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quarta-feira, 27 de setembro de 2017

João Damásio dos santos ou Velho Bacaba


foto álbum de família

João Damásio dos Santos ou Velho Bacaba em 26 de abril de 1932, nasceu no criaú/curiaú

Como já tinha falado, tenho uma gratidão por esse cidadão de pernas tortas e cara fechada, só parecia mesmo, um homem trabalhador que nos finais de semanas botava todos no caminho da roça, uns catando macaxeira no campo e outros raspando para depois torrar a farinha de cada dia.

Eu tinha os meus oito anos (8) quando o velho Bacaba passou a viver com minha mãe, ele viúvo e minha mãe a tempo sem ninguém, juntaram duas famílias e eu os tenho ate hoje como irmãos; Joaquina, Roseane e Laércio, meus irmão que íamos juntos para todo quanto era canto, enquanto as meninas na casa de forno junto com minha mãe raspavam, cortavam e faziam a comida, nesse intervalo eu o velho Bacaba, Laércio, nos embrenhávamos no mato, trepar em açaizeiros, atirar em uma caça, por volta de umas 14hs, já chegávamos com uma saca de açaí, alguns macacos ou outra caça que servia como alimento na cidade.

Durante a semana ele trabalhava como encanador da CAESA, levantava muito cedo, pois, como minha mãe trabalhava de gari, ele primeiro a levava ate a rua que ela varria e depois se dirigia ao seu lugar de trabalho; são apenas lembranças que tenho, ele tinha tantas das facetas que a que me fez ter uma grande referência como pai foi a parte da cultura.
foto álbum de família

Numa roda de batuque não tinha batia o amasso, na ladainha de São Joaquim ele tocava uma viola que ele mesmo fazia – eu cheguei a ver ele na roça pegava uma madeira que não me recordo qual era e ia moldando e quando eu vir estava feita tinha umas três penduradas pelas paredes, foi numa dessas rodas de batuque que vir : bacaba, bolão numa pegada numa bandaia que parecia não parar.

Quando minha mãe e seu bacaba se separaram eu já tinha 17 anos, isso mesmo, nos saiamos as 5 horas do bairro do pacoval de bicicleta para os campos do criau/curiau, passávamos o dia fazendo farinha, coletando o que podia vender na cidade, quando chegávamos por volta da 18hs o patio da casa já estava cheio: uns compravam a farinha, outros açaí amassado pela minha mãe, carne de caçar, o apurado na venda servia para comprar; café, açucara, feijão, dessa forma se sustentava 2 casas e em media 10 pessoas e quantos mais chegassem.


Foi o velho bacaba que me ensinou o valor que tem ser um filho que teve seu umbigo plantado na terra, nas rodas, nas ladainhas, nas roças, nas cantorias, na condução da família. Velho bacaba esse foi o pai. Faleceu em 24 de abril de 2009 (Tinha 76 anos)








Palavras chaves: Homenagem, família, pai.

#Seletivas do II festival cantando Marabaixo


foto: Maksuel Martins

O II Festival Cantando Marabaixo nesse ano tem um diferencial, estão acontecendo seletivas nas escolas públicas de Macapá a exemplo do ano passado que foi tímida, nesse ano serão mais e, elas estão recebendo um reforço de monitores de peso, como o Artur Sacaca, Marcelo Coimbra, Elísia Congo, respectivamente Laguinho e favela. Comemora a coordenação pela participação e procura das escolas públicas nesse projeto. 
foto Macksuel Martins

Nessa oficina que aconteceu nesta quarta (27) na escola General Azevedo Costa, contando com participação: Escolas Edgar Lino, Augusto dos Anjos, ambas se preparando para o II Festival Cantando Marabaixo, além dos oficineiros, estiveram o professores Dinho, Ricardo Pontes, Paulinho do Rosário; professora Mirian, entre outras ; grandes incentivadores da cultura do marabaixo. 

foto Macksuel Martins
Das 30 musicas que iram disputar, 10 virão da SELETIVA ESTUDANTIL, que acontecerá no Dia 21/10 na quadra da Escola Jesus de Nazaré as 17hs. Como é um PROJETO PILOTO, precisamos de no mínimo 12 escolas e no máximo 15, para realizar a SELETIVA.
foto Macksuel Martins

Uma boa iniciativa do movimento Nação Marabaixeira que além de deixar a todos em par de igualdade, ainda ajuda na divulgação da cultura nas escolas; resinificando o contexto.  Estão de parabéns a coordenação na pessoa de Carlos Pirú; grande incentivador das culturas populares que vem se dedicando nos últimos anos ao marabaixo de forma sistemática.

No I festival Cantando Marabaixo (2016), em sua primeira edição foram 4 finais de semanas na comunidade de curiau/criau na Maloca da Tia Chiquinha, esse ano, será realizado no centro da cidade, como trata-se de uma homenagem a grande baluarte da cultura no bairro da Favela o lugar não poderia ser outro, justamente nas instalações da escola de Samba de Maracatu da Favela na Rua Pe. Júlio M. Lombard.

Nota - Dona Gertrudes, tem na sua biografia a resistência como marca, a história registrou que ela juntamente com os “seus”, fincaram os pés e só saíram de frente da cidade, por conta da imposição do então governador Janary Nunes, fato que segue como os projetos de higienização do pós Brasil colonia, ao qual chamo de segregação racial, dessa forma, subiram as ladeiras e estabeleceram moradas no hoje bairro de Santa Rita.

O festival acontecerá em quatro finais de semanas, onde as escolas participantes das seletivas, estarão mostrando suas composições e conhecimento da arte do marabaixo, como essa seletiva acontecida na manhã de hoje (27) na Escola General Azevedo Costa, ainda terão outras antes de inicio do II Festival Cantando Marabaixo.

O II Festival vai acontecer 03, 04 e 05 de novembro 2017, com uma grande final que será realizado na quadra da escola de samba Maracatu da Favela, com a presentação das musicas selecionadas. Os ganhadores dividirá uma premiação no valor de 6 mil reais:  1º leva três mil, 2º dois mil e o 3º mil reais e troféu, ainda terá apresentação das bandas Afro – Brasil e Afro ritmos.

O espaço será como a feira preta para quem já viu, vendas, exposições, desfiles, tudo vai ter nesse dia. uma proposta bastante significante para uma cultura em constante movimento.

Palavras chaves: Festival cantando marabaixo, Amapá, Macapá, Brasil.

domingo, 24 de setembro de 2017

Vamos se mobilizar pelos direitos quilombolas



Eu sei que hoje é domingo e a maioria esta em casa assistindo televisão ou na cama com seus familiares, no entanto, tem algo que me preocupa e, sei que preocupa a muitas outras pessoas como eu envolvida nessas questões, leiam e alerto que temos que nos mobilizar. O texto trata-se de um ajuntado de coisas escritas por outras pessoas que fazem de tudo para não mostrar a real gravidade da situação, leiam e vamos nos mobilizar.

O Supremo Tribunal Federal (STF) julgará a ADI nº 3239 a qualquer momento e é preciso o voto de seis ministros a favor da manutenção do Decreto nº 4887/2003 para que essas conquistas não se desmanchem, vamos se mobilizar, entenda o que é esse decreto.

O Decreto nº 4887/2003, erguido após profunda discussão com a sociedade civil, é conhecido por regulamentar o procedimento, de competência atribuída ao INCRA, para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas pelas comunidades remanescentes de quilombo. Contudo, além disso e dentre outras coisas, esse Decreto é responsável pela existência quilombola.

Está sendo analisada pelo Supremo Tribunal Federal a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) nº 3.239 de 2004, apresentada pelo DEM, que pede a revogação do Decreto 4.887/2003 por considerarem que só deveriam ser tituladas terras que já estivessem em posse de indígenas e quilombolas na época da Constituição de 1988.

Portanto, a ação pelo, então, Partido da Frente Liberal (PFL), atual Democratas (DEM), na petição inicial da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 3239, de que o Decreto nº 4887/2003 reconhece o direito à propriedade das terras a quem apenas se autoidentificar como remanescente das comunidades dos quilombos e que a demarcação dessas terras se dá por mera indicação dos interessados, sem considerar critérios histórico-antropológicos. Essa informação é extremamente equivocada e quem a faz só pode fazer por duas razões: desinformação completa ou má fé. (veja ai a figura do afro conveniente que mais atrapalha que ajuda).

Quilombolas do Brasil uni-vos.

sábado, 23 de setembro de 2017

Quer saber da minha vida ? pergunta pra mim



Eu não nasci no curiau/criau, mas a minha infância foi andando por entre caminhos que cortava o quilombo. Nas margens ficavam casas de buriti, arvores de mucajá e alguns campos de futebol, passei muitas vezes por cima de dois "mata-burros" (talvez a maioria nem sabe o que é isso), andando nos caminhos das roças. 
nota - Mata-burros são dispositivos que impedem a fuga do gado em propriedades rurais, mesmo quando a porteira está aberta. Mata-burros são estrados que funcionam como pontes, normalmente de madeira, concreto ou aço. no criau tinha quando a estrada era de chão batido, fonte (https://pt.wikipedia.org/wiki/Mata-burro)
Dessa forma eu mesmo só na observação conheci muita gente que já não estão entre nós, agora um fato engraçado me aconteceu, mesmo que tenha nascido na cidade filho de um legitimo curiauense, minha irmã vai casar com um RAMOS, meu pai Nascimento da Silva, viveu e plantou o seu umbigo no quintal da casa de velha Tiofa (minha vô).

Meu pai, velho Quinino como era conhecido, venceu na cidade no entanto, viveu com minha mãe apenas 5 anos, dessa forma, considero como pai. É agradeço por ele da parte do seu sangue que corre em minhas veias. Lembra que falei que mesmo que quisesse não tinha como fugir dessa raiz? Poise, apareceu na minha vida o velho João Bacaba, velho que fazia de tudo um pouco; plantava roça, caçar, agora o fato que me faz o ter como referência, foi as rodas de batuques, ele tocava amasso, macaquito e como folião de são Joaquim, tocava uma viola que ele mesmo fazia cortada no tesado.

Imagina eu tive o privilegio de ver uma roda de batuque que tinha; velho bacaba, Bolão e um conhecido como Roberto Carlos do curiau, além de tocar pandeiro, amasso, macaquito ainda cantava como ninguém...vale uma nota minha – essas coisa estão vindo como flex na minha cabeça, pois quando vivi isso eu não sabia o valor – hoje eu tenho.

Então, aos poucos fui tomando conta de minha identidade, minhas raízes, coisa que muitos não tem o privilegio que tive, do lado de minha mãe vou e descubro que minha mãe é filha de José Domingos, homem que foi muito respeitado na comunidade quilombola de Ambêr, de la para cá ando em busca dessa identidade não só minha como as dos outros, por isso escreve e vivo intensamente na busca e pesquiso sobre esse (meu) povo.

Esse sou eu, João Ataíde.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Terreiros de todo Brasil se unem entorno do resguardo de sua ancetralidade


Um sentimento de descaso foi o que norteou a roda de conversa desta quarta-feira (20), no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com a religião de matriz africana de Macapá. 

O encontro aconteceu por um chamamento do órgão, que mediante pedido dos terreiros tombados da Bahia, resolveram fazer uma mobilização Nacional, para que medidas sejam tomadas contra todas as formas de intolerâncias que a religião vem sofrendo: casas sendo destruídas, pais de santos sendo assassinados e uma ação que transita no STF, que criminaliza o sacrifício de animais nos terreiros, onde o desembargador Araken de Assis, relator da ação do TJ-RS, considerou que a garantia da liberdade religiosa e de culto impede a incidência do artigo 32 da Lei 9.605/98 ou do artigo 64 da Lei de Contravenções Penais, que criminalizam os maus-tratos contra animais. Dessa forma, o Iphan faz a articulação para que no dia 26 de setembro o segmento faça uma vídeoconferência nacional para que sejam tomadas as medidas.

Algumas casas compareceram e entre elas, a deputada Cristina Almeida, que sofre diariamente com a intolerância, disse que não pode negar as suas origens, e dessa forma se colocou à disposição do movimento dos terreiros na busca de conscientização.
 

Engana-se quem acha que o Amapá é uma exceção dos consecutivos abusos cometidos no resto do Brasil, pois um relato da casa do Pai Júnior no Distrito do Coração, comoveu a todos. A mãe de santo Josilana, juntamente com seus irmãos, relataram que a casa existe há 20 anos, e que há uns 3 anos vem sofrendo com assaltos, saques e vandalismo de toda ordem, Em uma das vezes, o babalorixá Júnior foi torturado e quase perde a vida com tiro.

Nesse momento de emoção e comoção os relatos seguiram: “Nosso pai é forte e guiado pela fé, não sei como ele ainda resiste, os ladrões levam até fiação elétrica, material de construção, temos que andar com o nosso sagrado nas mãos” ressaltou Josilana.
 
Isso não se trata de um fato isolado, como esses, acontecem todos os dias em Macapá. Hoje existe uma delegacia de crime especializado, entretanto, mesmo que faça denúncia não toma as medidas cabíveis.
Então fica o convite para o dia 26, no Iphan, para uma videoconferência com o resto do brasil para fatos como esse não seja um fato isolado.

Palavra chave: Casas de terreiros de Macapá, Mobilização nacional, IPHAN

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Tem ruído na comunicação entre o movimento negro



De início o colonizador tentou ignorar a existência dos quilombos, e vale aquela velha questão batida desde Abdias Nascimento até Laura Oliveira: “Por onde passou a escravidão existiu a resistência”. Agora cabe-nos ter a sensatez de visualizar como essa resistência se deu; pois é sabido que os quilombos ficavam longe do alcance, nos lugares mais inóspitos e inimagináveis.

Enquanto o colonizador desqualificava chamando de terras de pretos já se desenvolvia uma formação social, onde se tratava de uma "república" que assustava o poder escravocrata; mocambos, canhambolas, ate se chegar a quilombo foi um longo caminho.

Plantavam, criavam, isso tudo numa pequena quantidade de terras, la não se morria por doenças que na cidade dizimava, pois o negro enterrava a fezes, enquanto que na cidade do homem colonizador quem coletava as fezes e jogava no mar era os negros que se aproveitava para passar por entre as senzalas e sempre tinha algo a dizer, quando o capitão do mato o via, ainda dizia – “olha esse negro que até para juntar merda canta e dança!”- 
percebe-se nesse ato que ignorava o negro e esse se valia de todo momento para comunicar.

Laura Oliveira em seu livro - Quilombo Identidade e história, descreve uma forma de resistência baseada na solidariedade horizontal entre os escravizados negros livres e quilombolas. Os laços culturais os identificava, tanto dentro da senzala quanto nas ruas: jejes, nagôs, benguelas, nesse sentido o estado colonial supõe aniquilar a cultura africana e ela sobrevive nos mesmos moldes.

Nas rodas de terreiros se cantava musicas parecidas com prantos e dor e o colonizador dizia – “deixa essas pobres criaturas chorarem”. Nessas rodas frequentavam: os de ganhos, os que juntavam merda, os que treinavam a dança, os capoeiras; vale uma lembrança – o canto e a dança, foi uma iniciativa do próprio colonizador, isso ajudava a desentorpecer a dor do banzo; então, essas festas ou roda de tambor eram permitidas, contanto sempre vigiadas, acontece que nos cantos e danças o povo negro se comunicava.


Como se sabe os quilombos foram se constituindo nas margem e longe da cidade, muitos distantes um dos outros em sua grande maioria nômades. - lembra das figuras: negro de ganhos, capoeiras, tigres (os que juntavam merda, "tigres” e os seus condutores, de “tigreiros”)  "Quando o tonel já estava quase transbordando, recorria-se ao “préstimo” do escravo! Era sobre as cabeças deles que o peso das barricas era conduzido para ser despejado na “beira” das marés. Em seguida, os carregadores retornavam com os recipientes vazios para receber nova carga" as rodas dos terreiros, a ama de leite, os negros alforriados, os mulatos, os morenos, os pretos, os negros? Poise, quando transitavam, entre eles se estabelecia uma comunicação. 
negro tigre

Por conta dessa comunicação os quilombos foram levados a serio, metendo medo na estrutura escravista, isso mesmo, quando se deram conta dessa esperteza dos negros, passaram a combater e considerar a existência dos quilombos; não tenho nesse texto uma ordem cronológica e detalhe do que descrevo, o que me dói é chegar numa casa de terreiro e ver a imagem de Santo Antônio, a maioria ou grande parte não sabe que ele foi um capitão do mato, esse eu conto noutro momento.

Quando me refiro a ruídos na comunicação do movimento é porque nos dias de hoje, o movimento negro ignora a forma de comunicação deixada pelos ancestrais. Permanece o que já falei antes: "o colonizador jogou etnias diferentes no mesmo lugar para que esses, não se entendessem e esses ancestrais se comunicaram visualizando que a união seria a única saída para liberdade.

O ruido está justamente nesse sentido, pois ainda há entre nós do movimento negros os que desconsideram a luta do outro, fica parecendo que estamos ainda a serviço de um colonizador, crucificamos e detonamos aquele irmão de cor que se destaca, a caso ainda não visualizaram que a acessão de um é a acessão de todos?

Então vamos tirar o ruído de nossa comunicação; o não gostar da pessoa é plenamente aceitável, agora a luta é de todos nós “negros”. 

"Quando um cai, cai todos nós".

Palavras chaves: identidade, comunicação, quilombola, Amapá.

Dados bibliográfico, Souza, Laura Oliveira Carneiro de; Quilombos: identidade e historia, 1 ed – Rio de Janeiro: nova Fronteira, 2012.

II FESTIVAL CANTANDO MARABAIXO




Vem ai o II Festival Cantando Marabaixo desse ano é uma homenagem a grande baluarte da cultura do marabaixo no bairro da favela Dona Gertrudes Saturnino, uma realização do movimento Nação Marabaixeira, ressignificar é preciso, para Carlos Pirú, isso é muito mais que um festival é a estrategia de massificação coletiva de um segmento, e poder contar a história de uma grande mulher que bateu o pé, batendo de frente com os desmando do primeiro governador do então território, foi de uma grandeza que a sociedade vai conhecer. O festival na sua primeira edição foi no quilombo do criaú, hoje vamos trazer para o centro, para uma maior participação.

O entusiamos é o que caracteriza esse segundo festival, pois além das personagens tarimbadas, esse ano contará com seletivas nas escolas, muito boa a participação das escolas, pois a ideias está sendo motivacional entre os alunos e professores que trabalham a lei 10.639, foi o que ressaltou Carlos Pirú.

Alunos da escola GM que participaram da primeira edição e já confirmaram presença

Das 30 musicas que iram disputar, 10 virão da SELETIVA ESTUDANTIL, que acontecerá no Dia 21/10 na quadra da Escola Jesus de Nazaré as 17hs. Como é um PROJETO PILOTO, precisamos de no mínimo 12 escolas e no máximo 15, para realizar a SELETIVA.

Na segunda feira, dia 01/09 e vão de 11/09 a 13/10 , iniciaram as INSCRIÇÕES para o II FESTIVAL CANTANDO MARABAIXO, na SEAFRO, Rua General Rondon, Perto do INSS, Entrada do Bairro do Laguinho, As inscrições vão de 11/09 a 13/10.

Entre os que confirmaram a participação estão escolas de toda a cidade e da zona rural de Macapá: AZEVEDO COSTA, JESUS DE NAZARÉ, EDGAR LINO, AUGUSTO DO ANJOS, RIVANDA NAZARÉ, JOSÉ BONIFÁCIO (quilombo do Criaú), SEBASTIANA LENIR, ESCOLA DO PACUI, Antônio Pontes (ex GM) , Lauro Chaves e sem duvida os números vão superar a expectativa.

O festival vai acontecer 03, 04 e 05 de novembro uma grande final do festival, será realizado na quadra da escola de samba Maracatu da Favela, com a presentação das musicas e também a participação, uma premiação no valor de 6 mil reais- 1 leva três mil, 2 dois mil e o terceiro mil reais mais troféus e, ainda terá apresentação das bandas Afro – Brasil e Afro ritmos. O espaço será como a feira preta para quem já viu, vendas, exposições, desfiles, tudo vai ter nesse dia.

palavras chaves: Festival cantando marabaixo, Amapá, Macapá, Brasil.

O CD de marabaixo ta prontinho





Somente quando a tradição se reinventa ela pode perdurar e a memória tem um papel fundamental nesse processo de reafirmação identitária (Hbsbawm), isso mesmo instintivamente é realizado diariamente na cultura do marabaixo do extremo Norte, as saias floridas, as indumentarias com produção impecáveis, a apresentação do grupo é sempre marcante,  isso se deve a grande irreverencia do Professor Athur Mendes, o primeiro a introduzir violão, baixo, e outros instrumentos na musicalidade do marabaixo, o grupo da Campina Grande ele juntamente com a sua esposa Cristina Almeida, iniciaram um grupo de marabaixo que de forma impecável se apresentavam, juntando todos os elementos do marabaixo já numa forma aperfeiçoada, e vale fazer esse registro que a Deputada Cristina Almeida é a grande incentivadora da gravação desse CD .

Quanto ao canto (ladrões do marabaixo), tem os artistas com características próprias: Naira Sena – o canto tradicional na sua pura essência; toda vez que a esculto lembro de quando moleque via naquelas rodas da Macapá antiga, uma legitima representante do marabaixo laguinense.

Valdinete a legitima representante do marabaixo da favela, Danny Pancadão do Igarapé do Lago, Gunga de Mazagão, Ronaldo da campina Grande, entre outros fizeram bonito. Fábio Sacaca, Alan, Wendell, Cris Pereira (uma revelação do Ambêr), esses personificam todas a reafirmações dessa cultura. 

E através do empenho de Carlos Pirú, Nonato Soledade e Élvis, concluíram depois de quase um mês a gravação do segundo CD de Marabaixo Tradicional que juntou todas essas feras entre outras que estarão lançando no MARABAISHOW /no EQUINÓCIO da primavera nessa SEXTA NO MARCO ZERO do EQUADOR dia (22/09), que segundo o organizador será muito mais do que lançamento, pois estará fazendo pano de fundo  Comidas Tipicas e Gengibirra inicio as 18hs.

Um Cd cheio de significado, novas músicas (ladrões do marabaixo), novas vozes, e o encarte da capa feita por um legitimo artista plástico quilombola o Rosinaldo M. Silva Silva, uma iniciativa louvável na manutenção dessa manifestação. Vale apena conferir esse trabalho as próprias musicas falam por si só.

Palavra chaves: marabaixo, cultura, Amapá, norte, musica, ancestralidade.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

#cotasemfoco



A Ordem dos Advogados do Brasil - Secção Amapá, através da Comissão Especial de Igualdade Racial-OAB/AP, realizou nesta segunda feira (11), o II Fórum de Diálogos da Política de Igualdade Racial: #cotasemfoco, onde o ponto principal foi a reserva de vagas para negros em concurso público (cotas), que não vem sendo respeitada pelo governo do estado do Amapá, vale ressaltar, que trata-se de um direito constitucional (segundo entendimento do STF).

Uma mesa de debate onde estiveram: Alzira Nogueira (representante do MPF), o presidente da OAB Paulo Campelo - fazendo a abertura oficial do evento, Dr. Aluízo da Silva de Carvalho (comissão igualdade racial OAB/AP), Maykon Magalhães (Improir), Eduardo Tavares (como representante do governo do estado subdefensor-geral do Estado do Amapá),e a representante da propositora da lei deputada Cristina Almeida (a senhora Neucirene Almeida), que reserva 20% vagas a negros (cotas) a concursos públicos no estado do Amapá.

Diante da participação do movimento negro, o debate aconteceu apontando encaminhamentos, para que a OAB faça a mediação do conflito entre as partes. Na abertura o presidente Campelo, estranhou a ausência da representante da seafro (secretaria extraodinaria de politicas publicas para o afro descendente) que não mandou justificativa. O mesmo ressaltou - “A OAB esta sempre pronta a contribuir para mediar o debate, afim de um entendimento coletivo”.


Palavras-chave. Negros; Identidade; Ações afirmativas; Sistema de cotas; Amapá.

sábado, 9 de setembro de 2017

3ª torneio de futebol SUPERMASTER 2017



Uma “constelação” de craques do passado desfilaram no palco sagrado do futebol nesse sábado 09/09, o Gigantão da Favela/AP, para reviver, num encontro memorável de estrelas que fizeram nas décadas de 60,70, 80 o futebol amapaense, sendo uma grande vitrine para o senário nacional, revelando jogadores como: Bira, Aldo, Jorginho Macapá, Zezinho Macapá entre outros do mesmo quilate.
Nota: " O Estádio Municipal Glicério de Souza Marques, também conhecido como Glicerão é um estádio de futebol da cidade de Macapá, estado do Amapá, pertence à prefeitura municipal. Chamado inicialmente de Estádio Municipal de Macapá, o estádio sofreu uma alteração no nome para homenagear o primeiro presidente da Federação de Desportos do Amapá, Glicério de Souza Marques".

Teve  início nesse sábado a abertura do 3ª torneio de futebol  SUPERMASTER, competição que só pode participar os cinquentões (50), aquele que tem ainda o toque refinado no trato da bola, na abertura com direito a hasteamento do pavilhão nacional, desfile dos 12 times participantes, torcida na arquibancada e sobre tudo o reencontro desses que foram e ainda são a referencia do futebol no Amapá, o anfitrião não poderia ser outro, o inigualável Umberto Morrera ,que chegou a se emocionar ao rever craques que narrou gols a vida inteira como locutor esportivo.

O campeonato é uma realização da EXCRETE (Associação dos Ex jogadores do Amapá), como você ver, a sigla não tem nada a ver com enunciado, acontece que como todos chamam EXCRETE, ficou dessa forma mesma, ela nasceu com o objetivo de ajudar os ex jogadores com dificuldades financeiras e segundo o presidente Germano Tiago, nossa missão vai além da linha do campo, muitos não conseguiram e os que tem compartilham com os outros amigos muitas vezes doentes, temos como associados mais de 300 ex jogadores, dessa forma com mensalidade de 10 a 20 reais, transformamos em cestas básicas entre outras coisas como remédio.
Presidente Thiago

O campeonato teve o seu inicio com a participação de amantes do futebol e familiares, o campeonato vai ate o final de dezembro quando vai se saber o campeão que já adianto ser todos pelo grande confraternização e amor ao próximo. Ao todos serão 12 equipes participantes, entre elas: São José, Amapá Clube, Macapá Esporte clube, Santana Esporte clube, CEA Clube, Independente Esporte clube, Guarany Esporte Clube, MV13, Trem Desportivo Clube. Esses craques se reuniram por uma grande causa, parabéns EXCRETE.
Craques de bola das antigas
 

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Meu repÚdio a secretaria de Educação de Santana




A falta de conhecimento da secretaria de educação de Santana/AP,assim como dos seus gestores, demonstrar que as politicas afirmativas, ainda não chegaram para todos, certo que 300 anos de história não se pode esquecer, no entanto podemos reescrever por outras óticas, quanto a expressão ESCRAVOS, certamente não soam bem aos ouvidos de 75 % da população amapaense que representa a grande parte cultural do estado do Amapá. NEGROS SIM, QUE FORAM escravizados e foram arrancados do ceio ancestral onde eram RAINHAS E REIS.
Neste sentido, considera-se importante, promover espaços de análise e reflexões sobre este tema, na perspectiva de desenvolver estratégias pedagógicas de práticas anti-racistas com a contribuição da Lei n.° 10.639 de 09 de janeiro de 2003, que define a inclusão pelas escolas nos seus currículos de conteúdos de História da áfrica e Cultura Afro-Brasileira.

A INFELICIDADE DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO MUNICÍPIO DE SANTANA/AP, mostra que nada disso tá sendo levado em conta, pois a chamada a população para o seu desfile cívico presta um desserviço na implementação da cosmovisão coletiva do anti-racismo, tal proposição pode ser considerada como uma (IN) possibilidade de avanços no âmbito educacional e cultural e, portanto, uma (IN) possibilidade, também, de mudanças em práticas sociais humana, e reconhecimento que os negros proporcionaram à formação do povo brasileiro.

FICA AQUI O REPÚDIO DO BLOG QUANTO A DESINFORMAÇÃO DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO MUNICÍPIO DE SANTANA/AP PELA FALTA DE CONHECIMENTO.

Palavras-chave: Lei n.º 10639/03; Educação; Cultura afro–brasileira; Auto estima; História da África, Santana/AP.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Terras quilombolas um direito constitucional




Ora, como não são as coisas, se a posse da terra não fosse bom, por qual motivo tentam desencorajar comunidades a não ser auto reconhecerem como quilombolas? Isso mesmo, as comunidades estão sendo aliciadas a não se auto reconhecer, vale apenas algumas questões a serem revistas para que esse ato constitucional seja uma realidade.

Comunidades quilombolas são grupos com trajetória histórica própria, cuja origem se refere a diferentes situações, a exemplo de doações de terras realizadas a partir da desagregação de monoculturas; compra de terras pelos próprios sujeitos, com o fim do sistema escravista; terras obtidas em troca da prestação de serviços; ou áreas ocupadas no processo de resistência ao sistema escravista. Em todos os casos, o território é a base da reprodução física, social, econômica e cultural da coletividade. Dessa forma, veja algumas politicas que estão a disposição das comunidades.

O Programa Brasil Quilombola, criado em 2005 e coordenado pela Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial - Seppir - em ação conjunta com os organismos federais vinculados ao Decreto n° 4.887/2003, “estabelece uma metodologia pautada em um conjunto de ações que possibilitem o desenvolvimento sustentável dos quilombolas em consonância com suas especialidades históricas e contemporâneas, garantindo direitos à titulação e a permanência na terra.

Tem como proposta essencial o enfrentamento das diferenças para que se valorizem as diversidades dos povos negros no tocante às dimensões do ecossistema, do gênero, da regulamentação fundiária, da saúde, da educação, dentre outros. 
 
O Brasil Quilombola ainda assegura acesso à alimentação, melhoria das condições socioeconômicas, benefícios sociais e educacionais, incentivo à cultura, bem estar comunitário, fatores relacionados ao processo de sucessão, ao esporte, amparo político, dentre outros. Seus pilares são fundamentados, a exemplo da PNATER, em princípios agroecológicos, estabelecendo que os quilombolas sejam posicionados como protagonistas em todo o processo de decisão, fortalecendo-se, desta forma, a identidade cultural e política.

Nos meus anos dedicados a este tema, percebi que a informação chega desencontrada nas comunidades, e muito dos técnicos envolvidos no processo, não fazem os arranjos institucionais para o acompanhamento dessas politicas e na viabilidade delas, nesse ponto que afirmo – a comunicação adequada é fundamental para que os direitos sejam segurados.
Fiz esse breve artigo para dar visibilidade no que vem acontecendo, em especial na comunidade de Conceição do lago do Maracá, onde numa reunião, um técnico do Incra disse que não sabe aonde está o ganho em se tornar quilombola? Quais interesses estão por trás dessa indagação? - Vamos emancipar nossas comunidades dos afros convenientes, saibam que a história nos mostra que a liberdade é bem melhor que a escravidão.

Palavras-chave: comunidades quilombolas; direito à terra; Amapá.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Marcelina Eugenia do Rosário a curandeira do criaú/curiaú


foto extraída do banner familiar.


Senhora franzina de voz rouca e baixa, cabeça de cabelos curtos encaracolados - Inteiramente brancos; brancos como o algodão. Quando caminhava suas pernas tortas dos pés enrolados para o lado de dentro, foi assim que eu a conheci, parece que o tempo tinha esquecido dela só percebia a velhice por conta das marcas do tempo no seu corpo. Ao contrario das pessoas que tenho como referência, ela não cantava, não tocava tambor, não, nada disso o seu dom era outro. A curandeira do criaú/curiaú, Amapá Brasil.

Bem moleque, meu padastro me levava na casa dela - na ocasião tinha tirado o meu dedão do pé jogando bola. No seu jeitinho, com um vidro de azeite de andiroba nas mãos, lavem ela, que de frágil não tinha nada. Pegou o meu dedo com uma força tão grande que se não fosse estar fora do lugar, tinha saído correndo de lá, assim sem muitas palavras pôs as mãos no dedo e com uma delicadeza quase nem sentir quando já estava no lugar.

Dona marcelina não só colocava as coisa no lugar, como também benzia e fazia parto, não tenho ideia de quantos dos filhos do “criau” ela apanhou? essas senhoras chamamos de benzedeiras, pois de tudo sábia um pouco. Passava o dia sentada na escada de sua casa acompanhando o crescimento da vila, uma casinha simples localizada na principal estrada, lado direito de quem chega na rodovia de acesso ao quilombo do criau/curiau; aos poucos seus filhos, ela teve quatro (4) a construíram de madeira só que de inicio era de buriti mesmo, se comunicava com as pessoas pelo olhar, de poucas palavras, raro o dia que se metia a prosear, sempre com um cachimbo na boca, olhava e via por entre a fumaça, os olhos meios que fechados e umas coisas que só ela via, sempre com uns gestos como se estivesse falando com os seres do mundo dela. Essas vozes a guiavam para a cura.

Tinha o dom da sabedoria, sobrenatural, mexia com as evas e através do poder medicinal de cada uma, faleceu em 2014 com mais de 100 anos, na mesma casa, onde passou a vida ajudando aos outros pelo dom que Deus lhe deu.

Palavras-chave: Marcelina Eugenia do Rosário, Práticas de Cura-Memória-História, curiau, Amapá.

domingo, 3 de setembro de 2017

Panta o campeão brasileiro de boxe



Naquele dia a escola Deusolina Salles Farias parou para receber o seu campeão ilustre, tratava-se de José Ribamar ou simplesmente Panta (Cabeção) nascido em 21 /07 /1969, isso mesmo, campeão brasileiro de boxe.

Filho de um policial militar (Panta leão Arcelino da Silva); que faleceu e não pode ver o feito do filho e, dona Maria Dulcirene de Assis Brazão - uma domestica que dava a ele, todo suporte para desempenhar o desejo de ser campeão.


Nos anos noventa (90) quem brilhava era o Mike Tyson, engana-se quem acha que esse era a sua maior referencia, sua maior referencia era o José Adílson Rodrigues dos Santos (Aracaju 12 de junho de 1958, mais conhecido como Maguila) que venceu fora de sua terra como campeão dos pesos pesados. Panta o tinha como referência de perseverança e determinação, dividia seus treinos na academia Serapio, entre os estudos e atividades esportiva da escola; agora imagine só: naquele tempo sem apoio algum, tratando-se de uma modalidade que poucos ligavam, mesmo tendo grandes referencias, Panta não abria mão dos seus sonhos, sua musculatura crescendo junto com o seu desempenho.

No Amapá chegou um tempo que não tinha quem o derrotasse, queria ir para os grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro, suas condições e falta de patrocínio não contribuiu que ele decolasse, dessa forma ele conseguiu o que nenhuma outra pessoa tinha conseguido; ele foi campeão brasileiro de boxe, mesmo diante de toda adversidade.

Era de noite, lembro como se fosse hoje, as turmas da escola prepararam uma festa, e ele fez questão de agradecer pela homenagem, entrou na escola e logo ouviu o tema do filme Rocky Balboa, seus amigos fizeram ele chegar vestido a caráter, quando ele passava nos corredores os aplausos e gritos, muitos como eu choraram, era a primeira vez que víamos um legitimo campeão.

Não houve aula nesse dia, foi só festa para ele. Com o microfone na mão não tinha palavras pela homenagem, descreveu como foram suas lutas e o que fez para trazer esse título para o Território Federal do Amapá. Segundo ele, foi um grupo de boxes que treinavam juntos e que por um convite para participar do torneio, chegaram só para marcar presença e conhecer, acontece que era ali a sua oportunidade de mostrar que ele era o “cara” e foi mesmo, venceu as suas lutas e se tornou reconhecido nacionalmente como a revelação do norte.

Talvez pela modalidade em crescimento no Amapá, esse fato ficou esquecido na história, faço esse registro pois eu estava lá, acompanhei esse momento que hoje faço o registro na história do grande campeão José Ribamar, que aos seus 48 anos recebe essa homenagem de alforria Amapá. Panta o grande campeão.


PALAVRAS-CHAVE: esportes boxe, campeão brasileiro, José Ribamar.


O Curiau/Criau foi titulado antes de sua certificação



O Curiau/Criau é um fato diferenciado no critério regularização fundiária, que de inicio a comunidade deve ser certificada e após entrada na regularização junto ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Incra, é uma autarquia federal cuja missão prioritária é executar a reforma agrária e realizar o ordenamento fundiário nacional) e esperar o longo processo, recebe-se o titulo definitivo, o CURIAÚ foi certificado no dia 20/11/2012.
Sendo que em 1998, o quilombo foi regularizado, pela Fundação Palmares, órgão ligado ao Ministério da Cultura. Segundo consta foi o primeiro título de quilombo no país, e em 03 de novembro de 1999, Curiaú recebeu oficialmente o título de “comunidade remanescente de quilombo”. Essa titulação garante direitos constitucionais e políticos, sobretudo no que se refere à demarcação de suas terras.


A iniciativa para a titulação das terras a partir da afirmativa de que “a terra é de todos” apresentada pelo grupo, no sentido de garantir o uso comum do território pelas famílias, tem existência legal em certidões, a primeira de 1892, por meio do registro de posse das terras denominadas “São Joaquim do Curiaú” realizado naquele ano, por Domingas Francisca do Espírito Santo, viúva de Francisco José Ramos (Almeida:2010, 175), e constando o nome de outros como vizinhos em comum no mesmo terreno, João Ignácio de Miranda, Francisco Ignacio dos Santos, Domiciana do Rosário e os herdeiros dos finados Pedro Antônio da Silva e Manoel Ignacio.


Palavras-Chave: Povos quilombolas; território tradicional; regularização fundiária.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Marabashow

capa do CD

A gravação do cd de marabaixo, uma iniciativa do movimento da nação marabaixeira e studio Soledade encabeçada pelos conceituados e renomados Carlos Piru e Nonato Soledade, oriundos do movimento do samba que juntos vêm catalogando e fazendo acontecer pessoas como Naira de Sena, reconhecida cantadeira do marabaixo, terá a sua voz eternizada nessa que é o segundo CD, pois o primeiro foi o Marabashow, e nessa mesma linha gravaram recentemente o de Batuque.

A arte do encarte do CD de Marabaixo terá a assinatura do artista Plástico Silva, quilombola diretamente de Curiaú/Criaú. Essa é uma forma de valorização dos nossos artistas, como ontem (31) a Cris Ferreira, oriunda do Ambé, dona de uma leveza no cantar que surpreendeu com o seu talento.

Cris está entre tantas que estão diariamente na residência de Nonato Soledade gravando, que na realidade, todas as noites viram festa dado a alegria coletiva contagiante do ambiente. "Vamos que vamos" é a frase de incentivo dos artistas.

O lançamento será no Monumento Marco Zero do Equador, no dia 22 de setembro. Vamos mostrar a força do povo do Marabaixo!

 Palavra chaves: marabaixo, cultura, Amapá, norte, musica, ancestralidade.