uma dessa, ah! A galera se encontrou na praça da bandeira e pensa no “porradau” que aconteceu, vichi to fora.
Nos ginásios Arvetino Ramos e Paulo Conrado os times de basquetes faziam partidas memoráveis, entre os anos de 90 a 96, os clubes de Amapá clube, Macapá, são José e Guarany, ditavam a moda despojada dos jogadores, nas telas fervilhava a NBA e o jogador Michael Jordan, desafiava a física com suas enterradas, ai pense como todo mundo queria ser o astro. O jogador de basquete que me chamava atenção em Macapá era um moleque magrinho chamado de seco, que logo depois faria parte de um grupo de Break, mas existiam nomes como o Pitico, marquinho, Nicinho, Babito, Robson (soneca), Jacaré, Valbene, e o Filipe que chegou a jogar em são Paulo que quando de férias era presença cativa no Star clube.
Os ensaios na casa do Aminadabe.
Daquela segunda feira em diante, nossas visitas passaram a ser diárias; naquela altura muitos dos que frequentavam as festas dançavam, mas dançavam na sua e de forma retraída; nossa função foi reunir todo mundo. Numa semana de ensaios, quando chegou no domingo antes de ir para o star clube passamos na casa do Aminadab, o Demir com suas roupas extravagantes e eu muito humilde e simples – o amina olhou pra mim e já me deu um moletom da adidas, saímos da casa do amina umas 20:30; ai que fui ver qual era a de chegar naquele horário, fomos andando, ouvíamos na rua
vocês estão com malaria! Quem pagou minha entrada foi o amina. Como falei descobrir o porquê de chegar naquele horário = todos os olhares estavam em nós, inclusive os das meninas ate mesmo eu o patinho feio tinha conseguido umas fãs. Quando começamos a dançar a roda se abriu e mandamos uns passes ensaiados, foi a primeira vez que ouvir uns gritos de euforia e satisfação; nesse dia o demir deu ate uns saltos mortais. Quando saímos da roda, o amina já veio ao bando dos lisos; já conhecia uma galera da escola e logo quem “colou” foi o Marcio que muito depois passamos a chamar de Marcio 2, o Mc leleu que só se chamava de leleu, Marcio 1. Quando saímos da tertúlia, fomos comemorar na casa do amina com farofa de xaque e com uma certeza que nossa rede de breack tinha se ampliado naquele dia.
Uma nota para esclarecimento.
Eu já conhecia quem dançava breack, no entanto ninguém tinha tomado a iniciativa de juntar todo mundo e posso dizer que as coisas foram acontecendo sem planejamento.
O Mc leleu era uma espécie de Michael Jackson do Pacoval, com um visual extravagante o que o acompanha ate hoje fazia o maior sucesso aonde chegava; o Macio 1 o filho do barnabé pensava nas coreografia, pintura serigrafia o Marcio 2 o bonitinho que jogava basquete comigo na escola, chegou e se juntou ao grupo; esses nomes eu poço dizer que foi a primeira geração dos demônios do breack, que ate então não tinha um nome, pois esse só se daria quando o Amina retorna a Belém para prosseguir aos estudos. Pois bem, na segunda recorrente, já estávamos ensaiando coreografia só pra ir ao star clube pra mandar e ver a galera pagando, nas semanas seguintes a casa da dona Angelina tava lotada, tinha tanto do moleque que o pátio ficou pequeno.
Diploma de reconhecimento da câmara municipal de Macapá

Saiba quém foi Dandara


 

Dandara foi uma guerreira negra do período colonial do Brasil, esposa de Zumbi dos Palmares e com ele teve três filhos. Suicidou-se (jogou-se de uma pedreira ao abismo) depois de presa, em 6 de fevereiro de 1694, para não retornar à condição de escrava. Sua figura é envolta em grande mistério, pois quase não existem dados sobre sua vida e/ou atos. Praticamente todos os relatos que se referem a ela são esparsos e desconexos, com características de lendas.

Personalidade e habilidades

Descrita como uma heroína, Dandara dominava técnicas da capoeira e teria lutado ao lado de homens e mulheres nas muitas batalhas consequentes a ataques a Palmares, estabelecido no século XVII na Serra da Barriga, região de Alagoas, cujo acesso era dificultado pela geografia e também pela vegetação densa.
Não se sabe se Dandara nasceu no Brasil ou no continente africano, mas teria se juntado ainda menina ao grupo de negros que desafiaram o sistema colonial escravista por quase um século. Ela participava também da elaboração das estratégias de resistência do quilombo.
Além de lutar, participava de atividades cotidianas em Palmares, como a caça e a agricultura. No quilombo era praticada a policultura de alimentos como milho, mandioca, feijão, batata-doce, cana-de-açúcar e banana.
Os palmarinos conheciam a metalurgia e fabricavam utensílios para a agricultura e a guerra. Trabalhavam também com a madeira e a cerâmica. A palmeira pindoba, cuja abundância na região deu origem do nome do quilombo, era usada na fabricação de óleo, produção de bebidas, cobertura de casas feitas de madeira e tecelagem de cestos e cordas. As atividades se destinavam inicialmente à subsistência, mas os negros revolucionários chegaram a realizar comércio com vilas e engenhos da região.

Histórico

Os ataques ao Palmares teriam se tornado frequentes a partir de 1630, com a invasão holandesa. Segundo a narrativa em torno de Dandara, ela teria tido importante papel no rompimento do marido com seu antecessor, Ganga-Zumba, primeiro grande chefe do Quilombo de Palmares e tio de Zumbi. Em 1678, Ganga-Zumba assinou um tratado de paz com o governo de Pernambuco
O documento previa que as autoridades libertassem palmarinos que haviam sido feito prisioneiros em um dos confrontos. E também a liberdade dos nascidos em Palmares, além de permissão para realizar comércio. Em troca, a partir dali, os habitantes do quilombo deveriam entregar escravos fugitivos que ali buscassem abrigo. Dandara, ao lado de Zumbi, teria sido contrária ao pacto por entender que se tratava de um acordo que não previa o fim da escravidão. 

Ganga-Zumba acabou sendo morto por um dos palmarinos contrários à sua proposta[ entregar escravos fugitivos que ali buscassem abrigo. Dandara, ao lado de Zumbi, teria sido contrária ao pacto por entender que se tratava de um acordo que não previa o fim da escravidão. Ganga-Zumba acabou sendo morto por um dos palmarinos contrários à sua proposta.



 

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Nagôs, quem são eles?



Nagôs ou Anagôs era a designação dada aos negros escravizados e vendidos na antiga Costa dos Escravos e que falavam o iorubá.[16] Os iorubas, iorubanos ou iorubás são um povo do sudoeste da Nigéria, no Benim (antiga República do Daomé) e no Togo.
Historicamente, habitavam o reino de Ketu (atual Benin), na África Ocidental . Durante o século XVIII e até 1815, foram escravizados e trazidos em massa para o Brasil durante o chamado "Ciclo da Costa da Mina", ou "Ciclo de Benin e Daomé".


A nação nagô, ou a etnia yorubá, seria do âmbito das formações imaginárias – identidades ou tradições inventadas para dar conta de eventos culturais, políticos e econômicos – que neste caso, começou a tomar a configuração atual, entre os anos de 1890 e 1940 – uma identidade “criada em uma sociedade crioula da ‘Costa’, que estava em constante diálogo com as nações religiosas emergentes da diáspora afro-latina (Matory, op. cit.: 272)”. Como o candomblé e o xangô são referidos como de modelo nagô, em termos das matrizes míticas africanas (as nações), no Recife – talvez para que não reste dúvidas das diferenças entre o nagô baiano e o nagô pernambucano – o termo nagô é utilizado apenas para o xangô e para o modelo baiano a denominação utilizada é o candomblé-de-nação.

"Nagô", nome pelo qual se tornaram conhecidos, no Brasil, os africanos provenientes da Iorubalândia. Segundo R. C. Abrahams, o nome nàgó designa os Iorubás de Ipó Kiyà, localidade na província de Abeokutá, entre os quais vivem, também, alguns representantes do povo popo, do antigo Daomé. O termo proviria do fon anago, usado outrora com o significado pejorativo de "piolhento". Isso porque, segundo a tradição, os iorubás, quando chegaram à fronteira do antigo Daomé, fugindo de conflitos interétnicos, vinham famintos, esfarrapados e cheios de piolhos. Segundo W. Bascom, o nome nàgó ou nago se refere ao subgrupo iorubá Ifo-nyin. Na Jamaica, o nome nago designa o culto de origem iorubá.


Termos como "nagôs", "jejes", "angolas", "congos" e "fulas" representavam identidades étnicas criadas pelo tráfico de escravos, onde cada termo continha um leque de tribos escravizadas de cada região. "Nagô" era o nome que se dava ao iorubano ou a todo negro da Costa dos Escravos que falava ou entendia o iorubá. Migeod assinala que "nagô" é nome dado, no antigo Daomé, pelos franceses ao iorubano: do efé anagó. Acredita-se que 'nagô' seja uma corruptela do efe anago, um termo que designa os povos de língua iorubá da costa da África Ocidental.


Os portugueses construíram, em 1498, o forte São Jorge da Mina, ou Feitoria da Mina, ou Mina, no Gana, um posto estratégico na rota dos europeus ao litoral da África Ocidental, onde os cativos eram mantidos à espera de transporte para o Novo Mundo.

O tratado de paz de 1657, assinado entre a rainha Nzinga Mbandi Ngola e a Coroa Portuguesa, com mediação do papa Alexandre VII, encerrou a guerra no Reino do Kongo e o tráfico escravista europeu na região.
 
No que se refere ao Brasil, o tráfico irá paulatinamente se deslocar em direção à chamada Costa da Mina, onde se localizava o Reino do Daomé e o reino de Ardra,[20] vinculados ao império Oyo - Ioruba ou Nagô, segundo Verger, no final do século XVII e início do século XVIII. Entre os anos de 1681 a 1710 um grande número de embarcações carregadas de fumo foram para Costa da Mina e Angola.

O fumo (tabaco) da Bahia era rejeitado pelos europeus, que o achavam de má qualidade, e era destinado aos traficantes de escravos, sendo muito apreciado pelos africanos. Graças ao fumo, Salvador tornar-se-ia a capital mundial do tráfico de escravos.

Introduzidas no Brasil com a escravidão, as culturas africanas imprimiram, cada uma com suas peculiaridades e em diferentes graus, marcas profundas em quase toda a extensão da alma e do território brasileiro. E na Bahia essa presença - que se recria hoje em importantes instituições como as comunidades terreiro - é devida basicamente à cultura dos nagôs, que vinda da África Ocidental, foi entre o fim do século XVIII e o fim do século XIX, das últimas a serem escravizadas no Brasil.

Kètu, Egba, Egbado e Sabé são alguns dos segmentos nagôs que vieram para a Bahia provenientes da grande área iorubá que compreende sul e centro da atual República de Benim, ex-Daomé; parte da República do Togo: e todo sudoeste da Nigéria. E todos eles - com destaque para os Kètu - contribuíram decisivamente para e implantação da cultura nagô naquele Estado, reconstituindo suas instituições e procurando adaptá-las ao novo meio, com o máximo de fidelidade aos padrões básicos de origem, fidelidade essa em parte facilitada pelo intenso comércio que se desenvolveu entre a Bahia e a costa ocidental da África durante todo o século XIX até os primeiros anos que se seguirem à Abolição.

Para entender o predomínio da etnia yorubá-nagô na Bahia é necessário recordar que, nas últimas décadas do tráfico negreiro, um enorme contingente de escravos dessa região foi trazido para Salvador. Nesse momento, os núcleos familiares também não foram tão desmembrados como no início da escravatura, permitindo uma maior manutenção da cultura e dos costumes.

Nos dizeres de Edison Carneiro, no clássico Candomblés da Bahia: "Os nagôs logo se constituíram numa espécie de elite e não encontraram dificuldade de impor à massa escrava a sua religião". E complementa: "Quanto aos negros muçulmanos (malês), uma minoria entre as minorias, que poderiam ser êmulos (rivais) dos nagôs, pelo seu sectarismo, afastavam não só os escravos como toda a sociedade branca". A própria Mãe Aninha Obá Biyi era filha de um casal de africanos da etnia grunci, os negros Aniyó e Azambiyó, mas fora iniciada no candomblé pelos nagôs da Casa Branca do Engenho Velho. A presença de Xangô, seu orixá, solidificou ainda mais as tradições iorubás em sua trajetória.

Palavras Chaves: Cultura. Comunidades Tradicionais. Direito étnico. Ação afirmativa. 

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