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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Movimento dos 500 irmãos na Guiana Francesa direto da linha de frente

foto pessoal

A guiana francesa é um departamento território ultramarino da França, onde a população atual 286 046 desses 1 054 são de imigrantes líquida neste ano de 2017 (fonte http://countrymeters.info/pt/French_Guiana).

São vários os problemas em decorrência disso, principalmente os que se acham mais guianeses que os outros, na passagem do presidente, os 500 irmãos tentaram outra vez usar do mesmo artificio do mês de abril, onde cerca de 10 mil pessoas paralisaram a guiana, uma macha que promoveram a grande greve geral: comerciantes fecharam as portas, o foguete não foi lançado, imigrantes estiveram juntos com um único objetivo - o de melhorias para a guiana.




Hoje o movimento perdeu o apoio de muita gente em principal dos imigrantes, pois na passagem do presidente os 500 irmãos fecharam o departamento de imigração, e esses por sua vez nem saíram de suas casas no momento em que tentaram cobrar do presidente uma solução pela suas reivindicações.

O que se viu foi um movimento enfraquecido, o presidente que no momento de campanha apoiou o movimento, dessa vez estava super protegido e não reuniu com o movimento, no seu ultimo dia (28) Emmanuel Macron, terminou a sua visita de 48 horas à parte territorial francesa de Guiana, ainda em meio a miséria e o desemprego fez o que miguem esperava, saiu de pés no comercio e desfilou de carro aberto pelas ruas de Cyenne.



O presidente, Macron, se comprometeu a respeitar partes de um acordo sses acordos, desbloqueando verbas, cerca de mil milhões de euros no sentido de se combater a pobreza extrema e o desemprego de 23%, sobretudo, entre jovens.

Nessa visita do presidente eu fui testemunho ocular, vou continuar acompanhando o caso. Essa foi minha primeira matéria na linha de frente do fato, na hora que o confronto iniciou, fiquei meio sem saber o que fazer, corre corre na praça, fumaça; onde de um lado a policia e de outro os  500 frères, ora se reporte tem passe livre nas guerras, como não vai ter para saí de uma praça?

 

Foram uns 5 minutos com as pernas bambas, não teve jeito tive o grande privilegio de sai do meio de uma guerra gritando  - Journaliste brésilien - e deu certo, pois depois disso, outros jornalista do mundo todo socializaram algumas fotos inclusive uma que peguei de um lixeiro em chamas.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Noite de guerra na Praça da Palmister (exclusiva)


A passagem do presidente da França na Guiana é marcada por confronto.
fotos pessoais
A praça da Palmiste na capital da Guiana Francesa virou um palco de guerra na noite dessa sexta (28), garrafas pelo lado os 500 frere, enquanto que a policia, com gás lacrimogênio, helicóptero,e uma estrutura de repressão que nunca tinha visto, desmobilizou uma tentativa de invasão dos irmãos da guiana, como fizeram na primeira vez na prefeitura de Cayenne.

Tudo começou por volta das 20hs no horário da Guiana, quando os 500 irmãos tentaram entrar na prefeitura onde se encontrava o presidente – Manuel Macron- reunido com os mandatários da guina, acontece que junto com o presidente, veio a guada do presidente que desde São Jorge (Saint-Georges-de-l'Oyapock) -


Fotxs pessoais - jovens acuados

O presidente estava reunido na prefeitura com associação dos prefeitos dos municípios da guina, e se negou a esculta – los, tentaram invadir a prefeitura, dai foi um estopim para reiniciar um assunto que não foi encerrado, o grupo reivindica entre outras coisas um combate a imigração, pois antes disso, durante o dia os irmãos já tinha invadido o serviço de imigração (OFI), expulsando os funcionários e imigrantes que estavam lá.
fotxs pessoais - movimentação tática da policia

Segundo comentários que se ouve na guiana, o movimento nem de longe está com a força do mês de abril onde promoveram a grande greve, hoje na praça ficaram em menor quantidade, pois a maioria da população é de imigrantes e, nessa hora, ficaram só olhando.
movimentação da policia na praça

Carros de lixo queimados , bombas de gás atiradas a todo momento, um cerco de policiais, luzes da praça apagadas, gritarias, corre corre e de um lado a policia avançado de outros os irmãos dizendo que não vão recuar
foto pessoal Praça da Palmiste

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Reunião da Associação das Escolas Famílias do Amapá - RAEFAP



Na manhã dessa quarta feira (18), os representantes das escolas famílias do Amapá se reuniram no Centro Diocesano de Macapá, onde foram debatidos os seguintes assuntos: pagamentos dos salários dos funcionários; pagamentos das parcelas do termo de fomento 2017; GE/SEED/RAEFAP; termino do ano letivo de 2017; Futuro das escolas Famílias do Amapá; termo do fomento de 2016. Estiveram presentes; EFAS de Pacuí, Perimetral Norte, Carvão, Maracá, Cedro, Macacoari.

As escolas Surgidas em meados da década de 1930 na França, as Casas Familiares Rurais são a base e o marco da metodologia de ensino e aprendizagem hoje adotado por inúmeros modelos de ensino espalhados pelo mundo, em especial em países da Europa, África e América do Sul cujo número de propriedades agrícolas familiares e/ou de subsistência sejam relevantes.

O Estado do Amapá possui, atualmente, cinco escolas famílias agrícolas/agroextrativistas. No município de Macapá encontra-se a Escola Família Agrícola do Pacuí, no município de Pedra Branca do Amaparí a Escola Família Agrícola da Perimetral Norte, no município de Mazagão a Escola Família Agroextrativista do Carvão e a Escola Agroextrativista do Maracá e no município de Tartarugalzinho a Escola Família Agroextrativista do Cedro. As escolas atendem a um total de oitocentos e dezenove alunos de mais de quinhentas famílias espalhadas por mais de cento e quarenta comunidades nos dezesseis municípios do Amapá e incluindo algumas regiões do Pará.
fonte http://gvpesquisa.fgv.br


A reunião que foi considerada pelos participantes como uma assembleia geral, teve o seu inicio com os relatos dos respectivos representantes, que com exceção das escolas de Macacori; que tem como parceiro uma empresa americana de nome não revelado pelo presidente Ademílson e a escola de Pacui as outras, estão a um ponto de fecharem as portas, como é o caso da escola do Cedro que está com suas atividades paradas.

Após os relatos, os participantes resumiram que “hoje” o projeto das escolas famílias, estão desamparadas e precisam de apoio para que essas questões, cheguem ao conhecimento público. ficou acordado que os representantes vão em busca de apoio para que esse projeto do estado não acabe.

PALAVRAS CHAVES: Interação Família-Escola; Família; Ensino-aprendizagem.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Todos e todas agora viram “todxs” ou “tod@s”


De repente, você deve esta se perguntando, x e s no lugar dos o s? Saiba porque, o xs vem tomando conta de parte da comunicação usual de todxs. E dessa forma, me utilizo de um texto já batido, mas vale apena requentar a informação.
O uso destes códigos é um recurso utilizado principalmente em redes sociais para que haja neutralidade de gênero – em vez do emprego do masculino. Adeptos de movimentos feministas e LGBTs, por exemplo, defendem a escrita de frases como “Todxs xs alunxs foram à aula”, em vez de “Todos os alunos foram à aula”.

Todos e todas agora viram “todxs” ou “tod@s”
Uma nova grafia do prenome “todos” começa a ser utilizada por aqueles que defendem igualdade de gêneros.


Ou que acham que a linguagem semeia o preconceito.
A grafia se espalha por movimentos sociais e na rede.
Em outras palavras: suprir o gênero na linguagem seria uma forma de inclusão ao reduzir a opressão.
No Brasil, é longa a discussão entre o uso de presidente ou presidenta.
Corremos o risco agora da polêmica se transferir para ex-presidente ou ex-presidenta.
Eu gostava do todos(as).
Exemplo: todos(as) os(as) interessados(as)
Virou “todxs xs interessadxs”.
Sarney sempre começava os discursos com “brasileiros e brasileiras”. Lula com “companheiros e companheiras”.
Pela nova grafia defendida por ativistas, seria então “brasileixs”, “companheirxs”.
Tem alguns que preferem “tod@s”, o que é simpático, já que o arroba parece uma junção do artigo masculino em volta do feminino.
Tem uns que defendem “todes”.
Tem o estilo Mussum: “todis”.
Se bem que “todxs xs interessadxs” já parece o começo de um discurso do personagem mítico dos Trapalhões.
Mas se a interferência na grafia satisfaz grupos defensores da igualdade de gêneros, ela atrapalha outro grupo numeroso, que reclama: os deficientes visuais.
Eles alertam que a mudança na grafia dá pau em seus leitores digitais de audiodescrição.
E agora?
Gosto do que escreveu Oscar Abreu da Silva no Coletivo Metranca:
Sinceramente, não acho que a língua oprime. A linguagem é ferramenta, neutra, que pode ser usada com intuito de oprimir, repetindo: pode. Não discordo do fato que a linguagem é muito utilizada para a opressão, e talvez seja até a ferramenta mais utilizada. Mas a ideia de que a linguagem em si oprime me parece um tanto quanto exagerada. O discurso é sempre ambivalente, como disse no início do texto, aberto a interpretações, por isso convido aos companheiros dos movimentos sociais que ampliem sua gama de interpretações. Seria prudente ou sensato, entender que uma mudança do paradigma machista, por exemplo, passa por essa mudança na linguagem? Eu me preocuparia mais com as associações de significantes, essas sim são perigosas.
http://coletivometranca.com.br/questoes-de-genero-na-linguagem-todos-todas-todxs/


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

VAMOS SER SOLIDÁRIOS COM O HISTORIADOR E JORNALISTA EDGAR RODRIGUES


VAMOS SER SOLIDÁRIOS COM O HISTORIADOR E JORNALISTA EDGAR RODRIGUES?

foto do aquivo pessoal de Edgar Rodrigues

Estou nessa campanha, sobre tudo por ter aprendido muito com esse cidadão, alias, quem nunca no Amapá e em qualquer parte do mundo não leu o seu blog? ou quem não tenha se inspirado nesse genial pesquisador? Eu tive o privilegio de por duas vezes está na companhia de Edgar Rodrigues e aprendi muito. Então gente, vamos contribuir, para que a sua sabedoria seja compartilhada para o bem do aprendizado coletivo. Por Edgar Rodrigues “Estou com apenas 50 por cento da visão e preciso me submeter a uma cirurgia de catarata. Não tenho condições atualmente para pagar a cirurgia. Estou vendendo aos amigos algumas apostilas produzidas artesanalmente para custear a cirurgia que custa R$ 4.500,00. Já perdi uma visão e não gostaria de perder a outra.

NÃO estou pedindo dinheiro, estou vendendo informações apostiladas sobre História e Cultura do Amapá como forma de financiar a intervenção. Tenho disponível os dois primeiros volumes da coleção Estudos Amapaenses para quem quiser me ajudar. Preciso recuperar minha visão para voltar a pesquisar.
Pedidos pelo celular ou whattsapp: (96) 984028693.

Meu endereço em Macapá: Rua Odilardo Silva 1399 apartamento F, Centro. Entre as Av. Iracema Carvão Nunes e Duque de Caxias. Ao lado da Secretaria de Estado da Saúde.

O preço de cada apostila é R$ 30,00. Se quiser as duas, paga só R$ 50,00.”
(Edgar Rodrigues)


palavras chaves: Campanha Edgar Rodrigues. 

domingo, 1 de outubro de 2017

A República de Counani : O homem que queria ser rei



Por Denis Lamaison
"texto traduzido nem todas as palavras estão corretamente escritas em português".
 
Em 1887, o caso rendeu algumas boas páginas dos jornais parisienses… Jules Gros, morador de Vanves na periferia de Paris, romancista popular e membro de diversas empresas de geografia, se tornou o presidente vitalício de Counani. Se alguns o levavam a maioria viam nele o Vaudeville do ano. O território de Counani existe realmente, entre o Brasil e a Guiana Francesa, e não pertence à nenhum Estado nesse fim de século XIX.
Jules Verne não poderia ter encontrado melhor assunto de Romance. Corrida para o ouro, evasão, traição, espionagem, essa é a história da República de Counani…
O TERRITÓRIO CONTESTADO FRANCO-BRASILEIRO
Quais são as fronteiras da Guiana Francesa? No final do século XIX, era muito difícil encontrar a resposta para essa pergunte. Bacia vertente do Brasil, uma região contestada existe desde o final do século XVII e isso apesar de dezenas de tratados e convenções. Aragouari, Cachipour, Caraparori, Ouassa, Tarturagal, os rios fronteiras mudam de acordo com as interpretações dos textos antigos ou com o geógrafos.

Em 1862, é o statu quo. As duas partes tendo fracassado mais uma vez na tentativa de entrar num acordo decidem que o imenso território que se estende entre o Amazonas e o Oiapoque permanecerá uma zona neutra, onde os governos francês e brasileiro, só poderiam intervir para tratar de questões de justiça referentes aos seus respectivos  cidadãos. Nem estado, nem policia, essa terra de ninguém era uma dádiva para os presos em fuga, escravos fugitivos (o Brasil declara o fim da escravidão em 1888) e todos os tipos de aventureiros.

A TERRA DE COUNANI
O explorador Henri Coudreau descobre a terra de Counani em 1883 durante uma missão para o Ministério da marinha e das colônias no território Contestado. Sua descrição é idílica, um clima ameno e são onde não existe mosquito, pastos fertéis, propícios à criação de gado. Essa terra situada na desembocadura do maior rio do mundo, descreve ele em sua obra. Os franceses na Amazônia, promete relações tranquilas com o resto do globo”. Para ele, não há lugar para dúvidas, esses cerrados estão aguardando apenas o Europeu”. Quanto aos duzentos e poucos habitantes que vivem no vilarejo de Counani, nascidos de uma « miscigenação tripla » (Branco, Índio e Negro) falantes de português mas familiarizados com o crioulo de Caiena”, eles só querem uma coisa: a cidadania francesa! “Counani: um nome harmonioso, uma boa coisa, uma grande ideia, ele se entusiasma.

Uma grande ideia”, é bem isso que pensa Paul Quartier, um dos membros da expedição Coudreau. O antigo relojoeiro suíço instalado um tempo em Caiena e depois reconvertido na prospecção aurífera, também sucumbiu ao charme de Counani. Em dezembro de 1885, ele desembarca na pequena vila com seu mentor e associado, o aventureiro borgonhês Jean-Ferréol Guigues. Eles se aliam aos dois capitães de Counani, Trajane Supriano, um ex-escravo e Nunato de Maceda (futuro sogro del Quartie). Os capitães são hostis com os brasileiros e muitas vezes eles levaram petições ao governador de Caiena para pedir em vão a anexação pela França. Dessa vez, eles foram muito mais longe.

Os capitães de Counani foram convencidos,  ou pressionados? (Supriano só assinou sob a mira de revolveres, escreveria mais tarde um morador de Caiena). Seja o que for, eles assinam em julho de 1886, um manifesto pelo qual é instituída a república independente dos quais os habitantes adotam as leis e a língua francesa. Convencidos de suas ações, Guigues e  Supriano vão em seguida para Caiena em uma vã tentativa de legalizar esse documento pelo prefeito de Caiena.

Guigues sabe que o a jovem república precisa legitimação. Ele confia a presidência do novo estado à Jules Gros, “jornalista oficial da Academia, membro das empresas de geografia de  Paris, Rouen, Lisboa e de diversas empresas especialistas, conselheiro municipal de Vanves, etc. etc.”

JULES GROS E A GUIANA FRANCESA INDEPENDENTE
Quando eu passei por eles em 1883, eles me disseram: “Essa é a nossa última tentativa. Se o governo francês não quer tratar desse assunto alegando que documentos antigos nos declaram neutros, indeterminados, não atribuídos. Mas tudo bem, nós nos declaramos independentes.” parece que eles acabam de fazê-lo. Eles estão certos!.

Aqui estão pessoas às quais vocês recusam os seus direitos, e isso porque há setenta e três anos, diplomatas, que não conheciam geografia, assinaram um tratado anfigúrico! Vocês não serão nada, digam a eles, vocês não serão nem franceses, nem brasileiros, nem Counanianos, vocês não serão nada. — Por Deus! Sejam Counanianos, meus amigos, é o direito de vocês. Hurra para Counani ! America to Americans ! ”
Henri Coudreau, A França Equinoxial, t. 1, Estudos sobre as Guianas e a Amazônia, 1886, p. 415.

Gros, homem estimado e quase sexagenário, parecia se a melhor opção. Ex-secretário da Empresa de Geografia comercial de Paris, redator nas diversas revistas populares, ele se beneficia de uma certa notoriedade. Como seu compatriota Jules Verne, do qual ele é contemporâneo, ele mistura alegremente vulgarização científica e literatura de aventura.

O vínculo de Jules Gros com a Guiana Francesa? Paul Gustave Franconie, o deputado eleito em 1879. Os dois compadres se encontram todas as sextas-feiras a noite no restaurante do Grand Véfour em Paris. Ao redor de uma refeição, marinheiros, comerciantes e políticos, trocam idéias sobre as questões coloniais. Dsse lobby expansionista, Franconie é o presidente e Gros o secretário. Gros conhece Coudreau e Guigues nessa época. O jornalista sedentário é subjugado por seus relatos. Ele fez com que os dois aparecessem no Le Journal des Voyages (O jornal das Viagens). A série é sobriamente intitulada: Os grandes aventureiros e as grandes aventuras. Foi nessa mesma revista que Gros escreveu pela primeira vez sobre a República Counaniense de Guigues, no dia 25 de julho de 1886.

Sobre a sua pequena história, dizem que Jules Gros teria sido informado sobre a sua nomeação por telegrama. Em maio de 1887, ele anuncia pela imprensa que ele foi nomeado presidente vitalício da nova República de Counani. Ele salienta que estando prestes a partir, ele busca colaboradores  “com uma perfeita honorabilidade e providos de recursos suficientes para ajudá-lo à iniciar a exploração dessas ricas terras”. Ele atende em seu escritório em Clamart às segundas e quintas na parte da tarde.

Rapidamente, toda a imprensa começa a falar. O ano de 1887 se torna o ano Counani. É importante dizer que o presidente leva seu trabalho a sério. Guigues se torna ministro do Estado e grande chanceler, Quartier é o intendente geral do Palácio da Presidência e  Louis Boisset, jornalista, é nomeado cônsul em Paris, na rua do Louvre, no. 18. Nas colunas do jornal oficial da Guiana Independente, distribuído em Paris, lê-se que a administração counaniana propõe concessões gratuitas (de cinco hectares por lar) aos colonos voluntários para a imigração. Como testemunhou um jornalista, o sucesso era certo :
Ao partir, o cônsul geral, nosso colaborador ficou surpreso de ver a multidão na sala de espera e até mesmo na escada. Eram pessoas decididas à partir para a Guiana Independente, que vinham pedir informações. Os pedidos de emigração crescem para mais de três mil.”
(Le Gaulois, 8 de setembro de 1887).

O incansável Jules Gros concebe também os brasões da República, adapta o código napoleão e funda uma ordem de cavalaria calcada na ordem da Legião de honra francesa, a ordem da Estrela. O brasão, uma cruz com quatro braços vermelha e preta, exibe em destaque o lema “Justiça e Liberdade”. O Le tout Paris o compra. Mais como lembra, de forma justa o Le Matin, em sua edição de 6 de setembro de 1887, “A estrela se dá e não se vende”.

A MORTE DE UMA ESTRELA
Eu não pude ocultar essas reflexões filosóficas do desolado presidente da República de Counani: “- Eu os nomeio… Eles me destituem. Eu os destituo em seguida. Mas como eu tinha sido destituído, eu não podia mais destituí-los. Mas como fui eu quem os nomeou, eles não podiam mais me destituir… Então, eu continuei nomeado e eu podia destituí-los.”
Alfred Copin, Revista de arte dramática musical, 1888, vol. 9, pag. 231.

O caso estoura  em setembro de 1887. O Cônsul Boisset acusa S. Richard, ex-encarregado dos assuntos de Counani, de tráfico de influência e Gros de cumplicidade. Mantendo distância  de seus associados, ele diz esperar que a nova colônia será fundada sob um duplo protetorado. Ele acrescenta por fim à um jornalista do Gaulois: “M. Gros tem o hábito de beber absínto como se fosse água”. Jules Gros não pode se deixar insultar impunemente. Ele elimina o consulado da Guiana Independente e despede Boisset. Apenas Guigues foi poupado. Esse último entretanto, escolhe o campo adversário. Com os membros do governo arruinado, ele por sua vez, declara Jules Gros como “indigno aos altos cargos aos quais ele teria sido nomeado”. No Jornal Oficial da Guiana Independente do dia 17 de setembro,Guigues se declara então, o único representante dos habitantes das províncias de Counani, Cachipour e Mapa. A ordem da Estrela foi extinta e os cavalheiros foram advertidos que eles poderiam ser processados por porte ilegal de condecoração.

A ruptura entre os principais nomes de Counani foi tão teatral como inesperada. Alguns dos protagonistas do caso ficaram com medo? Os meses passam, a França e o Brasil se aborrecem com esses rumores de separação. O dia 7 de setembro, a legação do Brasil em Paris deixa claro que ela não dá ao assunto de uma pretensa república “mais importância  do que ele mereça” mas que o Brasil tomará as medidas necessárias para impedir qualquer modificação sobre o estatuto do Contestado. Essa declaração não chega por acaso, no dia seguinte ao anúncio da partida de Gros, Guigues e Boisset para Counani acompanhando um primeiro convoide cinquenta franceses – a maior parte agricultores (Le Matin, 6 de setembro).

Hoje, essa república sai do domínio das lendas cômicas. O Brasil não a reconhece, mas ela existe.”, ironiza Gaston Jollivet no Le Matin. Mas Counani não  tira mais risos. A declaração comum, publicada no dia 11 de setembro no Diário Oficial da República Francesa confirma :
Atualmente, algumas pessoas estão tentando criar uma república independente em Counani, localidade situada no vasto território do qual a França e o Brasil reivindicam a possessão desde o tratado de Utrecht.

Esse ação é totalmente em contradição flagrante com as reivindicações dos dois Estados (…). Nessas condições, nem o governo da República francesa, nem o da Senhora Majestade, o Imperador do Brasil, autorizariam o estabelecimento de uma pretensa república counaniana.”
Diário Oficial da República Francesa, 11 de setembro de 1887.
A REPUBLICA NEBULOSA 
A efêmera República de Counani só durou uma volta do relógio” estampa Le Correspondant do dia 25 de outubro de 1887. Mas ninguém esperava o temperamento de Jules Gros. Ele recusa  de perder sua autoridade. Além do mais ele tem razão. Guigues criou um  novo governo para o  Tout-Paris, não há outros presidentes além do Gros. O  Figaro recorreu ao caricaturista Caran d’Ache, e duas páginas lhe foram consagradas no  “suplemento literário” de 31 de dezembro, rebatizado para a ocasião de “Counani-Revue”. Em janeiro de 1888, Gardel propõe no Teatro La Gaîté-Rochechouart, uma revista em dois atos: Paris em Counani. No ano seguinte, foi Charles Solo quem  rodou uma comédia intitulada: A república de Counani.

Na realidade, isso se tornou uma tragi-comédia. Jules Gros deseja voltar para sua administração. A França o impediu de embarcar em um navio francês. Mas isso não foi um obstáculo! Em fevereiro de 1888, ele se entende financeiramente com uma companhia financeira inglesa, The Guiana Syndicate Limited. Em troca de privilégios de exploração, essa última se compromete à levá-lo à  Counani e a lhe fornecer capital. Guigues percebe seu interesse. Após negociações, os dois compadres se reconciliam. Em contrapartida, a companhia promete a cada um, 125.000 francos.

Três viagens para a Guiana Francesa acontecem entre maio e agosto de 1888. Guigues parte, acompanhado do representante do sindicato; Gros está no último comboio. Ele leva com ele a sua família, seu secretário e alguns partidários. Nunca mais ele veria Counani. De tempos em tempos, os Ingleses perceberam que poderiam continuar sem ele. Sua viagem termina na Guiana Inglesa. Jules Gros é repatriado na França. Nesse mesmo ano, o escritor britânico Rudyard Kipling escreveu  O homem que queria ser rei.

É um Jules Gros desiludido que escreve após sua volta que o seu governo o persegue enquanto o seu objetivo era apenas de trazer ricos territórios para a França “sem que isso custasse um centavo ou a vida de um homem”. Quanto à Guigues, em um ensaio intitulado, Guiana Francesa Independente. Propostas ao governo francês – publicado em novembro de 1889 –, ele explica ter apenas pedido proteção francesa para esse vasto território “sem dono, sem governo” e isolado do mundo.

O presidente arruinado tenta – sem sucesso – buscar apoio dos investidores franceses, mas ele perdeu sua popularidade. A prisão de seu ex-secretário particular, por ladroeira, prejudicando uma empresa inglesa de emigração, não lhe traz boa reputação.
Jules Gros falece na casa dele em 29 de julho de 1891, com 62 anos de idade. Sua notoriedade ultrapassou as fronteiras. O New York Times de 17 de agosto de 1891 fala do desaparecimento de um grande globe-trotter e de sua república nebulosa. Quanto ao Cronicista Charles Formentin, ele escreveu no dia primeiro de setembro na Revue des Conférences : “Counani não existe mais, e o homem que tentou criar para o universo um Estado sonhado por Platão, morreu antes de ter reinado. Jules Gros partiu para uma viagem eterna, levando com estoque de suas condecorações desprezadas, o projeto de uma constituição ideal vislumbrando apenas de relance.”.
fonte: http://www.alem-do-amazonas.com/artigo/historia-artigo/a-republica-de-counani-o-homem-que-queria-ser-rei/

Palavras chaves: Julio Gros, Cunani, Amapá, Brasil.